China fará ponte na Bahia maior do que a Rio-Niterói | Diário do Porto

Investimentos

China fará ponte na Bahia maior do que a Rio-Niterói

Ponte entre Salvador e ilha de Itaparica terá investimentos de R$ 7,2 bilhões e será construída por empresas chinesas, em concessão de 35 anos

16 de novembro de 2020
Visão da ponte Salvador-Itaparica, cujas obras devem começar no final de 2021 (foto: Divulgação)

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Empresas chinesas farão na Bahia aquela que promete ser a maior ponte do Brasil sobre o mar, superando a ponte Rio- Niterói. A nova construção ligará Salvador à ilha de Itaparica, com 12,4 km de extensão sobre a lâmina d´água. O governo baiano assinou contrato de concessão por 35 anos com o consórcio formado pelos grupos CCCC (China Communications Construction Company) e CR20 (China Railway 20 Bureau Group).

O contrato, na modalidade de PPP (Parceria Público-Privada) prevê investimentos de R$ 7,245 bilhões, dos quais 80% devem ser da empresa concessionária, com direito à exploração do pedágio. O prazo para a construção é de 4 anos, que deve começar no final do próximo ano. O governador da Bahia, Rui Costa (PT), está em seu segundo mandato, tendo sido reeleito no primeiro turno, em 2018.

A obra terá ainda mais 4,6 km de acessos viários a serem construídos em Salvador, totalizando 17 km, além de uma nova rodovia na Ilha de Itaparica, com 21,4 km. A ponte Rio-Niterói, incluindo acessos e trecho de 8,8 km sobre a Baía de Guanabara, chega a 13,2 km.

Segundo os chineses, o conjunto da ponte estará entre as 100 maiores obras de infraestrutura do mundo. O projeto do governo baiano quer que a nova ponte seja um indutor para o desenvolvimento do litoral ao sul da capital do Estado, com reflexos em todas as 17 cidades no entorno da Baía de Todos-os-Santos.

CCCC fez a maior ponte do mundo

A Bahia é a sede de grandes construtoras nacionais, entre elas a Odebrecht e a OAS, fortemente abaladas pelas consequências da Operação Lava Jato, que desde 2014 iniciou um combate à corrupção no país. Essas empresas chegaram a dominar o mercado de obras na América Latina, mas foram desestruturadas e viram seu espaço ocupado principalmente pelos chineses. Na China, o governo estimula suas empresas estatais e privadas a buscarem o exterior, como forma de ampliar suas exportações e influência geopolítica. Esse tipo de ação de Estado chegou a ser tentado pelo Brasil, a partir dos governos militares.

A CCCC é considerada a terceira maior empresa no ranking das grandes construtoras do mundo. Em 2017, ela comprou o controle da Concremat, tradicional empresa de engenharia que tem sede no Rio de Janeiro e escritórios em Salvador, São Paulo, Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza, Recife e Manaus. Um ano ano antes de ser vendida, ficou ligada ao acidente na ciclovia Tim Maia, no qual 2 pessoas morreram ao serem atingidas pela ressaca do mar, na altura do Vidigal, na Zona Sul. A obra permanece interditada.

A empresa chinesa participou da construção daquela que é a maior ponte marítima do planeta, com 50 km, entre Hong Kong, Macau e Zhuhai, na China. Ela também já controla um porto privado em São Luís, no Maranhão, e tem projeto para uma laminadora de aço, no Pará.


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