Cervejas artesanais começam 2020 esperando crescimento | Diário do Porto


Empreendedorismo

Cervejas artesanais começam 2020 esperando crescimento

No Rio, a criação do Arranjo Produtivo Local, na Região Serrana, estimula novos produtores. Uma cerveja artesanal de Campos ganhou o Mondial de La Bière

12 de janeiro de 2020

Produtores de cervejas artesanais do Rio esperam aumentar produção (foto: Governo do Estado / Divulgação)

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O ano passado fechou com 28% dos cervejeiros artesanais do país dizendo ter lucrado com a atividade. Esse número superou os 22% que registraram prejuízo, mas ficou abaixo dos 50% que afirmaram ter empatado as contas.

O cenário desafiador foi mostrado por pesquisa realizada pela Abracerva (Associação Brasileira de Cerveja Artesanal) e pelo Sebrae. Segundo o levantamento, os produtores acreditam que neste ano o setor vai ter maior crescimento e superar as dificuldades da crise econômica.

Para que isso ocorra, uma das condições apontadas pela pesquisa é a necessidade de ampliar o consumo, fazendo com que a cerveja artesanal não seja restrita apenas ao público das classes A e B. Esse objetivo só será atingido com a redução da alta carga tributária e dos custos de produção.

O Rio, com 48%, é um dos Estados com maior tributação sobre a produção de cervejas e já há solicitações do setor para que o Governo Estadual modifique as alíquotas e incentive o estabelecimento de mais produtores.

Segundo a Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro), apenas 5 cervejarias foram abertas no Rio nos últimos dois anos. O número é muito baixo, principalmente se comparado aos Estados do Rio Grande Sul, com 44 novas empresas; São Paulo, com 41; e Minas Gerais, 28.


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A proposta da Abracerva é buscar uma fórmula em que apenas as cervejarias artesanais paguem menos impostos, mantendo a tributação sobre as grandes indústrias. Isso tornaria possível a abertura de mais pequenos negócios, nos quais o investimento inicial estimado chega a R$ 500 mil.

Com menor tributação, o custo final da cerveja artesanal a tornaria competitiva para chegar aos consumidores da classe C, o que aumentaria a produção. Isso acabaria por gerar mais empregos e, ao final, aumentaria a arrecadação, compensando a redução das alíquotas.

Um grande impulso à produção artesanal de cervejas no Rio foi o reconhecimento do polo produtor da Região Serrana como APL (Arranjo Produtivo Local). A medida tomada pelo Governo do Estado, em outubro passado,  tem o objetivo de incentivar a cadeia produtiva, com incentivos à redução de custos e associação do setor ao turismo.

No último mês de setembro, uma cerveja artesanal de Campos dos Goytacazes ganhou o prêmio máximo do Mondial de La Bière, festival realizado no Píer Mauá, no Porto Maravilha, com a participação de juízes estrangeiros. O empresário vencedor, Marcos Sobrosa, sócio da Beach Brothers, afirmou que acreditava na possibilidade da vitória. “A nossa IPA com goiaba tem um sabor frutado muito especial, nem muito doce nem muito amargo. Os juízes canadenses adoraram”, comemorou.


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