Cerâmica e barro são matérias primas de nova mostra na Casa França Brasil | Diário do Porto


Exposição

Cerâmica e barro são matérias primas de nova mostra na Casa França Brasil

Projeto da artista Thelma Inneco ganha exposição na Casa França Brasil. Peças em cerâmica e barro refletem fragilidades e desamparos humanos

21 de dezembro de 2021

"Empilhadinhos" é a escultura símbolo da nova exposição da artista plástica Thelma Innecco na Casa França Brasil (divulgação/Casa França Brasil

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Inaugurada hoje na Casa França Brasil, a mostra “Uns sobre os outros: História como corpo coletivo” apresenta cerca de 20 obras inéditas moldadas em cerâmica e barro da artista plástica Thelma Innecco. São esculturas de corpos múltiplos que estimulam questionamentos sobre as relações humanas a partir das dessemelhanças, como explica a crítica de arte Ana Emília Lobo, doutora em Arte e Cultura Contemporânea pela UERJ, que assina a curadoria da exposição.  “Afetos calorosos – coletivos e individuais – comungam do espaço com corpos serializados, eximidos de particularidades. Tal associação nos aproxima uns dos outros, nos faz recordar memórias íntimas, resgatando em nós o sentido de uma humanidade em curso”, diz.

A primeira obra da série foi “Empilhadinhos”. A peça e seu significado são uma síntese da proposta estética do conjunto exposto na Casa França Brasil.  “A peça mostra múltiplos corpos horizontais empilhados uns sobre os outros.  Essa série reflete as desigualdades, fragilidades e desamparos humanos, expondo nossas próprias faltas, num tema aberto às diversas interpretações, já que correlatos em qualquer cidade do mundo. Um ato de resistência e de preservação de memória representado pela delicadeza das esculturas que arrebatam nossos afetos”, explica Thelma.

“Uns sobre os outros: História como corpo coletivo”  também apresenta um curta-metragem realizado em colaboração entre Thelma e a cineasta inglesa Caren Moy. Nessa obra, esculturas são postas em diálogo com documentos históricos, imagens de arquivo e relatos a fim de promover uma escavação das memórias de resistência.

São resgatadas histórias do Cais do Valongo e dos quilombos Pedra do Sal e Sacopã, dentre outros. A obra também mira em movimentos contemporâneos globais, como o Black Lives Matter, o monumental protesto deflagrado nos Estados Unidos em 2020 após o brutal assassinato de George Floyd por um policial branco em Minneapolis. “Em digressões sobre a cidade do Rio de Janeiro, a lógica das esculturas se torna inseparável da lógica do monumento. Celebrados como marcos civilizatórios, os atos bárbaros monumentalizados são lembrados apenas como contraponto ao uso dos espaços comuns” explica Ana Emília Lobo.


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Em um terceiro espaço, o público é convidado a contribuir com o acervo. Conduzidos por monitores, os visitantes poderão criar  suas próprias esculturas humanas para integrar a mostra.

“Uns sobre os outros: História como corpo coletivo” foi selecionada pelo “Prêmio Funarte Artes Visuais 2020/2021 – O Diálogo entre o Patrimônio Histórico da cidade do Rio De Janeiro e o Brasileiro presente nas Artes Visuais, na Arquitetura e nos Espaços Urbanos”. A exposição é uma realização da Funarte, Ministério do Turismo e Secretaria Especial da Cultura com produção da 8 Cultural e Galeria Modernistas.

Serviço

Exposição “Uns sobre os outros: história como corpo coletivo”

Casa França Brasil  

Rua Visconde de Itaboraí, 78 – Centro

Tel. (21) 2332-5275

De 21 de dezembro de 2021 a 23 de janeiro de 2022

De quarta a domingo das 12h às 20h    

www.casafrancabrasil.rj.gov.br

Entrada gratuita

 

 


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