Comerciantes temem fim da Operação Centro Presente | Diário do Porto


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Comerciantes temem fim da Operação Centro Presente

Comerciantes, executivos e profissionais que trabalham na região portuária estão temerosos com a segurança pública diante do impasse entre a prefeitura e o Sesc Rio para dar continuidade à Operação Centro Presente a partir do dia 1º de julho. Prefeito Marcello Crivella quer substituir o serviço pelo programa Rio Mais Seguro, cujo investimento mensal é de R$ 850 mil. O Rio Presente custa em torno de R$ 4 milhões por mês

19 de junho de 2018

Ferramenta ISP Cidades disponibiliza dados para criação de políticas de segurança pública para os 92 municípios do Estado (Carlos Magno/Gov RJ)

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centro presente
Operação Centro Presente, criada em 2016, obteve resultados com prisões na região e está sob ameaça de acabar (Foto: Carlos Magno – Governo do Estado do Rio de Janeiro)

Comerciantes, executivos e profissionais que trabalham no Porto Maravilha estão temerosos com a segurança pública na região diante do impasse entre a Prefeitura e o Sesc Rio para dar continuidade à Operação Centro Presente. Em quase dois anos, a operação efetuou 3.374 prisões e cumpriu mais de 780 mandados de prisão. Porém, a partir do dia 1º de julho, a expectativa é que o convênio para a manutenção das equipes de segurança não seja renovado e o serviço deixe de existir.

O contrato do Centro Presente termina no dia 30 de junho e ainda não há previsão de renovação. O impasse é causado por uma necessidade de ajustar as contas do serviço mantido até então pelo Sesc Rio. A prefeitura anunciou que pretende substituir o programa pelo Rio Mais Seguro, que já funciona em Copacabana e no Leme, na Zona Sul. O prefeito Marcelo Crivella alega que o Centro Presente custa R$ 4 milhões por mês, enquanto no programa Rio Mais Seguro o investimento mensal é de R$ 850 mil.

“O patrulhamento dos agentes nas ruas aumenta a sensação de segurança de quem circula na região e ajuda a melhorar nosso movimento de vendas. Se eles (os agentes do Centro Presente) saírem daqui, a Praça Mauá vai voltar a ser abandonada”, disse o dono de uma banca de jornais na Rio Branco. “Com eles nas ruas, eu me sinto mais segura para sair do trabalho e atravessar o Boulevard Olímpico”, conta M., de 36 anos, que trabalha em um escritório na região.

Na última terça-feira (19), funcionários do Centro Presente, responsáveis por ajudar na segurança, fizeram protestos contra a prefeitura em vias do Centro, ocupando faixa das avenidas Presidente Vargas e Rio Branco. Os manifestantes seguiram até a Igreja da Candelária e depois até a Assembleia Legislativa (Alerj), caminhando depois para a Câmara dos Vereadores.

Trio no Centro Presente, dupla no Rio Mais Seguro

Criado em 2016, o reforço no patrulhamento na região do Centro do Rio é feito diariamente por 522 policiais militares da ativa, da reserva e agentes civis egressos das Forças Armadas. A área de atuação da operação vai da Praça Mauá até a Candelária, passando pela Praça XV, Largo da Carioca, Rua Uruguaiana, Sete de Setembro e Avenida Presidente Vargas até a Praça Onze.  No último dia 11 de junho, o DIÁRIO DO PORTO solicitou um levantamento sobre as ocorrências registradas especificamente na região, mas ainda não teve retorno da assessoria das Operações Lei Seca, Segurança Presente, Barreira Fiscal e Lapa Presente.

Cada agente do Centro Presente recebe uma gratificação mensal de R$ 3.200 brutos para trabalhar cinco dias na semana, em período de oito horas diárias. Se trabalhar em dia de folga, o PM recebe uma diária de R$ 185. A principal diferença entre os dois projetos está no sistema de patrulhamento, que no Centro Presente é feito em trio (dois PMs e um agente civil que é ex-militar das Forças Armadas), enquanto no Rio Mais Seguro, é realizado apenas por um guarda municipal acompanhado de um PM.

“O modelo de policiamento do Centro Presente, que é feito a pé, de bicicleta ou de motocicleta, nos ajuda a fazer com mais agilidade as abordagens em locais com grande fluxo de pessoas. Isso tem nos dado a possibilidade de realizar cerca de 100 abordagens por dia. Quando solicitamos os documentos de algum cidadão, entramos em contato com a nossa central de inteligência. Em seguida, o suspeito é encaminhado para a delegacia”, explica o coordenador do Centro Presente, da base Central do Brasil, major Márcio Rocha.   

Acolhimento de quase 10 mil moradores de rua em dois anos

Além das ações do policiamento ostensivo, a operação conta com o auxílio de assistentes sociais que realizam o trabalho de acolhimento a moradores de rua e pessoas que buscam algum tipo de orientação profissional, ou que não têm moradia fixa. Desde o início da operação, 9.651 ações de acolhimento foram realizadas.

Vários órgãos atuam de forma integrada com a operação: PM; Polícia Civil; Comando Militar do Leste; Guarda Municipal; secretarias municipais de Ordem Pública, de Desenvolvimento Social, de Conservação, e de Transportes; Superintendência Municipal do Centro da Cidade; e Comlurb. A operação funciona de segunda a sexta-feira, das 6h30 às 22h, e sábado e domingo, das 8h às 20h.

Da base de operações montada em um micro-ônibus equipado com câmeras e computadores no Largo da Carioca, os agentes têm acesso às imagens de câmeras do Centro de Operações Rio, da prefeitura e do Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), do estado. O custo total do Centro Presente é de R$ 47 milhões anuais, com o pagamento de salários dos agentes e despesas operacionais, como uniformes, materiais e combustível.


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