Central do Brasil vai virar terminal multimodal e ganhará até shopping

Construída em 1858, a Central do Brasil é um marco na paisagem do Rio (Carlos Magno / Governo do Rio)

Lá se vão 20 anos desde que ‘Central do Brasil’ ganhou a telona e o coração dos brasileiros e de muitos cinéfilos mundo afora. O filme conta a história de uma uma professora aposentada (Fernanda Montenegro) que atua como escritora de cartas para pessoas analfabetas na estação e acaba ajudando um menino que perdeu a mãe atropelada por um ônibus a encontrar o pai no Nordeste. A película que recebeu uma indicação ao Oscar de 1998 como ‘melhor filme estrangeiro’ é sem dúvida um março no cinema brasileiro. Mas o que mudou na Central do Brasil desde então?

Inaugurada em 1858 com a presença de Dom Pedro II, a velha estação de trem hoje é um grande terminal por onde passam diariamente cerca de 600 mil passageiros e símbolo de um pedaço do Centro do Rio que tem sido degradado pelo tempo. Esta realidade, no entanto, está com os dias contados. A estação de trem mais famosa do país ganhará um projeto de revitalização e se tornará um terminal multimodal de alto padrão. Um convênio para revitalização da Central do Brasil foi assinado pelo Governo do Estado e a Prefeitura do Rio de Janeiro nesta terça-feira (7).

Pelo projeto, a estação de trem, que está fazendo 160 anos, se tornará um terminal multimodal de alto padrão. Também está prevista a reurbanização da região, com a melhor integração da Central com espaços como o Palácio Duque de Caxias e o Campo de Santana. O projeto está incluído no acordo de cooperação técnica já firmado pela Secretaria de Estado de Transportes e a Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD), banco de fomento a políticas públicas.

“Estamos tratando dos últimos ajustes com o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), já que o prédio da Central do Brasil é tombado. O projeto – que prevê a construção de um shopping center – vai ajudar na revitalização de toda a área do Centro do Rio de Janeiro. A ideia é tornar o local um espaço de integração não apenas modal, mas também social”, afirmou o governador Luiz Fernando Pezão.

“A Central do Brasil é o ponto capital da cidade, que recebe todos os modais, com exceção das barcas, que ficam ligadas apenas pelo VLT. É uma obra muito maior do que o valor econômico, porque quando as pessoas chegarem à cidade, vão encontrar um Rio de Janeiro remodelado”, disse o prefeito do Rio, Marcelo Crivella. 

Projeto deve ser concluído em novembro

Segundo ele, o projeto, que conta com a participação da Câmara Metropolitana do Rio de Janeiro, do governo estadual, já está sendo executado e tem três fases: análise da situação atual, com a coleta de dados, e diagnóstico, etapa já concluída; produção de cenários e estimativa de custos; e estudo detalhado com um plano de negócios. Técnicos do município e do Estado, com o apoio da Agência Francesa de Desenvolvimento, estão elaborando os projetos e vão realizá-los.

“A região da Central do Brasil tem uma vocação para a integração multimodal. Não há outro local que agregue tantos meios de transportes, empresas e passageiros. No entanto, trata-se de um espaço público congestionado, cuja reorganização é necessária”,, ressaltou o secretário estadual de Transportes, Rodrigo Vieira.

Para encontrar soluções para a execução da revitalização, foram realizados três workshops com a participação das concessionárias de transportes, como a SuperVia e o MetrôRio, e de diversos órgãos públicos e privados. Em setembro, está previsto um workshop para discussão de alternativas. A previsão é de que a conclusão do projeto seja apresentada em novembro, também em um workshop. 

Ações de curto prazo

Entre os objetivos do projeto estão revitalizar a Central do Brasil através do tratamento do espaço público e da intermodalidade; facilitar o acesso à estação; estabelecer a Central como um polo de atividades, conectando os bairros do entorno; e valorizar a relação do edifício com a composição urbana global, como o Palácio Duque de Caxias e o Campo de Santana.

“A Agência Francesa de Desenvolvimento já prevê ações preparatórias de curto prazo, como a implantação de sinalização e de comunicação visual para informar os passageiros, além da humanização da estação”, explicou o diretor-executivo da Câmara Metropolitana, Paulo César Costa.

A Central ontem e hoje

A estação foi construída para receber a linha da Estrada de Ferro Central do Brasil, a “Estação do Campo”. Com o tempo teve seu nome alterado para estação da Corte e, mais tarde, Dom Pedro II. Foi rebatizada de Central do Brasil devido à antiga ferrovia extinta em 1971 por decisão da RFFSA. Marco na cidade do Rio de Janeiro, a linha férrea unia as três províncias mais prósperas do Império – Rio, São Paulo e Minas.

De acordo com matéria no ‘Estado de S. Paulo’, a viagem inaugural da linha foi em março de 1858, quando o trem partiu da Central até Queimados, na Baixada Fluminense, em um percurso de 47 quilômetros. O imperador d. Pedro II e sua família viajaram na locomotiva chamada ‘Brasil’. A frota inicial era composta de 10 locomotivas, 40 vagões de passageiros e 100 vagões de carga. Segundo anúncios de jornais da época, a viagem de trem de São Paulo ao Rio, com desembarque na Central do Brasil, durava inacreditáveis 15 horas!

Hoje rodeada por camelôs e muita queixas de insegurança, a Central do Brasil é atendida por cinco linhas de trem suburbanos, duas linhas de metrô, um terminal de ônibus municipal, um terminal de ônibus metropolitano, uma linha de VLT e um teleférico. Segundo pesquisa sobre o perfil dos usuários da região, 66% circulam mais de quatro dias por semana e 68% usam o comércio e os serviços da estação. Mais de 90% das viagens são realizadas por motivo de trabalho, mas apenas 17% dos passageiros usam o trem todos os dias da semana.

Fonte: Governo do Estado RJ, com Redação

 

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