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Cedae: venda não trará dinheiro para Governo do Rio

Leilão da Cedae será usado para abater dívida com a União. Ministro Paulo Guedes manobrou para que o Governo do Rio não receba recursos da venda

19 de dezembro de 2020
Venda da Cedae não dará recursos para investimentos do Governo do Rio, após ação do ministro Paulo Guedes (foto: Agência Brasil / Wilson Dias)

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O leilão da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae) não vai trazer nenhum novo dinheiro para que o Governo do Estado do Rio possa fazer investimentos. Graças a iniciativa do ministro da Economia, Paulo Guedes, tudo o que for obtido na venda da concessão será destinado ao pagamento da dívida do Estado para com a União.

Guedes pediu que fosse feita uma emenda ao novo Plano de Recuperação Fiscal dos Estados, incluída minutos antes da votação na Câmara dos Deputados. A emenda do ministro só afeta os interesses do Rio.  A mudança foi percebida pelo governador em exercício do Estado, Cláudio Castro, que tentou articular um movimento de deputados e senadores para impedir a aprovação, mas não conseguiu sucesso.

O governador lamentou a decisão do ministro e disse que fez de tudo para conseguir ter parte dos recursos do leilão da Cedae que seriam usados em novos investimentos em infraestrutura no Estado do Rio. O leilão está previsto para o primeiro semestre do próximo ano.

Cedae dará dinheiro para pagar dívida com banco

Agora, após o leilão da Cedae, é esperado que o Governo estadual pague uma dívida de R$ 2,9 bilhões junto ao banco BNP Paribas. O resto da venda, cerca de R$ 7 bilhões a R$ 12 bilhões, será destinado a reduzir os débitos com a União. A dívida consolidada do Rio havia chegado a R$ 167 bilhões no final do ano passado.

Ainda há um grupo de parlamentares do Estado do Rio disposto a liderar um movimento que reverta a decisão já aprovada na Câmara dos Deputados. O movimento não encontrará a simpatia dos congressistas de outros Estados, pois a emenda de Guedes não afeta nenhum outro lugar do país a não ser o Rio.

É interessante notar como o Rio tem pouca ação na defesa de seus interesses, mesmo sendo residência dos presidentes da República, da Câmara, do STF e do próprio ministro da Economia.


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