Ceciliano e Chicão: o que pensam os candidatos à Alerj | Diário do Porto


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Ceciliano e Chicão: o que pensam os candidatos à Alerj

Candidatos a presidente da Alerj falam ao DIÁRIO sobre crise, empregos, “abate” de bandidos, impostos, ética e demolição do prédio anexo, na Praça XV

13 de janeiro de 2019

Deputados Chicão Bulhões e André Ceciliano

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Deputados Chicão Bulhões e André Ceciliano
Deputados Chicão Bulhões e André Ceciliano

A eleição do próximo presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro atrai atenções de políticos e eleitores mais politizados. A escolha será dia 1º de fevereiro, em um cenário poucas vezes visto no Palácio Tiradentes, o prédio histórico que quase foi incendiado nos protestos de 2013.

Seis dos 70 deputados estaduais estão presos, além de três ex-deputados que deram as cartas na última década e ainda exercem influência política na Casa. Por outro lado, a maioria (36 dos 70) eleita no ano passado é de marinheiros de primeira viagem.

O DIÁRIO DO PORTO enviou cinco perguntas a quatro parlamentares que estão ou já foram cotados para a disputa. Assim, nossos seguidores poderiam comparar seus pensamentos e propostas.

Além do atual presidente em exercício, André Ceciliano (PT), as perguntas foram para Chicão Bulhões (Novo), Tia Ju (PRB) e Rodrigo Amorim (PSL). Os dois primeiros – que também são os únicos confirmados como candidatos – responderam.

Os discursos de Ceciliano e Chicão têm muitos pontos em comum. A defesa da transparência e da ética, por exemplo. As discordâncias estão mais em relação aos pontos de vistas distintos sobre a relação entre gastos públicos, arrecadação e funcionalismo.

Ambos defendem a transferência dos gabinetes para o antigo Banerjão, no Largo São José. A mudança deve ocorrer este ano. O atual anexo da Alerj, aquele prédio de vidro marrom e de péssimo gosto plantado no meio da Praça XV, será devolvido à União e, se Deus quiser, demolido pelo bem do patrimônio histórico e do turismo na área.

A preferência popular não tem qualquer peso na eleição do presidente da Assembleia. O futuro líder da Casa é escolhido pelos companheiros de mandato. Mas é importante conhecer as ideias dos postulantes, aos quais agradecemos por participar de nossa enquete. Vamos às respostas:

 


DIÁRIO DO PORTO – Qual é a sua principal proposta como candidato a presidente da Alerj?

 

Deputado André CecilianoAndré Ceciliano: Continuar fazendo uma administração participativa, ouvindo a todos os deputados, estabelecendo uma pauta plural e dando condições aos deputados de exercerem seus mandados de forma plena. Vamos manter medidas de austeridade e economia, cortando 30% dos cargos comissionados, aumentar a participação popular através de ferramentas digitais, inclusive nas audiências públicas realizadas pela Casa, e melhorar a atualização das informações internas da Alerj já disponibilizadas em nosso portal da transparência.

Deputado Chicão BulhõesChicão Bulhões: O principal objetivo é ter uma Casa mais transparente, eficiente e, consequentemente, com melhor gestão dos recursos públicos. Para começar, queremos promover uma reforma administrativa, implementando mecanismos de transparência total – especialmente de dados – para que a população e os órgãos de fiscalização possam acompanhar os trabalhos dos deputados. Para isso, a modernização com uso de tecnologia é fundamental. Vamos também promover uma gestão meritocrática e incentivar cada vez mais a participação da sociedade civil nas decisões do legislativo.

 


 

DIÁRIO: O que o Poder Legislativo pode fazer para ajudar o RJ a superar a crise e criar empregos?

Deputado André CecilianoCeciliano: O Legislativo vem exercendo papel importante para ajudar o Rio a sair da crise. Votamos medidas duras ao som de bombas de gás lacrimogênio e balas de borracha. Fomos o único estado a aderir ao plano de recuperação fiscal, o que permitiu ao Rio de Janeiro colocar salários em dia e evitar o caos social. Economizamos só em 2018, R$ 378 milhões do orçamento da Alerj, quase um terço da nossa receita. Deste total, R$ 258 milhões foram em repasses constituicionais (duodécimos) que abrimos mão de receber, e devolvemos R$ 120 milhões economizados do nosso orçamento para ajudar o Estado a quitar o décimo terceiro salário dos servidores rm dezembro passado. Vamos continuar unifo esforços para que o estado supere as dificuldades.

Deputado Chicão BulhõesChicão: O Rio precisa virar a página e começar a tomar atitudes práticas para sair da crise. Isso passa por criar um ambiente atrativo para empreendedores e investidores, fazer reformas institucionais que ajudem no combate à corrupção e nas questões fiscais. Para que isso seja possível, é fundamental resolver a insegurança endêmica que se instalou em todo estado. O local para que tudo isso saia do papel, seja debatido e transformado em medidas práticas é o parlamento fluminense. Se não aproveitarmos a janela histórica que se coloca diante de nós por uma renovação de fato na Alerj, perderemos uma grande chance de colocar o Rio de Janeiro nos trilhos para o futuro.

 


 

DIÁRIO: O sr. é contra ou a favor da proposta do governador Wilson Witzel de “abater” bandido que estiver portando fuzil?

Deputado André CecilianoCeciliano: O governador tem legitimidade para propor ações em defesa da população do nosso estado, mas logicamente atendo-se à Constituição. Eu sempre defendi a ampliação dos investimentos em Segurança Pública, bem como a ampliação dos programas sociais nas comunidades. Eu sou da Baixada Fluminense, região que precisa e muito de investimentos nessa área.

Deputado Chicão BulhõesChicão: O governador tem usado palavras polêmicas, não acho que isso resolva o problema da violência. É claro que um bandido segurando um fuzil, colocando a população refém e em risco – infelizmente uma realidade em diversas áreas do Rio – não é aceitável. Acredito que reações proporcionais a essa ameaça real e cotidiana devem sim estar na mesa, mas sempre dentro da legalidade. Penso que temos que investir em duas vertentes igualmente importantes e urgentes. Uma é a valorização das forças de segurança com reformas estruturais, que dêem melhores condições de trabalho aos nosso policiais. É fundamental que eles tenham segurança jurídica e equipamentos necessários para um bom trabalho. Outro ponto é investir em educação e geração de oportunidades de emprego, através de uma maior atratividade econômica para o Rio.

 


DIÁRIO: O sr. é a favor da transferência dos gabinetes para o edifício do Banerjão e da demolição do anexo da Alerj? Por que?

Deputado André CecilianoCeciliano: A obra física do antigo Banerjão, agora sede da nova Alerj, será concluída este mês e restará adaptar o prédio para que entre em funcionamento, o que deve durar de seis a oito meses. Com isso, centralizaremos todos os setores – que hoje funcionam em três prédios -, num só, gerando economia à Casa. O anexo onde atualmente funcionam os gabinetes é de propriedade da União e será devolvido a eles após a desocupação, cabendo a eles decidir o destino do imóvel. Já o Palácio Tiradentes se tornará um centro cultural e manteremos ali apenas as sessões solenes mais importantes.

Deputado Chicão BulhõesChicão: Pelas informações que temos, a reforma, que já gastou alguns milhões de reais, está quase no fim. O valor gasto não tem como ser recuperado e, a princípio, entendo que cancelar a mudança trará mais prejuízo do que benefícios.  É preciso lembrar que o Palácio Tiradentes é um prédio histórico, tombado, o que não permite fazer as adaptações necessárias ao trabalho parlamentar no século XXI. Por ser inadequado, precisa de reformas que, além de possivelmente serem mais caras do que a mudança, certamente não o deixariam tão satisfatório quanto um prédio novo, já reformado para este fim. O anexo também tem problemas não só de manutenção como com a União e não pode ser mantido onde está. A demolição Temos que ser responsáveis, não só com o dinheiro mas também com a qualidade do serviço público.

 


 

DIÁRIO: O sr. acha possível reduzir os gastos com servidores para aumentar investimentos em saúde, educação e segurança?

Deputado André CecilianoCeciliano: As medidas de economia ajudam, mas o estado precisa melhorar sua arrecadação. O governador Wilson Witzel declarou recentemente durante a posse do novo procurador geral do estado que sua equipe já está atuando com esse objetivo. O estado do Rio é hoje o último estado da federação em arrecadação em relação ao PIB. Há possibilidade de melhorar a arrecadação sem aumentar impostos.

Deputado Chicão BulhõesChicão: Sem dúvida. Estimamos que em, pelo menos, 50%. Mas primeiro precisamos separar os servidores concursados, de carreira, e os comissionados. Certamente a Alerj tem excelentes funcionários de carreira. O que não pode é manter essa quantidade de cargos comissionados e indicações políticas. Faremos um estudo que dê embasamento para um choque de gestão na casa, que valorize o corpo técnico qualificado. Queremos implementar um sistema com bases meritocráticas e objetivas, metas e planejamento. A experiência que o Novo está tendo com o Governador Zema, em Minas, certamente irá nos ajudar a estabelecer boas práticas por aqui. A Alerj precisa ser um órgão de estado e não um órgão de alguém.

 


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