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Cdurp quer reativar teleférico da Providência

Na última parte da entrevista, presidente da Cdurp diz que irá contratar empresa de engenharia para avaliar situação do Teleférico da Providência

7 de setembro de 2021


Guerrante (de terno) quer reativar Teleférico da Providência (divulgação/Cdurp)


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Engenheiro mecânico de formação com mestrado em administração pela Coppead da UFRJ, Gustavo di Sabato Guerrante é desde janeiro o olhar público na Operação Urbana do Porto Maravilha. Carioca nascido e criado em Santa Tereza, Guerrante é o atual presidente da Companhia Urbana de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro (Cdurp), empresa pública municipal criada em 2009 para ser o elo entre a Prefeitura do Rio e as empresas da Parceria Público Privada que administram (ou não) o Porto. Nessa entrevista, publicada em três partes, Guerrante fala sobre os desafios e problemas na gestão da PPP, os novos rumos da região com a chegada dos grandes empreendimentos residenciais e de como diminuir o abismo social que separa o chão do Porto do alto dos morros que circundam a área onde o Rio nasceu. Na pauta da terceira e última parte da entrevista, ele fala sobre dívida social do poder público com as comunidades esquecidas pelo Porto Maravilha e do plano para reativar o teleférico da Providência.

Diário do Porto – A maior obra recente nas comunidade do Porto foi a instalação do Teleférico da Providência, que desde 2016 está parado e virando sucata. Há algum plano para reativá-lo?

Gustavo di Sabato Guerrante – O teleférico parou em 2016. Ele é um transporte de operação difícil, com custo alto. É um equipamento que está parado há cinco anos. Não dá para simplesmente apertar o botão e ligar. Nesse instante, contratamos uma empresa de engenharia especializada nisso que vai nos entregar um laudo técnico do equipamento em 90 dias. Vai ser tudo checado. Estado dos cabos, polias, maquinário. Vão me entregar um diagnóstico completo da situação do teleférico, o que precisa ser feito para voltar a operar e qual o custo disso. Tenho que sair desse processo com um orçamento na mão e com isso ir em busca de receita para reativá-lo.

DiPo – O Teleférico é autossustentável ou a Prefeitura, além do gasto com a reativação, vai ter que subsidiar a operação?

Guerrante – Vai ter que ser subsidiado. Esse tipo de equipamento não se paga em nenhum lugar do mundo. Istambul tem um sistema de transporte metropolitano fenomenal. Eles tem Metrô, VLT, BRT, Ferry-Boat. O único modal subsidiado deles é o teleférico. Bogotá é a mesma coisa. Mas não tem jeito. É um serviço importante que precisa ser prestado para população da Providência. O mais difícil e custoso foi a instalação dele. Agora é criar condições para botá-lo para funcionar de novo.

Estação do Teleférico da Providência: virando sucata
Parado há cinco anos, Teleférico da Providência passará por vistoria técnica (Foto: DiPo)

DiPo – Os morros do Pinto e da Providência foram esquecidos no Projeto Porto Maravilha. Segundo pesquisa do Instituto Rio 21, a Região Portuária tem hoje o pior Índice de Progresso Social do Rio. O que a Cdurp tem feito para melhorar a vida das pessoas nessas comunidades?

Guerrante Dentro desse contrato da PPP, é papel da Cdurp ter esse olhar social. E a nossa principal missão é ajudar as pessoas das comunidades da região a encontrar emprego, ocupação. Mas nesse aspecto a pandemia atrapalhou muito. Não estamos tendo eventos nos galpões do Boulevard Olímpico ou shows na Praça Mauá como o ArtRio, Rio Oil and Gas, Mondial de la Bierre e outros. Hoje o desafio de ajudar essas pessoas é maior.

DiPo – Mas isso é um bico que dura o tempo do evento. Não seria ideal buscar um emprego fixo para essas pessoas?

Guerrante – Fazemos isso também. A mão de obra da região tem que ser da região. A Rio Star contratou 40% de funcionários daqui. No Supermarket, 70% dos empregados são moradores do Porto. As empresas que chegaram agora também estão contratando pessoal das comunidades. Num dos nossos galpões tem um pessoa que faz cenários e só usa mão de obra interna. A nossa expectativa é grande com a chegada dos empreendimentos residenciais que vão precisar de mão de obra para construção. É nossa obrigação fazer a mediação entre a comunidade e os empreendedores.


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DiPo – A Providência perdeu R$ 230 milhões que seriam dela e foram transferidos para a construção do Museu do Amanhã. Há alguma obra de reurbanização prevista para os morros da região que continuam sofrendo com casas em área de risco que ameaçam a vida dos moradores?

Guerrante – A Prefeitura inteira está trabalhando nesse sentido. Isso tem tido uma atenção especial na agenda do governo municipal. E o foco tem sido o combate às ocupações irregulares, que muitas vezes nem são casas de moradores, mas construções comerciais. A grande iniciativa nessa área é o Bairro Maravilha, com ações de reurbanização, iluminação pública, saneamento básico e limpeza. Vamos mapear as demandas da nossa região e entregá-las à Secretária Municipal de Infraestrutura, o órgão responsável pelo projeto.