Cinema

CCBB abre maior mostra brasileira sobre gênio do cinema mudo

‘Buster Keaton – A vida é um circo’ revela obra do ator e diretor conhecido como o ‘homem que nunca ri’ e comparado a Charles Chaplin

26 de setembro de 2018

Compartilhe essa notícia em sua rede social:

buster-keaton-the_general_page_35

A maior mostra dedicada no Brasil ao ator e diretor do cinema mudo Buster Keaton – um gênio comparado a Charles Chaplin – desembarca esta semana no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB Rio), onde fica até 14 de outubro. A programação conta com 70 filmes, divididos em 22 longas, 48 curtas e médias metragem, em formatos película (17 obras) e digital, para ratificar a importância deste artista que revolucionou a esfera da sétima arte.

Além de sua filmografia completa, a mostra ‘Buster Keaton – O mundo é um circo’ traz 12 sessões musicais acompanhando a exibição de filmes (igualmente na época em que dos filmes), livro-catálogo, curso de cinema sobre sua obra com Hernani Heffner, masterclass, debate e sessão com audiodescrição e uma sessão especial com a orquestra Soundpainting Rio.

Durante a mostra, os espectadores farão uma grande imersão na obra de Keaton, e identificarão, por exemplo, a característica que ficou para sempre associada ao ator: manter a mesma expressão facial. Uma de suas grandes inovações foi construir um personagem impassível, que mantém as mesmas feições diante dos fatos ocorridos.

Isso explica os apelidos dados a ele pelos críticos: “O grande cara de pedra” e “O homem que nunca ri”.  O artista percebeu que ao não modificar sua expressão facial o espectador projetaria nele suas aspirações sentimentais, sensoriais e morais.

Com um trabalho minucioso, a curadoria reuniu os filmes mais importantes protagonizados e dirigidos por Buster Keaton. Serão exibidos todos os filmes do período áureo de seu cinema – em que ele não só atuava, como tinha controle artístico de cada projeto. Para deleite dos fãs, serão exibidos também os curtas em que ele começou sua carreira cinematográfica, servindo como escada para comediante Roscoe “Fatty” Arbuckle, e alguns dos filmes pós anos 30 em que Keaton teve presença marcante.

“Seu nível de invenção humorística com objetos e peripécias atléticas é sem igual em toda a história da arte cinematográfica. Famoso como “o homem que nunca ri”, ele desenvolveu uma persona cinematográfica só talvez comparável à de Chaplin com Carlitos”, diz o professor, crítico e pesquisador Ruy Gardnier, um dos curadores da mostra, ao lado do produtor e realizador Diogo Cavour.

De acordo com os curadores, a comédia visual trouxe para o cinema uma gama de interpretações e gags que são referência para muitos atores e diretores até os dias de hoje. E o nome de Buster Keaton (1895 -1966) se configura no alto posto como um dos mais inventivos criadores desta arte.  Para o cineasta Orson Welles, ele é o maior ator-diretor da história do cinema.

Quem foi Buster Keaton

Buster Keaton faleceu aos 70 anos de idade, e durante sua vida não foram poucas as vezes em que ele se arriscou em cena quando jovem: o acrobático ator e diretor fazia piadas usando diversos obstáculos em suas cenas – e influenciou nomes como Jacques Tati (“As Férias do Sr. Hulot”, de 1953 ) e Jackie Chan (“Police Story”, de 1985).

Com o fim da era silenciosa, Keaton perdeu a autoria de seus filmes e participou de projetos menores. Desse período, curtas inéditos no Brasil e longas raros como “O Rei da Champs Elyseés” e “O Moderno Barba Azul” (produções Francesa-mexicana protagonizado por Keaton nos anos 1940) serão exibidos em sessões especiais durante o evento.

No fim dos anos 50, o cineasta foi redescoberto pela crítica e aclamado em festivais europeus, podendo assim retomar o prestígio e realizar projetos maiores. Desse momento, estão dois clássicos filmes do cinema (“Luzes da Ribalta”, de Charles Chaplin; e “Crepúsculo dos Deuses”, de Billy Wilder) que lhe rendem homenagem e que também serão exibidos na mostra.

Uma preciosidade em particular é “Film” (1965), filme com roteiro do escritor irlandês Samuel Beckett e que foi protagonizado por Keaton quando tinha 70 anos, com direção de Alan Schneider.

Filmografia completa de 1917 a 1930

Segundo Diogo Cavour, a ideia é apresentar um amplo conjunto de obras das mais diferentes fases de Buster Keaton. “A mostra contará com a filmografia completa do início da carreira, de 1917 a 1930 – quando se tornou o maior astro do cinema mudo, junto com Charles Chaplin, entre eles “Sherlock Jr.” (1924), “A General” (1926) e “O Homem das Novidades” (1928), descreve o curador.

Um outro presente da mostra para o público será o livro-catálogo de 200 páginas (primeira publicação sobre o autor em língua portuguesa), com textos de grandes estudiosos da obra de Keaton, como David Robinson (crítico de cinema e autor inglês), Jean-Pierre Coursodon (crítico francês e historiador de cinema) e André Martin (crítico de cinema e diretor de filmes de animação franceses e colaborador da revista Cahiers du Cinema), além de artigos inéditos sobre os filmes do diretor-ator.

O livro-catálogo também contará com uma série de fotografias de Buster Keaton rememorando os melhores momentos do cinema silencioso. Ao longo da mostra serão distribuídos gratuitamente 300 catálogos ao público.

 

Buster Keaton

Atividades extras

Com patrocínio do Banco do Brasil e incentivo da Lei Rouanet, e produção da Lúdica Produções, a mostra é a maior retrospectiva feita sobre o Buster Keaton em solo brasileiro e ainda passará pelo CCBB Brasília (9 a 28 de outubro) e CCBB São Paulo (11 de outubro a 5 de novembro). Confira as atividades extras:

Acompanhamento musical – O público será contemplado com uma performance ao vivo durante 12 sessões da mostra “Buster Keaton – O mundo é um circo”, com acompanhamento musical ao vivo do pianista Cadu Pereira (pianista da Cinemateca do MAM , especializado na execução de filmes silenciosos), uma rara oportunidade de se conhecer a experiência do cinema no início do século. (ver programação)

Curso “O mundo segundo Keaton” – Nos dias 28, 29 e 30 de setembro, das 14 às 16h, cinéfilos e amantes da obra de Buster Keaton poderão se inscrever para o curso “O mundo segundo Keaton”, que será ministrado por Hernani Heffner, professor de cinema da AIC e diretor de conservação da cinemateca do MAM. O curso abordará a incorporação do cinema pela indústria do entretenimento baseado no artista performativo e sua transformação tensionada em novo meio de expressão.  E como Keaton se insere neste contexto, o comenta ironicamente e esculpe o protótipo do herói estoico e bem-intencionado, porém, deserdado dos deuses.

A entrada será gratuita, com inscrições poderão ser feitas pelo e-mail mostrabusterkeaton@ludicaproducoes.com.br ou pelo site www.mostrabusterkeaton.com.br . A produção separou 20% das vagas para estudantes de escolas populares de audiovisual. Ao final do curso os presentes receberão um certificado.

Master Class  – No dia de aniversário de Buster Keaton, dia 4 de outubro, está marcada a Buster Class às 19h, uma aula magna como crítico e curador Ruy Gardnier. A aula abordará o estilo particular de comédia criado por Buster Keaton em seu período autoral, com ênfase na criação de refinadas gags de humor físico e no uso de linguagem cinematográfica – enquadramento, organização espacial, ritmo, aproveitamento dos elementos cenográficos – para fazer rir.

Sessão Especial com a orquestra Soundpainting Rio – No aniversário do CCBB, dia 12 de outubro (também dia das crianças) haverá uma sessão especial com a execução musical do filme “A General”. Coordenada pelo soundpainter Taiyo Omura desde 2013, utiliza o Soundpainting (linguagem de sinais para composição multidisciplinar ao vivo, criada pelo compositor norte-americano Walter Thompson em meados dos anos 1970) com outras linguagens gestuais de improvisação dirigida/composição ao vivo, numa mescla totalmente inusitada de artistas, instrumentistas, dançarinas e performers – nos quais trilha sonora, efeitos, diálogos e interação lúdica com o público são criados na hora, com a chamada Cineorquestra.

Debate – No dia 14 de outubro será discutida em debate a obra de Buster Keaton e seus desdobramentos para o campo do cinema e artes em geral. A mesa será composta pelo crítico e pesquisador Luiz Carlos Oliveira Jr. (UFF) e pelo crítico e professor Pedro Henrique Ferreira (PUC-Rio) sobre a obra de Buster Keaton. Mediação do curador Diogo Cavour.

Audiodescrição – A sessão audiodescrição será no dia 3 de outubro com o filme “Sherlock Jr.”.

SERVIÇO

Mostra Buster Keaton – O mundo é um circo

Local: Centro Cultural Banco do Brasil

Endereço: Rua Primeiro de Março, 66 – Centro / Rio de Janeiro (RJ)

(21) 3808-2020 | ccbbrio@bb.com.br

Funcionamento: de quarta a segunda, das 9h às 21h.

Datas: de 26 de setembro a 14 de outubro

Horários: consultar programação

Lotações: 98 lugares (Cinema I)

Horários da Bilheteria: Das 9h às 21h.

Ingresso: R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (meia)

Classificação: consultar programação por sessão

Acesso para pessoas com deficiência: Sim

Patrocínio: Banco do Brasil

Realização: CCBB

Programação completa: http://culturabancodobrasil.com.br/portal/rio-de-janeiro

INFORMAÇÕES AO PÚBLICO

SITE: www.bb.com.br

Twitter: twitter.com/CCBB_RJ

Facebook: www.facebook.com/CCBB.RJ

Email: ccbbrio@bb.com.br

Compartilhe essa notícia em sua rede social: