História

Cassino do Quitandinha é o astro em vídeo do Sesc RJ

Quitandinha, em Petrópolis, aparece em vídeo do Sesc RJ nas redes sociais. Foi criado como cassino e hotel em 1944. Volta dos jogos é debatida no Brasil

10 de setembro de 2020
Palácio Quitandinha, em Petrópolis, foi o maior cassino do Brasil (foto: SescRJ / Divulgação)

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Um vídeo disponível nas redes sociais do Sesc do Rio de Janeiro mostra a saga da construção do Palácio Quitandinha, em Petrópolis, e o seu auge como cassino e hotel, até os jogos oficiais terem sido proibidos no Brasil, em 1946. A proibição não impediu que os jogos clandestinos continuassem até hoje, mas faz com que o Governo não tenha nenhuma arrecadação.

Na época em que o complexo de jogos e turismo foi feito, de 1941 até a inauguração em 12 de fevereiro de 1944, o Brasil vivia os reflexos recessivos da Segunda Guerra Mundial. O contexto, como diz o documentário, não encorajava investimentos. Algo que tem semelhança com os dias atuais, em que a pandemia agudizou a crise econômica e reduziu os capitais para novos empreendimentos

Porém o cenário da guerra não amedrontou o empresário mineiro Joaquim Rolla, que já era dono do mais famoso dos cassinos brasileiros, o da Urca, no Rio, além de outros em Niterói, Belo Horizonte, Araxá e Caxambu.

Quitandinha de R$ 1 bilhão

Em 1939, ele comprou uma antiga fazenda de gado em Petrópolis e, dois anos depois, investiu mais de US$ 150 milhões, o que hoje estaria próximo de R$ 1 bilhão, na construção do complexo de 50 mil m². A festa de inauguração teve mais de 2.000 convidados. Para facilitar a vinda dos turistas e jogadores, o empresário criou uma frota exclusiva de carros , no trajeto até o Rio, a então capital da República.


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Joaquim Rolla começou sua vida de negócios com uma tropa de mulas, fazendo comércio pelo interior de Minas Gerais, e nessas viagens desenvolveu o gosto pelos jogos de cartas. Depois que os cassinos foram proibidos no Brasil, não parou seus investimentos e morreu em 1972. O Quitandinha foi transformado em um condomínio de apartamentos e, a partir de 2007, o Sesc RJ passou a administrar suas dependências comuns, o que inclui os salões do antigo cassino e seus teatros.

Atualmente, há um projeto de lei pronto para ser votado na Câmara dos Deputados, que voltaria a legalizar os jogos no país, desde que funcionando em resort integrados, como já acontece em vários países. Esses estabelecimentos são complexos com hotéis, centro de convenções, teatros, áreas de lazer e uma área para o cassino. Um modelo muito parecido com o Palácio Quitandinha, de Joaquim Rolla.

Os defensores do projeto dizem que ele tem potencial para criar milhares de empregos. Estimativas apontam que os jogos ilegais faturam cerca de R$ 34 bilhões por ano no Brasil. Em comparação, a legalização dos jogos poderia movimentar R$ 66 bilhões, com arrecadação de R$ 30 bilhões em tributos anuais.

Quem quiser conhecer mais sobre o Palácio Quitandinha pode visitar o site do Sesc RJ.