A Estação Primeira de Mangueira se prepara para se apresentar na Marquês de Sapucaí no Carnaval de 2025 com o enredo “À Flor da Terra – No Rio da Negritude Entre Dores e Paixões“. A escola de samba Verde e Rosa promete um desfile que mergulha nas raízes africanas da cidade, com destaque para influência dos povos bantus na formação cultural carioca.
O desenvolvimento deste enredo está sob a batuta do carnavalesco Sidnei França, que estreia na Mangueira no próximo ano. Conhecido por seus trabalhos de destaque em São Paulo, Sidnei busca retratar a presença e a contribuição dos povos bantus no Rio de Janeiro, desde a chegada ao Cais do Valongo até as manifestações culturais que floresceram na Cidade Maravilhosa.
Estação Primeira de Mangueira se prepara para o Carnaval 2025
Uma das mais tradicionais escolas de samba do Rio de Janeiro, a Mangueira está acelerada nos preparativos para o Carnaval de 2025. Com o enredo de 2025, a Mangueira almeja promover uma narrativa com base na historicidade preta de forte cunho social.
Nos últimos carnavais, a Mangueira tem buscado retomar seu lugar de destaque. Em 2023, a escola alcançou a 5ª colocação com o enredo “As Áfricas que a Bahia canta“. Já em 2024, apresentou “A Negra Voz do Amanhã“, uma homenagem à cantora Alcione, ficando em 7º lugar.
Samba-Enredo de 2025 da Estação Primeira da Mangueira
Em outubro de 2024, a Mangueira escolheu o samba-enredo composto por Lequinho, Júnior Fionda, Gabriel Machado, Júlio Alves, Guilherme Sá e Paulinho Bandolim. O compositor Lequinho já acumula 13 vitórias em disputas de samba na Mangueira e reforça, em 2025, a posição como um dos principais compositores da agremiação.
Confira a letra abaixo:
Sou Luanda E Benguela
A Dor Que Se Rebela, Morte E Vida No Oceano
Resistência Quilombola Dos Pretos Novos De Angola
De Cabinda, Suburbano
Ê Malungo, Que Bate Tambor De Congo
Faz Macumba, Dança Jongo, Ginga Na Capoeira
Ê Malungo, O Samba Estancou Teu Sangue
De Verde E Rosa Renasce A Nação De Zambi
Bate Folha Pra Benzer Pembelê, Kaiango
Guia Meu Camutuê, Mãe Preta Me Ensinou
Bate Folha Pra Benzer, Pembelê, Kaiango
Sob A Cruz Do Seu Altar Inquice Incorporou
Forjado No Arrepio Da Lei Que Me Fez Vadio
Liberto Na Senzala Social
Malandro, Arengueiro, Marginal
Na Gira, No Jogo De Ronda E Lundu
Onde A Escola De Vida É Zungu, Fui Risco Iminente
O Alvo Que A Bala Insiste Em Achar
Lamento Informar… Um Sobrevivente
Meu Som Por Você Maculado
Sem Ser Convidado Pela Burguesia
Tomou A Cidade De Assalto
E Hoje No Asfalto A Moda É Ser Cria
Quer Imitar Meu Riscado, Descolorir O Cabelo
Bater Cabeça No Meu Terreiro
É De Arerê, Vento De Matamba
É Dela O Trono Onde Reina O Samba
Sou A Voz Do Gueto, Dona Das Multidões
Matriarca Das Paixões, Mangueira
O Povo Banto Que Floresce Nas Vielas
Orgulho De Ser Favela
