Cariocas ricos repetem fuga do Rio, como na época do Império | Diário do Porto


História

Cariocas ricos repetem fuga do Rio, como na época do Império

Casas para temporada têm alta de até 70%, no interior do Estado. Nos tempos do cólera e da febre amarela, cariocas ricos iam para Petrópolis, 6 meses por ano

18 de abril de 2020

A Petrópolis do lindo Museu Imperial registra 81% de ocupação em sua rede hoteleira no Feriadão da Independência (Museu Imperial / Divulgação)

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Imobiliárias e corretores do interior do Estado estão registrando um aumento na procura de casas de temporada, por cariocas que querem fugir das restrições do isolamento social causado pelo coronavírus. O crescimento varia de 30% a até 70%, principalmente na Região Serrana e na Região dos Lagos.

Esse movimento de fuga de parte dos moradores não é novo na história do Rio e chegou a integrar o calendário da cidade, a partir da segunda metade do século 19.

No reinado de Dom Pedro II, durante seis meses por ano, de novembro a maio, o imperador transferia sua residência para Petrópolis e os cariocas endinheirados o acompanhavam. Todos queriam evitar o desconforto do verão e as epidemias frequentes de febre amarela e cólera, causadas pelas péssimas condições de saneamento da capital.

Essa transferência para as casas de campo -a vilegiatura-, era pretexto para uma intensa vida social da corte em Petrópolis, ao contrário dos tempos atuais, em que o êxodo é feito para convivência nos núcleos familiares, conforme manda o protocolo do afastamento . Corretores que estão fechando aluguéis de temporada dizem que os clientes querem imóveis com piscina, amplas áreas de lazer e internet que permita home office, tudo para um longo período sem sair de casa, mas com muito mais amplitude do que nos apartamentos.


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O crescimento da procura por esse tipo de imóvel anima o mercado de locação no interior, numa época em que normalmente seria baixa estação, após o Carnaval e ainda longe das férias do meio de ano.

Como nos tempos do Império, quem hoje está saindo do Rio é a camada mais rica da população. O colunista Ancelmo Gois, de O Globo, já havia noticiado em março que cariocas milionários estavam se refugiando em suas propriedades em cidades menores do interior ou em outros Estados. O crescimento das locações é uma segunda onda, causada por aqueles que não têm suas próprias fazendas, sítios, chácaras ou segundas residências fora do Rio.

Petrópolis ainda guarda muitos vestígios do auge da vilegiatura, com destaque para casarões e palacetes e para um dos mais importantes monumentos arquitetônicos do Brasil, o Palácio Imperial.

Construído sob as ordens do próprio Dom Pedro II, quando ainda jovem, o Palácio é hoje o Museu Imperial, que preserva lembranças da monarquia brasileira. Quando foi deposto, em 1889, o imperador estava em Petrópolis e, em seu exílio na França, costumava perguntar sobre essa cidade a quem ia visitá-lo. O imperador, que viveu modestamente fora do Brasil, acabou morrendo de pneumonia, após se resfriar em um passeio no rio Sena, em Paris, dois anos depois.


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