Campanha quer memorial na Casa da Morte | Diário do Porto


Cidadania

Campanha quer memorial na Casa da Morte

O memorial, em Petrópolis, lembrará os crimes de agentes do governo militar. Campanha conta com apoio do Ministério Público Federal

26 de junho de 2019

Vaquinha cívica quer transformar Casa da Morte em memorial (foto: Prefeitura de Petrópolis)

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Entidades e pesquisadores se uniram para lançar uma campanha de financiamento coletivo, com objetivo de criar o Centro de Memória, Verdade e Justiça, em Petrópolis. O local será um marco contra a opressão e crimes cometidos pelos governos militares. A iniciativa conta com o apoio do Ministério Público Federal.

A meta da “vaquinha cívica” é arrecadar, até dezembro, cerca de R$ 1,5 milhão, valor estimado para desapropriação do imóvel que ficou conhecido como a Casa da Morte. Em 1971, o Centro de Informações do Exército (CIE) instalou ali um aparelho clandestino de tortura, causando a morte de pelo menos 18 pessoas.

A campanha é liderada pelo Grupo Pró-Memorial, integrado pelas entidades Centro Alceu Amoroso Lima para a Liberdade/Universidade Cândido Mendes, Centro de Defesa dos Direitos Humanos de Petrópolis e Grupo Inês Etienne Romeu. Também fazem parte os ex-membros da Comissão Municipal da Verdade de Petrópolis Eduardo Stotz, Rafane Paixão e Glauber Montes.

Com o dinheiro da vaquinha, o grupo pretende indenizar o atual proprietário da casa e instituir um memorial, com documentos e depoimentos sobre as atividades clandestinas dos agentes públicos.


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Ações para a criação do Centro de Memória vêm desde 2010. A Casa da Morte foi tombada pela Prefeitura de Petrópolis em 2018 e declarada de utilidade pública no último mês de janeiro, seguindo solicitações do Ministério Público Federal. Fica no bairro de Caxambu, na rua Arthur Barbosa, 50.

Sua identificação como centro de tortura foi comprovada pelos depoimentos do tenente-coronel reformado Paulo Malhães e da ex-presa política Inês Etienne Romeu. Os crimes ali cometidos foram reconhecidos por decisão da 17ª Vara Federal Cível de São Paulo.

Malhães afirmou à Comissão da Verdade que o local foi criado para pressionar os presos a se tornarem informantes infiltrados nas organizações que combatiam a ditadura. Inês, única sobrevivente da Casa da Morte, contou sua história à OAB e fez a localização do imóvel.

Quem quiser contribuir para a campanha pode fazer depósitos no Banco do Brasil, na conta

32019-6 – C MEM Casa da Morte / agência 2885-1 / CNPJ: 27.219.757/0001-27