Diário do Porto

Campanha pede o fim da pesca de cerco no Estado do Rio

Pesca de cerco industrial foto reprodução da internet 2

Campanha pede que Rio adote lei semelhante à do Espírito Santo, que proibiu a pesca de cerco neste mês (foto: reprodução da internet)

Uma campanha contra a pesca industrial de cerco em praias do Rio de Janeiro ganhou força nas últimas semanas, impulsionada pela circulação de uma petição que pede a elaboração de uma lei estadual proibindo essa prática no litoral fluminense. A mobilização surge em meio à repercussão nacional de um fenômeno natural raro e simbólico: a presença de enormes cardumes, formando manchas escuras nas águas cristalinas de praias como Ipanema e Copacabana, cenas que viralizaram nas redes sociais. 

Celebradas como sinal de vitalidade do ecossistema marinho, as imagens também reacenderam o alerta sobre uma ameaça silenciosa que ronda a costa do estado: a pesca industrial de cerco. A campanha contra essa prática é liderada pela organização ambiental Verde Mar, que se baseia no exemplo recente do Espírito Santo, onde foi aprovada uma legislação considerada histórica para a proteção das águas costeiras e da pesca artesanal.

A campanha do Verde Mar defende que o Rio de Janeiro adote legislação semelhante à capixaba, restringindo ou proibindo a pesca de cerco em todo o litoral sob jurisdição estadual. Segundo a entidade, a preocupação aumenta com a possibilidade de deslocamento das traineiras industriais para a costa fluminense após a proibição no Espírito Santo.

Exemplo capixaba vira referência

Em 15 de dezembro de 2025, a Assembleia Legislativa do Espírito Santo aprovou o Projeto de Lei nº 860/2025, que proíbe o uso de traineiras industriais e redes de arrasto no mar territorial capixaba, até o limite de 12 milhas náuticas da costa. A norma veda especificamente embarcações com arqueação bruta superior a 20 toneladas em toda a extensão do litoral do Estado, da divisa com o Rio de Janeiro até a Bahia.

A pesca de cerco com traineiras é apontada como um método de alto impacto ambiental. As embarcações utilizam grandes redes circulares e tecnologias como sonar para localizar e capturar cardumes inteiros, podendo retirar até 70 toneladas de peixe por dia — um volume desproporcional quando comparado à pesca artesanal de pequena escala.

No Espírito Santo, o problema era agravado pelo fato de muitas traineiras não serem registradas no Estado, operando a partir de Santa Catarina e do próprio Rio de Janeiro. Segundo dados das autoridades locais, cinco traineiras industriais tinham potencial de captura cerca de 25 vezes maior do que toda a frota pesqueira artesanal e industrial local somadas, prejudicando as comunidades pesqueiras tradicionais do Estado.

Pressão crescente no litoral fluminense

Enquanto o Espírito Santo avança na proteção de suas águas, o Rio de Janeiro segue exposto à atuação da pesca industrial predatória. Pescadores artesanais do Estado do Rio relatam que embarcações industriais têm operado cada vez mais próximas da costa fluminense. Além de esgotar os recursos naturais, a prática tem provocado conflitos diretos no mar.

Impactos documentados

Entre os principais efeitos associados à pesca de cerco industrial estão a redução drástica de estoques pesqueiros, prejuízos econômicos para famílias que dependem da pesca artesanal, captura acidental de espécies não-alvo — como peixes juvenis, tartarugas marinhas e aves —, danos a habitats sensíveis e o aumento da competição considerada desleal entre frotas industriais e comunidades tradicionais.


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