Câmara exige informações da Prefeitura sobre autódromo | Diário do Porto


Sustentabilidade

Câmara exige informações da Prefeitura sobre autódromo

O piloto Lewis Hamilton disse que é contra a derrubada da Floresta do Camboatá para a construção do autódromo. Vereadores fizeram 12 perguntas à Prefeitura

22 de novembro de 2019

Cerca de 180 mil árvores podem ser derrubadas na Floresta do Camboatá (foto: SOS Floresta do Camboatá)

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A Comissão de Meio Ambiente da Câmara Municipal do Rio pediu informações à Prefeitura sobre o projeto de construção de um autódromo na Floresta do Camboatá, em Deodoro, na zona norte da cidade.

A construção depende da aprovação de um projeto de lei (PLC 135/2019) que permite a venda de terrenos públicos para um empreendimento imobiliário ao lado do futuro autódromo. O negócio seria uma das formas de retorno financeiro ao investidor privado que pretende fazer as obras.

Com o pedido de informações, o projeto de lei ficará sem tramitar, até que a Prefeitura responda ao questionário de 12 perguntas da Comissão. Na primeira delas, os vereadores perguntam se a Prefeitura reconhece que a Floresta do Camboatá é o último grande remanescente de Mata Atlântica em área plana na cidade.

O fato de a área ser uma floresta levou o piloto inglês Lewis Hamilton a se manifestar contra a construção de um novo autódromo no Rio. Ele esteve em São Paulo para a disputa da corrida de Fórmula 1 em Interlagos, no último domingo, e mostrou sua contrariedade.

“Para fazer o circuito, vão ter que derrubar árvores? Não aprovo isso. Temos uma floresta importante para o nosso futuro. Temos que focar mais no meio ambiente”, disse o hexacampeão mundial.


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Em agosto, a 10ª Vara Federal do Rio de Janeiro acatou a argumentação da Prefeitura do Rio e suspendeu a liminar que impedia a assinatura do contrato para a construção do novo autódromo da cidade. O Ministério Público Federal queria impedir o contrato, até que houvesse um Relatório de Impacto Ambiental (EIA-Rima) sobre a Floresta do Camboatá.

A Prefeitura convenceu a Justiça de que a assinatura do contrato com a empresa Rio Motopark era a condição inicial para o relatório exigido pelo próprio MPF. A realização do relatório é um dos requisitos da licitação que escolheu a empresa. Só após sua análise é que as obras poderão ser ou não iniciadas, argumenta a Prefeitura.

Há um prazo de 2 anos para que o relatório seja apresentado pela Rio Motopark, cabendo a ela pagar as despesas necessárias para a obtenção ou não das licenças ambientais.

A concorrência que escolheu a Rio Motorpark só teve essa empresa como concorrente e foi realizada no último mês de maio. Na ocasião o MPF já havia contestado a escolha do local, que é uma floresta com mais de 200 mil árvores, das quais 180 mil podem desaparecer se a obra for realizada.

Segundo os procuradores, a derrubada da floresta poderia ser evitada, caso fossem escolhidas outras áreas do Exército, que ficam próximas. Esses outros terrenos são utilizados para exercícios militares.

O Instituto de Pesquisas do Jardim Botânico realizou um estudo que aponta a Floresta do Camboatá como o ambiente de 125 espécies diferentes de vegetação, sendo 77 de árvores, além de vários animais, como cachorros do mato, tamanduás, macacos-prego e jacus.