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Caixa desiste do Porto e vai se mudar para a Cinelândia

Potencialmente a principal interessada na ocupação imobiliária da região portuária, a Caixa preteriu o Aqwa Corporate e vai mudar sua sede para a Rua das Marrecas 20. Novo espaço vai abrigar também a Caixa Cultural. Mudança começa em novembro

24 de julho de 2018



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Alugado a R$ 4,2 milhões pela Caixa desde 2002, prédio conhecido como Barrosão possui 34 andares e abriga 2 mil funcionários, que se recusam a ir para o Porto (Reprodução de Internet)

Apesar de ser a “dona” do Porto Maravilha e teoricamente a principal interessada em sua ocupação imobiliária, a Caixa Econômica Federal preteriu a região portuária e optou por mudar sua sede para a Cinelândia. A instituição informou nesta terça-feira (24) que as unidades que mantém hoje no Edifício Almirante Barroso serão transferidas para um novo prédio, o Passeio Corporate, localizado na rua das Marrecas, 20.

A negociação para se transferir para o Aqwa Corporate, empreendimento imobiliário da Tishman Speyer no Porto Maravilha, vinha ocorrendo há meses. A mudança da Caixa para o local poderia significar mais uma chance de alavancar o desenvolvimento da região, já que levaria para o local os mais de 2 mil funcionários que mantém hoje em sua sede, fora os visitantes da Caixa Cultural, que mantém no mesmo espaço.

Há informações de que a Caixa teria cedido à pressão da sua própria associação de funcionários, que criticava uma possível mudança para o Porto, alegando dificuldade de acesso, insegurança e falta de serviços no local, conforme havia publicado  a ‘Folha de S. Paulo’. As duas concorrências teriam oferecido valores semelhantes de aluguel – R$ 2 milhões. Ainda de acordo com a Caixa, a mudança de edifício “gerará uma economia de aproximadamente R$ 2,6 milhões mensais, além de proporcionar mais conforto e melhores condições de trabalho para os empregados”.

Atualmente, a Caixa paga R$ 4,2 milhões a um fundo imobiliário administrado pelo banco BTG Pactual pelo aluguel mensal do imóvel de 34 andares que ocupa na Avenida Almirante Barroso, conhecido como Barrosão. O aluguel foi reajustado em 2012, bem acima do índice de inflação medido pelo IGP-M no contrato assinado em 2012, graças a uma ação na Justiça a favor do BTG. Na época, o mercado imobiliário do Rio estava aquecido, bem diferente de hoje, quando a taxa de vacância passa de 80% em muitas áreas.

Para entender o imbróglio

Para quem não acompanhou, vale lembrar que o fundo gerido pela Caixa arrematou os 6,4 milhões em títulos imobiliários (os chamados Cepacs) do Porto Maravilha, atualmente encalhados. Esses títulos dão direito a quem os comprar de construir imóveis acima do gabarito oficial permitido para a região. Os R$ 5 bilhões investidos até agora no projeto de revitalização do Porto Maravilha vieram justamente desse fundo, ou seja, dos cofres da Caixa, capitalizados com dinheiro do FGTS, um direito do trabalhador.

O projeto precisa de mais R$ 5 bilhões para ser concluído até 2026, conforme previsto em contrato assinado em 2011, mas a Caixa, alegando pela quarta vez iliquidez do fundo, deixou de pagar a cota mensal à concessionária Porto Novo, contratada pela Prefeitura do Rio para gerir a operação urbana no local. Sem receber os R$ 429 milhões previstos no contrato, a Porto Novo entregou os serviços de manutenção à Cdurp (Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região Portuária). A empresa municipal vem tentando desde junho negociar uma saída com a Caixa, até agora, sem sucesso. Nesta quarta-feira (25) termina o prazo do aviso prévio dado aos cerca de 800 funcionários da Porto Novo.

Em nota à Redação do DIÁRIO DO PORTO, a Caixa esclarece que, na decisão pela nova sede no Rio de Janeiro, “foram considerados aspectos técnicos da edificação, buscando ganhos de ambiência e eficiência operacional. Foi considerada ainda a questão do acesso à mobilidade urbana, segurança e custos, incluindo valores de aluguel e de demais despesas operacionais. O banco ressalta ainda que sempre considera a opinião das pessoas envolvidas, no caso os empregados, nas decisões em que a mudança os afetem”.

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Novo prédio vai abrigar também a Caixa Cultural

Em nota à imprensa, a Caixa informou que a transferência de sede ocorrerá de forma gradual, entre novembro de 2018 e junho de 2019. De acordo com a instituição, a nova sede está localizada em uma região segura e de fácil acesso, com estrutura moderna, e recebeu selo Leed Gold, um certificado que avalia diversos requisitos de sustentabilidade e concedido a edificações de nível elevado. Ele contará com espaços de trabalho integrados e otimizados, bicicletário, refeitórios compartilhados, estacionamento, mall com lojas e áreas de coworking e de convivência, reservado aos empregados.

Para quem achava que a Caixa Cultural iria acabar, conforme boatos, a instituição anunciou que a edificação terá ainda um espaço central e de destaque destinado à programação da Caixa Cultural Rio de Janeiro com galeria, cinema e salas do programa educativo. O piano, que atualmente fica no saguão disponível para os frequentadores, também terá lugar no novo endereço. Recém-reformado, o Teatro da Caixa Nelson Rodrigues, um dos mais tradicionais da cena teatral brasileira, permanecerá funcionando na Avenida República do Chile, 230.

Teatro da Caixa foi reformado no ano passado

Reformado em 2017, além da ampliação do número de assentos (agora com 409 lugares), o Teatro da Caixa melhorias como a inclusão de dois elevadores para acesso aos três pavimentos a pessoas com necessidades especiais, modernização de toda a mecânica cênica e dos camarins para os artistas, do sistema de iluminação, instalação de varas automatizadas, projetores, infraestruturas elétricas, de climatização e restauração das obras artísticas que emolduram o edifício.

O prédio é um marco da arquitetura da década de 1970, com forma piramidal e envolto em jardins, espelhos d’água e passarelas. Uma das fachadas é decorada com obras de Carybé em baixos-relevos e outra, em pedras de mármore, de autoria de Pedro Correia de Araújo Filho. Na parte interna do teatro, há gigantescos painéis entalhados em madeira pelos artistas Ernani Macedo e Roberto Sá e mosaicos de Freda Jardim, todos restaurados.

Com informações da Caixa (atualizado em 26/7/2018, às 11h30)


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