Cais do Valongo, no Porto Maravilha, recebe obras de R$ 2 milhões | Diário do Porto


História

Cais do Valongo, no Porto Maravilha, recebe obras de R$ 2 milhões

Na região do Cais do Valongo, foram desembarcados quase 1 milhão de escravos. Local é considerado Patrimônio Histórico da Humanidade pela Unesco

21 de maio de 2019

Cais do Valongo, Patrimônio Histórico da Humanidade (Foto: Rosayne Macedo)

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A Prefeitura do Rio está iniciando obras de conservação no Cais do Valongo, com custos estimados em R$ 2 milhões e prazo de 6 meses. O local é considerado Patrimônio Histórico da Humanidade pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura), por ser um dos principais sítios de memória da escravidão.

Cerca de 4,7 milhões de pessoas foram escravizadas e trazidas da África para o Brasil, quase metade dos negros que vieram para as Américas, entre os séculos 16 e 19. Estima-se que 2 milhões desembarcaram no Rio, dos quais a região do Cais do Valongo recebeu aproximadamente 1 milhão.

A Cdurp (Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto), que elaborou o projeto de consolidação da área, informa em seu site que a fase inicial das obras inclui limpeza do sítio histórico, com remoção  de grafites e vegetação daninha; tratamento das estruturas de metal; contenção da erosão e restauração do calçamento e das pedras.

Haverá reforço estrutural no muro de contenção, instalação de canaletas para escoamento de água e execução da mureta que irá receber o novo guarda-corpo. Também será demolido o muro da via de serviço do Hospital dos Servidores, que hoje impede a caminhada completa ao redor do monumento.


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O projeto de consolidação foi elaborado em parceria com três instituições: o Instituto da História e da Cultura Afro-Brasileira, o Iphan (Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) e o IDG (Instituto de Desenvolvimento e Gestão).

A diretora do Instituto da História e da Cultura Afro-Brasileira, órgão da Prefeitura, Nilcemar Nogueira, afirma que as obras do Cais do Valongo fazem parte de um projeto para a criação de um museu a céu aberto na região conhecida como Pequena África – que engloba ainda o Quilombo da Pedra do Sal, Praça da Harmonia e o Cemitério dos Pretos Novos.

Quando o sítio recebeu o título de Patrimônio Mundial, um dos compromissos da cidade foi promover e aprofundar o conhecimento sobre o Cais do Valongo, sobre sua importância para a história do Brasil e do mundo.

“Após conhecer o Valongo, o visitante irá aos centros de interpretação e referência, onde entenderá o contexto histórico da região e a cultura de resistência dos negros, o que significa o Cais e o pós-abolição. Funcionará com um complexo interligado de vivência, pesquisa e economia solidária, criado a partir de discussões da própria população negra”, diz Nilcemar.

A região do Cais do Valongo e todo o centro antigo do Rio foram muito alterados pelas reformas urbanas ocorridas no início do século 20 e pelas intervenções posteriores na região portuária. A parte da estrutura do Cais que hoje está aberta ao público só foi recuperada a partir de 2011, com as obras para a construção do Porto Maravilha.

 


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