Cais do Valongo é patrimônio histórico-cultural afro-brasileiro | Diário do Porto

História

Cais do Valongo é patrimônio histórico-cultural afro-brasileiro

Situado no Porto, o Cais do Valongo foi o principal ponto de desembarque de escravos no país. Projeto do Senado quer sua preservação

20 de julho de 2021


Descaso do Governo Federal ameaça título de Patrimônio Mundial Cultural do Cais do Valongo concedido pela UNESCO (Foto: Alexandre Macieira/Riotur)


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O sítio arqueológico Cais do Valongo, na Região Portuária, poderá receber proteção especial do poder público na condição de patrimônio histórico-cultural afro-brasileiro. A proposta é do senador Paulo Paim (PT-RS).

O reconhecimento, de acordo com o PL 2.000/2021, estabelece diretrizes para a preservação do Cais do Valongo e seu entorno. O projeto valoriza a importância da contribuição dos africanos para a nação brasileira, e também define fontes de recursos para a manutenção e custeio do Cais do Valongo, como patrimônio nacional.

Paulo Paim
A proposta é do senador Paulo Paim (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)

“Assim como Auschwitz, o Cais do Valongo equivale a um local sagrado pelo respeito às vítimas que por ali transitaram e pereceram em razão do cruel processo de escravização africana em escala mercantil”, afirma o senador Paulo Paim.


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O projeto salienta a dimensão simbólica do entorno do Cais do Valongo, área tradicionalmente ocupada pela população afrodescendente.

“As histórias, vestígios e construções do passado se agregam à tradição viva, que dá sentido e mantém acesa a chama que brilha nas rodas de samba e de capoeira, nos tambores e afoxés até os dias de hoje. Elas têm o papel de lembrar que, assim como toda a beleza e poder da criação, a dor é parte da herança deixada por nossos antepassados africanos. Essa dor, que atravessa a memória dos descendentes e é reforçada pelo racismo, fez do trauma da escravidão um elemento de base na formação de identidades no pós-abolição”, enfatiza o senador.

Cais do Valongo: registros da cultura negra do Rio

De 1811 a 1831, o Sítio Arqueológico Cais do Valongofoi o principal ponto de desembarque de escravos no país. Estima-se que 1 milhão de africanos tenham entrado no continente americano pelo Cais do Valongo. Os vestígios encontrados nas escavações das obras do Porto Maravilha destamparam a história daquele que já é considerado o maior processo de migração forçada já registrado na história da humanidade.

Em 2017, a Unesco incluiu o sítio arqueológico na lista de patrimônio cultural mundial, por reconhecer nele “a mais importante evidência física associada à chegada histórica de africanos escravizados no continente americano”.