Caipirinha foi "remédio" contra Gripe Espanhola | Diário do Porto

Gastronomia

Caipirinha foi “remédio” contra Gripe Espanhola

Há 100 anos, caipirinha era receitada para tratamento contra a grande pandemia. Bebida teria surgido no interior de São Paulo e hoje é símbolo nacional

24 de outubro de 2020
A caipirinha, uma mistura de cachaça, limão e açúcar teria sido um remédio popular contra a pandemia da Gripe Espanhola (foto: reprodução da internet)

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Cachaça, limão e açúcar, ingredientes da caipirinha, o drinque brasileiro, foram há um século misturados para enfrentar a maior pandemia que o mundo já havia conhecido, a Gripe Espanhola, entre 1918 e 1920. Hoje, a busca por pretensos tratamentos contra a Covid-19 é objeto de confusas discussões ideológicas e, por enquanto, sem a mesma criatividade.

A caipirinha, segundo versões de alguns pesquisadores, teria surgido no interior de São Paulo, em 1918, como tratamento para a gripe que chegou a matar, dependendo das estimativas, até 50 milhões de pessoas ao redor do planeta. No Brasil, que tinha condições muito precárias de saúde e saneamento, foram cerca de 35 mil mortes pela doença. Atualmente, o número de mortos pela Covid-19 no país já superou 156 mil casos, mais de 4 vezes o registrado há 100 anos pela Gripe Espanhola.

Há outras sugestões para o surgimento da caipirinha, entre elas a de que o drinque já era apreciado por fazendeiros paulistas no século 19, tendo depois se popularizado graças ao baixo custo de seus componentes. Durante a Gripe Espanhola, seu uso medicinal incluiu variações em que o açúcar era substituído por mel, e outras com a adição de alho, o que certamente prejudicava o sabor.

Gripe Espanhola, vacina só em 1944

Com o passar dos anos, a caipirinha se transformou em símbolo nacional e hoje figura nas cartas de bebidas de bares e restaurantes ao redor do mundo.

Seu uso informal para tratamento de doentes aconteceu em paralelo a recomendações oficiais feitas pelo Governo, entre elas evitar aglomerações e não fazer visitas. O médico Carlos Chagas foi nomeado na época para comandar as ações contra a Gripe Espanhola. Embora se soubesse que a causa era um micro-organismo, a ciência só teve capacidade para identificar o vírus específico na década de 30 e a vacina apenas foi fabricada em 1944.

A caipirinha hoje já não é vista como remédio, mas misturas de mel, limão e alho ainda são popularmente recomendadas para diversos tipos de cura.

É um drinque autenticamente brasileiro. Ao contrário da Gripe Espanhola, que, apesar do nome, não surgiu na Espanha. Há teorias de que apareceu inicialmente nos EUA. Há aí alguma semelhança com o novo coronavírus, que foi identificado primeiramente na China, mas com controvérsias sobre sua origem.


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