Brasil tem 180 mil casos de câncer de pele ao ano. Fique ligado! | Diário do Porto


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Brasil tem 180 mil casos de câncer de pele ao ano. Fique ligado!

Elimar Gomes, coordenador da Dezembro Laranja, dá dicas sobre como enfrentar e superar esse perigo. Luciana Medeiros explica a diferença entre os dois tipos

15 de janeiro de 2020

Câncer de pele: visitas anuais ao dermatologista (Deposit Photos)

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Luciana Medeiros

Luciana Medeiros

Entre os tipos de câncer de maior incidência no Brasil, o mais comum é o de pele. São 180 mil casos por ano. Mas “câncer de pele” designa, na verdade, dois tipos de doença, bem diferentes uma da outra. O mais comum, felizmente, é pouco agressivo e fácil de extirpar, uma vez descoberto. O outro tipo, ao contrário, é extremamente agressivo e letal. Mas há boas notícias sobre o segundo. Já já falamos disso.

Primeiro, um pequeno guia, que no verão ganha mais importância, sobre a prevenção. Um tanto óbvio mas importante repetir – Pedro Bial fez uma crônica ótima cujo mote é: “Se eu pudesse dar só uma dica sobre o futuro seria esta: use filtro solar!” (clique aqui para ouvir a crônica na voz dele). Nas campanhas mensais de atenção às doenças, dezembro ganhou a cor laranja e é dedicada ao câncer de pele, com a coordenação da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

Elimar Gomes
Elimar Gomes

Conversei com o dermatologista Elimar Gomes, coordenador da campanha pela SBD, e ele dá aquelas dicas que não podemos deixar de seguir:Além do uso diário de protetor solar, usar chapéu e óculos escuros, roupas com fator de proteção ultravioleta no tecido, evitar exposição ao sol no período entre 10 e 15 horas e permanecer na sombra sempre que possível. Atualmente, no Consenso Brasileiro de Fotoproteção, a SBD recomenda o uso de protetores solares de FPS mínimo de 30, aplicando 2g/cmdo produto na superfície da pele”.

Pois é, a exposição ao sol responde por 90% dos casos de câncer de pele. E não é só evitar tomar sol cronicamente, diariamente. Tem que evitar grandes exposições, mesmo curtas. O médico faz um alerta nesse sentido: “estudos demonstram que tanto a exposição crônica diária à radiação ultravioleta (pequena quantidade de sol nas áreas expostas do corpo durante muitos anos de vida) quanto à exposição intensa e intermitente à radiação ultravioleta (episódios de exposição prolongada e desprotegida ao sol que levam a queimadura solar) estão diretamente relacionados ao aumento do risco de desenvolvimento de câncer de pele”.


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Quem tem mais de 40 anos, principalmente se morou no litoral, se lembra de verões em que a gente parecia cobra descascando, com a pele esturricada. Perigo, perigo, ainda mais agora que a camada de ozônio se adelgaça.

Aqueles de progressão mais lenta são o Carcinoma Espinocelular e Carcinoma Basocelular. Agora vamos ao bicho mais perigoso, o melanoma. “No biênio 2018/2019, a estimativa para o câncer de pele melanoma foi de 6.260 novos casos”, avisa Elimar Gomes. Também tem variações.

“O melanoma Acral-Lentiginoso é comum em negros, asiáticos e hispânicos e tem menos incidência em pessoas de pele branca. Pode progredir mais rapidamente que o melanoma extensivo superficial e o lentigo maligno; manifesta-se com manchas de coloração marrom ou preta nas camadas mais superficiais da pele, especialmente palmas das mãos, solas dos pés e unhas”, descreve o médico.  Todos muito perigosos.

Mas o melanoma é uma das doenças com excelente resposta na imunoterapia. A Anvisa já aprovou alguns desses medicamentos (leia aqui no site do Hospital Sirio e Libanês). Enfim, pedi ao dermatologista um pequeno guia para ficarmos de olho nas pintas, manchas e lesões. Vai aqui abaixo. E não se esqueça da visita anual ao dermatologista para check-up.

O autoexame preventivo para diagnóstico do Melanoma pode ser realizado com a Regra do ABCDE da Pintas. Os sinais de alerta são:

A = assimetria (uma metade da lesão diferente da outra)
B = bordas (bordas irregulares sugerem malignidade)
C = cor (cor uniforme sugere benignidade e várias cores sugere malignidade)
D = diâmetro (lesões maiores que 6mm sugerem malignidade)
E = evolução (lesões que estão modificando sugerem malignidade)

 

  • O dr. Elimar Gomes, atual Coordenador Nacional da Campanha Dezembro Laranja, é médico dermatologista e cirurgião dermatológico pela Unifesp | EPM, tem Doutorado em Oncologia pela FAP | AC Camargo Cancer Center – SP, atua como coordenador do Grupo de Dermatologia do Centro Oncológico da Beneficência Portuguesa de São Paulo e é membro titular da SBD – Sociedade Brasileira de Dermatologia, da SBCD – Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica e do GBM – Grupo Brasileiro de Dermatologia.

 


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