Brasil ganha Libertadores. Uruguai é campeão em questões sociais | Diário do Porto


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Brasil ganha Libertadores. Uruguai é campeão em questões sociais

Uruguai foi o primeiro país do continente a legalizar a maconha, o divórcio, o aborto, o voto feminino, a eutanásia. Lá, os cassinos geram impostos

27 de novembro de 2021

Uruguai tem lei legalizando a produção e comércio da maconha desde 2013 (foto: Divulgação)

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Com a final da Copa Libertadores no Uruguai, entre Flamengo e Palmeiras, a imprensa brasileira tem mostrado como funciona no país vizinho a legalização da produção e consumo de maconha, lei que funciona desde 2013 para combater de forma inteligente o tráfico.

Brasileiros que visitam o Uruguai percebem logo que a legalização não prevê o comércio da maconha para turistas. A droga só pode ser vendida em farmácias, em porções mensais, para consumidores cadastrados junto ao Governo uruguaio. Então se um visitante quiser experimentar, terá que obtê-la de um morador local cadastrado.

No Uruguai, a maconha legal é produzida por empresas também autorizadas pelo Governo. Há ainda autorização para o plantio caseiro de até seis plantas por pessoa e para o funcionamento de clubes de cultivo, que fazem o envio periódico de quantidades de maconha para seus associados. Tudo dentro da lei, sem repressão policial.

E não há restrições para o consumo da droga em locais públicos, de forma que fumantes de maconha e agentes da lei podem estar tranquilamente na mesma praça ou praia. O sistema, segundo as autoridades locais, reduziu a criminalidade em torno do tráfico ilegal e ainda se tornou fonte de arrecadação de impostos.

Uruguai tem tradição em avanços sociais

O pioneirismo do Uruguai em sua política em relação à maconha faz parte da sua tradição em avanços sociais. O divórcio foi aprovado naquele país em 1907, setenta anos antes do Brasil. A jornada de trabalho de 8 horas é lei por lá desde 1915.

Foi o primeiro país da América Latina a ter o voto feminino, em 1927, e a história registra que a primeira a votar foi uma descendente de escravos brasileiros, Rita Ribeiro, de 90 anos. Também foi ali que houve a primeira legalização do aborto no continente, em 1934. Essa lei foi suspensa em 1937 por um ditador, mas uma nova versão entrou em vigência em 2013 e o país é hoje o segundo em menor mortalidade materna do continente, superado só pelo Canadá.

Os uruguaios também foram os primeiros latino-americanos a ter uma lei para união civil entre pessoas do mesmo sexo, em 2007. Dois anos depois, aprovaram a adoção de crianças por casais homossexuais e, em 2010, houve o fim das restrições para a entrada de gays nas Forças Armadas. Um ano antes, o Parlamento aprovou a lei de eutanásia, chamada localmente de “lei do bom morrer”, em que doentes terminais podem optar pelo fim dos tratamentos médicos.

E no Uruguai, os cassinos e salões de jogos são estabelecimentos oficializados, que geram empregos formais e recolhem impostos para o Governo.

Então, pode até ser que os uruguaios não estejam nas finais de campeonatos de futebol, mas em termos de avanços sociais são campeões em qualquer ranking internacional.


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