Biblioteca do metrô Central já emprestou mais de 26 mil livros | Diário do Porto


Literatura

Biblioteca do metrô Central já emprestou mais de 26 mil livros

Biblioteca da estação do metrô na Central do Brasil já conta com 4.302 livros catalogados, 5.231 leitores cadastrados e 9.168 renovações em quatro anos. Projeto que prevê lançamentos sociais traz nesta quinta-feira (23) o autor Alberto Mussa lançando ‘A Hipótese Humana’

22 de agosto de 2018

Espaço na Central do Brasil oferece empréstimo de livros (Fotos: Divulgação Estação Leitura)

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Biblioteca no Metrô da Central oferece empréstimo de livros (Fotos: Divulgação Estação Leitura)
Biblioteca no Metrô da Central oferece empréstimo de livros (Fotos: Divulgação Estação Leitura)

Em ‘Central do Brasil’, filme que projetou o cinema nacional na cena mundial na década de 1990, Fernanda Montenegro escreve cartas para analfabetos que cruzam a estação de trem. Se na vida real o grau de analfabetismo vem diminuindo a cada dia entre os brasileiros, cresce a preocupação em incentivar o hábito da leitura, cada vez mais substituído pelo uso do celular, principalmente para quem se sacrifica no transporte público.

Há quatro anos, para tentar mudar esta realidade, surgiu na estação Central do MetrôRio a Biblioteca Estação Leitura, que funciona às segundas, terças, quintas e sextas, das 14h às 20h. Com objetivo de estimular a troca do conhecimento, a Biblioteca Estação Leitura já conta com 4.302 livros catalogados, 5.231 leitores cadastrados, 26.703 empréstimos e 9.168 renovações. O público é formado por moradores do Rio de Janeiro e municípios vizinhos, tais como Duque de Caxias, Belford Roxo, Queimados, Nova Iguaçu, Nilópolis.

A faixa etária de leitores é entre 18 e 90 anos (além dos pais que fazem empréstimos de livros infantis/juvenis para seus filhos). São homens e mulheres com as mais diversas atividades profissionais: diaristas, publicitários, vendedores, fisioterapeutas, estudantes, professores, médicos, donas de casa, acompanhantes, operadoras de caixa e de telemarketing, entre outras.

Encontro com Territórios

Alberto Mussa lança livro nesta quinta (23) no projeto que incentiva leitura no Metrõ (Foto: Paula Johas)

Todo mês (ou quase todo) o espaço promove o Encontro com Territórios, projeto reforça o modelo de “lançamentos sociais”, uma estratégia de estímulo à leitura, que forma leitores e estimula o pensamento crítico por meio de encontros que costumam reunir mais de cem pessoas em cada edição. Os autores convidados são entrevistados pelo jornalista Claufe Rodrigues (Globonews Literatura) e autografam suas obras que são distribuídas gratuitamente, através de senhas previamente adquiridas.

“Nosso objetivo é investir em estratégias de estímulo à leitura, formando uma base extensa de leitores, além de estimular o pensamento crítico por meio destes encontros, que costumam reunir mais de cem pessoas em cada edição. Acreditamos que ao receberem as obras, os leitores criam uma sensação de pertencimento e passam a desenvolver um vínculo afetivo com o livro e seus autores”, explica Cristina Oldemburg, gestora da Estação Leitura.

A edição do segundo semestre será aberta no dia 23 de agosto, às 19h30, com o premiado Alberto Mussa. Em outras edições eles já receberam Nélida Piñon, Edney Silvestre, Beth Goulart lendo Clarice Lispector, Miriam Leitão, entre vários outros. No dia do evento, a biblioteca, única a fazer isso no Rio, distribui gratuitamente (mediante uma distribuição de senhas que começaram a ser distribuídas na semana passada) exemplares do último livro dele, ‘A Hipótese Humana’.

‘A Hipótese Humana’

Utilizando-se com primor da paisagem geográfica do Rio do século XIX e unindo mitologia indígena e africana para criar um cenário mítico tipicamente brasileiro, Alberto Mussa comprova, em ‘A Hipótese Humana’, a sua tese de que uma cidade não se define pelo temperamento de seu povo ou pela sua cultura, mas pela história de seus crimes. A  ficção abrange o conto e o romance, com destaque para o Compêndio Mítico do Rio de Janeiro, uma série de cinco novelas policiais, uma para cada século da história carioca.

Tiros na noite e um crime: circunstâncias misteriosas cercam o assassinato de Domitila, filha do coronel Chico Eugênio, dentro da chácara da família no Catumbi. A investigação fica a cargo do detetive Tito Gualberto, primo da vítima e hábil capoeirista: ele tentará desvendar o quebra-cabeça do crime. De tão realista, a ficção de Alberto Mussa torna-se uma intrigante crônica familiar, que se confunde com a história da cidade do Rio de Janeiro. Os muitos suspeitos são revelados aos poucos, levando o leitor a mergulhar num rodamoinho de possibilidades, que aprisiona e inquieta.

Carioca de 57 anos, Alberto Mussa é um celebrado romancista, que acumula os prêmios Casa de las Americas, Academia Brasileira de Letras, Oceanos, Machado de Assis (FBN) e APCA, além de figurar em listas de Melhores do Ano da Veja, O Globo e Folha de S. Paulo, lança o quarto romance do Compêndio Mítico do Rio de Janeiro, série de romances policiais já composta por O trono da rainha Jinga, A primeira história do mundo e O senhor do lado esquerdo. Recriou a mitologia dos antigos tupinambás; traduziu a poesia árabe pré-islâmica; escreveu, com Luiz Antônio Simas, sobre a história do samba-enredo; e organizou, com Stéphane Chao, o Atlas universal do conto.

Mais sobre a biblioteca Estação Leitura

A Estação Leitura é uma biblioteca popular, localizada na estação Central do MetrôRio, estação mais movimentada do sistema metroviário por conta da integração com a rede ferroviária da cidade. O projeto atende a um público variado, moradores do Rio de Janeiro e municípios vizinhos, tais como Duque de Caxias, Belford Roxo, Queimados, Nova Iguaçu, Nilópolis. A faixa etária de leitores é entre 18 e 90 anos (além dos pais que fazem empréstimos de livros infantis/juvenis para seus filhos). São homens e mulheres com as mais diversas atividades profissionais: diaristas, publicitários, vendedores, fisioterapeutas, estudantes, professores, médicos, donas de casa, acompanhantes, operadoras de caixa e de telemarketing, entre outras.

A Estação Leitura incentiva a cultura através do acesso gratuito a livros, aos talk shows e às atividades literárias. Tem o patrocínio da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, Secretaria Municipal de Cultura, do MetrôRio e da PwC Brasil, por meio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura – Lei do ISS, conta com apoio do Instituto Invepar e a realização da Oldemburg Marketing Cultural. O atendimento é gratuito ao público e realizado segundas, terças, quintas e sextas, das 14h às 20h com os serviços de cadastro, devolução e empréstimo de livros por até sete dias, além de distribuição gratuita das obras lançadas durante seus eventos.

Dispõe de catálogo digital de todo o acervo na página oficial do projeto e catálogo de consulta por título, autor e assunto/gênero, na própria biblioteca.

Produtora cultural quer incentivar pensamento crítico

Cristina Oldemburg, gestora da Estação Leitura, diz que nesta biblioteca popular o livro é um agente social que se propõe ser um instrumento fomentador do pensamento crítico, diante de questionamentos que fazem parte do nosso cotidiano. “A iniciativa já formou muito leitor que nunca tinha tido nenhum contato com os livros. Através da leitura é possível se vislumbrar novos horizontes e se questionar/refletir sobre diversos pontos de vista”, explica a criadora do projeto.

Filha de uma professora e pedagoga que dirigiu duas escolas municipais do Rio de Janeiro, Escola Espírito Santo, em Cavalcanti, e Escola Municipal Levy Neves, em Tomáz Coelho, Cristina Oldemburg nasceu em Cavalcanti e cresceu em meio a ações comunitárias de sua mãe para o incentivo à leitura das crianças do bairro. Formada em educação física e professora de folclore por 15 anos, formou-se como produtora cultural e criou a própria empresa de projetos.

Com apoio dos governos federal, estadual e municipal montou mais de 865 bibliotecas comunitárias em instituições públicas, principalmente no interior do Brasil, em áreas sem acesso ao livro, que, não fosse sua iniciativa, não teriam acesso a esse tipo de ferramenta cultural. Além de estruturar o projeto, a produtora acompanhou cada passo da execução e foi a responsável pelo treinamento do atendimento e gestão das bibliotecas. Há quatro anos assumiu o compromisso com o MetrôRio de montar a Estação Leitura, e, por iniciativa própria, resolveu gerir a biblioteca para ter acesso de perto ao desafio que é administrar um universo que funciona como um agente social na vida das pessoas.

Serviço:

Encontro com Territórios recebe Alberto Mussa

Local: Biblioteca Estação Leitura – estação Central do metrô, ao lado da Empada com Arte

Dia: 23 de agosto de 2018

Horário: 19h30

Distribuição de senhas para receber o livro gratuitamente: A partir de 09 de agosto, na Estação Leitura.


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