Basquiat celebra 29 anos de arte pop

Basquiat é um dos mais famosos artistas norte-americanos e terá obra exposta no Centro. São quadros, desenhos, gravuras e pratos pintados pelo artista

Basquiat

O Centro Cultural Banco do Brasil recebe a exposição mais comentada do ano no país. Aberta neste sábado (12), feriado nacional, a mostra apresenta até dia 7 de janeiro de 2019 mais de 80 obras de Jean-Michel Basquiat, um dos mais famosos artistas norte-americanos, estarão expostas no prédio histórico do CCBB, no Centro da cidade.

A entrada é gratuita e o visitante pode conferir uma reunião inédita de quadros, desenhos, gravuras e pratos pintados pelo artista que até hoje exerce uma influência sem precedentes na cultura pop, mesmo considerando seu curto, porém intenso, período de atividade. Basquiat morreu aos 27 anos, vítima de overdose.

Esta é a maior exposição de Basquiat já realizada na América Latina e está em turnê pelas quatro unidades dos centros culturais do Banco do Brasil desde o início do ano. Sua passagem pelos CCBBs de São Paulo, Brasília e Belo Horizonte foi motivo de sucesso de público e de crítica, reunindo centenas de milhares de pessoas.

“O CCBB traz Basquiat nos seus 29 anos como um presente para a cidade e seus visitantes”, afirma Marcelo Fernandes, gerente do CCBB Rio. Segundo ele, esse evento dialoga com outros projetos de 2018, como Ex Africa, a peça de teatro Preto, a mostra de cinema John Akomfrah – Espectros da Diáspora e o projeto musical Madrugada no Centro – Edição Hip Hopque celebram e destacam elementos ligados à cultura negra.

“Com temáticas e situações variadas, esta transversalidade oferece ao visitante um espaço propício à reflexão crítica sobre a arte contemporânea e o seu papel na construção de uma sociedade mais igualitária, que promova o respeito à diversidade”, completa Fernandes.

Basquiat - 4.A-Four-Big

Vida curta, produção marcante

Filho de imigrantes afro-caribenhos, o nova iorquino Jean-Michel Basquiat (1960-1988) foi, de acordo com Pieter Tjabbes, uma “personificação das transformações de sua cidade nas décadas de 1970 e 1980”. Sua técnica, inovadora para a época, mesclava sobre a tela elementos como colagens, cópias reprográficas, palavras e imagens da anatomia humanas – estas, inspiradas no livro ‘Gray’s Anatomy’, lido por Basquiat na infância, enquanto se recuperava de um acidente.

O resultado, como sublinha Tjabbes, são “obras que refletem os ritmos, os sons e a vida urbana nova iorquina, sintetizando o discurso artístico, musical, literário e político da época”. Tudo isso atraiu a atenção de críticos, curadores e compradores da época. Basquiat tornou-se celebridade das ruas da Big Apple, ganhou notoriedade nas maiores galerias do mundo e, antes mesmo de sua morte súbita, já era comparado a gênios como Picasso, Pollock e Warhol.

Recentes exposições em Nova Iorque, Milão, Roma e Londres valorizaram ainda mais sua produção e suas obras.  Em 2017, uma tela sua – Sem título (1982) – foi leiloada por mais de US$ 110 milhões, fazendo deste trabalho a mais cara obra de arte norte-americana já vendida.

Uma voz contra a discriminação

Basquiat foi um dos raros artistas negros de sucesso, no contexto das artes plásticas, em um universo predominantemente branco. Em sua carreira, trouxe à tona a negritude e as vicissitudes e traumas experimentados pelos negros nos EUA. “Eu percebi que não via muitas pinturas com pessoas negras”, explicou o próprio Basquiat, fazendo um adendo depois: “o negro é o protagonista da maioria das minhas pinturas”.

Tjabbes destaca ainda que um dos elementos essenciais na obra de Basquiat é sua composição multi-idiomas: “a justaposição de inglês e espanhol é um dos muitos contrastes culturais dentro da obra, criando sua energia singular. Ele conseguiu incorporar todos os diversos elementos de sua formação cultural e do seu sofisticado auto aprendizado para dentro de pinturas explosivas”, descreve.

Das ruas para as galerias

 A retrospectiva de Basquiat no CCBB conta com dezenas de obras sobre cada uma das três grandes fases do artista.  A primeira, de 1976 a 1979, traça o seu início nas paredes do artístico bairro de Downtown Manhattan e metrô nova-iorquino, numa tag compartilhada com o amigo Al Diaz (SAMO, abreviatura da expressão Same Old Shit, ou Mesma Merda de Sempre) e que, em poucos anos, viria a revelar o artista mais adulado pelo mercado de arte de Nova Iorque.

 Nessa trajetória, ganham destaque os desenhos de Basquiat. À época, eles eram menos valorizados pelos marchands e, portanto, caberia afirmar que receberam menos pressão da crítica e do mercado, permitindo, nos dias atuais, uma leitura mais independente do projeto artístico de Basquiat. Um dos destaques entre os diversos desenhos presentes na exposição é Leverage (1985).

A segunda fase, entre 1980 e 1982, revela a influência da faceta multiartística de Basquiat no período considerado como o auge de sua produção. Nesta época, aventurou-se como músico da banda Test Pattern – depois rebatizada como Gray – e interpretou a si mesmo no filme Downtown’81, escrito por Glenn O’Brien e dirigido por Edo Bertoglio, para o qual também participou da produção da trilha sonora. Paralelamente, sua carreira de artista plástico ganhava notoriedade com a realização de sua primeira exposição solo, na galeria Annina Nosei, e elogios da crítica internacional.

É desta época que vêm algumas das peças de maior destaque da exposição, como Hand anatomy (Anatomia da mão, 1982), Old cars(Carros velhos, 1981) e  Untitled (Sem título, [Bracco di Ferro], 1983). Muitos dos seus trabalhos desse período foram pintados em portas, esquadrias de janelas e peças de madeira que achava pelas ruas.

Basquiat e Andy Warhol

A última fase da retrospectiva – 1983 a 1988 – tem como destaque as obras de Basquiat em parceria com Andy Warhol. Os dois se conheceram em 1982 e, rapidamente, tornaram-se amigos, produzindo uma centena de quadros nos anos seguintes. Do trabalho conjunto, o público carioca poderá ver de perto Heart Attack (Infarto, 1984), Thin Lips(Lábios Finos, 1984/85) e Two Dogs (Dois Cachorros, 1984).

Nesse período, Basquiat já era um artista celebrado, disputado pelas galerias e com frequentes exposições internacionais. Apesar do vício em heroína, sua produção se manteve. Em 1988, ano de sua morte, expôs em Paris (França) e em Dusseldorf (Alemanha). Entre os trabalhos desses anos, estará exposta no Brasil Procession (Procissão, 1986). De acordo com Pieter Tjabbes, “a habilidade de projetar sua poderosa personalidade e sua inteligência aguda para dentro de sua obra mantém as realizações de Basquiat sempre vivas”. 

Peças raras

Com curadoria de Pieter Tjabbes, da Art Unlimited, a retrospectiva de Jean-Michel Basquiat é procedente da família Mugrabi, dona das maiores coleções de Basquiat e também de Andy Warhol – amigo e influência direta do pintor, com quem, inclusive, produziu inúmeras obras em parceria.

Resultado de ação conjunta entre o Banco do Brasil e a produtora Art Unlimited, a vinda desse acervo para quatro capitais brasileiras levou cerca de dois anos de negociações e envolveu uma disputa de vários países; entre eles, Coreia do Sul, Japão e Rússia. A exposição tem patrocínio da BB Seguros, da Brasilcap e do Grupo Segurador Banco d Brasil e Mapfre.

 “A iniciativa de apresentar a maior retrospectiva do trabalho de Basquiat na América Latina, em quatro capitais brasileiras, ao longo de um ano, com ingressos gratuitos, reforça o compromisso do Banco do Brasil na formação do público para as artes visuais, no acesso à cultura e no valor da diversidade”, afirma Alexandre Alves de Souza, diretor de Marketing do Banco do Brasil.

SERVIÇO:

Jean-Michel Basquiat

De 12 de outubro de 2018 a 7 de janeiro de 2019

CCBB Rio de Janeiro – Rua Primeiro de Março, 66 – Centro

Entrada gratuita

 

 

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