Bancos demitem e fecham agências na pandemia | Diário do Porto

Economia

Bancos demitem e fecham agências na pandemia

Mesmo com grandes lucros, bancos demitiram 13 mil pessoas desde o ano passado, apesar do compromisso para preservar empregos na pandemia

6 de maio de 2021


Bancos fecharam 4.000 agências no país, desde o final de 2016 (foto: Agência Brasil)


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Em 2020, os 4 maiores bancos do país registraram lucro total de R$ 61,6 bilhões, depois de terem atingido R$ 85,1 bilhões no ano anterior, o maior desde 1994. Mas mesmo obtendo lucros extraordinários, o setor não teve atitudes para preservar empregos durante a pandemia. Desde o ano passado, 13,2 mil bancários foram demitidos no país, segundo o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) do Ministério da Economia.

As demissões ocorrem dentro de um movimento que reduz a presença física dos bancos. De acordo com o Banco Central, nos últimos 4 anos, as instituições financeiras já fecharam as portas de mais de 4.000 agências, o equivalente a quase 20% do total que possuíam em 2016.

E o enxugamento da estrutura física continua acelerado, pois só nos primeiros 3 meses deste ano foram fechadas 399 agências no país e retirados de operação 726 caixas eletrônicos.

Bancos tinham compromisso para não demitir

Em março de 2020, quando se iniciaram as ações para o distanciamento social, com restrição de horários para funcionamento do comércio e de serviços, os sindicados dos bancários e a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) chegaram a um compromisso para não haver demissões enquanto durasse a crise sanitária.

O cenário atual mostra que os bancos querem reduzir custos, com menos funcionários e pontos de atendimento, e ter maiores ganhos com o avanço da tecnologia, com mais operações por meio digital. Parecem não se importar se isso ocorre ao mesmo tempo em que a crise econômica, agudizada pela pandemia, reduz as possibilidades de recolocação dos bancários demitidos.

Banco do Brasil é o que fechou mais agências

Entre os grandes bancos do país, somente a Caixa Econômica Federal não fechou agências no primeiro trimestre do ano, segundo o acompanhamento do Banco Central. O que mais fechou foi o Banco do Brasil, que encerrou as operações em 207 agências, seguido pelo Bradesco, 82; Santander, 64; e Itaú Unibanco, 41.

As demissões e fechamentos de agências têm criado um grande número de manifestações, principalmente nas redes sociais. Nessas publicações, denuncia-se que a ações dos bancos não correspondem às campanhas publicitárias, nas quais se dizem empresas que têm responsabilidade social, com ações para diminuir os problemas trazidos pela pandemia da Covid-19.

No fim do ano passado, a Febraban divulgou uma nota em que negava haver relação entre a modernização tecnológica do setor e as demissões de bancários, que já eram então muito noticiadas. A entidade disse que cada banco “tem sua própria política para contratação de pessoas com base em sua visão de mercado e estratégia de negócio”.


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