Imóveis

Banco Central não tem previsão para retomar obras no Porto

Anunciadas em 2011, as obras do novo prédio do Banco Central, no Porto Maravilha, tinham prazo de 30 meses. Paralisadas em 2019, não têm data para acabar

10 de março de 2020
O novo prédio do Banco Central, no Porto maravilha, terá 350 funcionários, centro cultural e auditório (Foto: DiPo)

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As obras da nova sede do Banco Central no Rio de Janeiro estão paralisadas há 3 meses e sem previsão para continuar. Segundo a instituição, o motivo é a restrição orçamentária do Governo Federal e estão sendo avaliadas alternativas para a continuidade do projeto, no Porto Maravilha. A decisão de construir o edifício foi tomada em 2011, com prazo de conclusão até 2014.

O imóvel fica na esquina da Via Binário com a rua Rivadávia Corrêa, ao lado da Cidade do Samba, da roda gigante Rio Star e do sofisticado edifício Aqwa Corporate. A estimativa inicial de custo era de R$ 100 milhões, mas em 2015 já havia sido ultrapassada em quase 25%. A previsão é que lá irão trabalhar 350 pessoas.

O Banco Central quer transferir para o novo prédio as operações do departamento do Meio Circulante, que trabalha com a distribuição do dinheiro pelo território nacional. Atualmente, o departamento funciona em um edifício histórico na avenida Rio Branco, local que poderá ser transformado em museu.

Quando houve a decisão de construir a nova sede, o fato foi entendido como uma iniciativa do Governo Federal para contribuir para o desenvolvimento do Porto Maravilha. Além dos funcionários, o prédio foi planejado para abrigar um espaço cultural, agências bancárias e um auditório para 400 lugares.

Segundo o Banco Central, a demora inicial para a conclusão do projeto começou quando foi encontrado um sítio arqueológico no terreno, obrigando a realização de uma operação complexa de remoção e guarda dos objetos encontrados. Isso também tornou necessário fazer ajustes no projeto original, o que seria uma das causas de seu encarecimento.

Outro motivo importante que impediu o andamento normal da obra foi o pedido de recuperação judicial feito pela Engefort, empresa inicialmente contratada para a realização do projeto. Isso fez a construção ser suspensa em dezembro de 2017. Em 2018, nova licitação foi realizada para a escolha de outra construtora. Em fevereiro de 2019, a obra foi reiniciada, para ser paralisada novamente em dezembro passado.


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Além da Cidade do Samba, da roda gigante e do Aqwa Corporate, na área fica o Porto 130, prédio corporativo Classe -A da Brio Investimentos. Vitor Senra, sócio-diretor da empresa, explica que desde 2011 analisa a região e, em 2014, decidiram iniciar as obras do edifício.

“Desde 2016, ano em que concluímos as obras do edifício, o imóvel está disponível para comercialização. Apesar de estarmos confiantes na retomada do mercado de escritórios na cidade e na consolidação da região do Porto Maravilha como destino das principais empresas da cidade, o longo período de vacância do edifício acabou tornando esse investimento menos atrativo do que potencialmente poderia ter sido”, diz.

Porto 130
Empreendimento da Brio Investimentos aguarda a redução de sua taxa de vacância (Foto: Divulgação/Porto130)

No cenário de crise econômica que afeta o Rio e o país, investimentos na Região Portuária são fundamentais para a consolidação do projeto de requalificação urbana da área. “A severa crise econômica postergou o desenvolvimento do Porto, mas a região vem se tornando o principal destino das grandes empresas, e estamos convictos que esse processo se acelerará conforme a retomada econômica ganhe força”, avalia Senra.

Entre os obstáculos à consolidação do projeto do Porto Maravilha estão a falta de projetos habitacionais, o preço alto dos terrenos e do direito de construir neles, o abandono das comunidades e o grande número de terrenos baldios. A finalização da obra do Banco Central aumentaria o fluxo na área que é o coração do Porto Maravilha.

Até mesmo a Cidade do Samba, inaugurada em 2005, não é usualmente lembrada nos roteiros turísticos da cidade. “A Prefeitura, através da CDURP, deveria avaliar a integração do imóvel da Cidade do Samba ao seu entorno, uma vez que o equipamento foi concebido e construído para “dentro” numa época em que a região da Gamboa estava abandonada e com altos índices de violência. Atualmente, com os investimentos já realizados na região, parece-nos fazer sentido uma reavaliação urbanística para integração do imóvel ao seu “novo” entorno. É importante que sejam lançados projetos residenciais para que a região tenha uma ocupação de qualidade 24h por dia. O alcance de todo o potencial da região dependerá, portanto, de um esforço coordenado entre entes públicos e privados para o desenvolvimento da região e finalização das obras inacabadas”, afirma Senra.