Baleias no Rio mostram que proteger é a solução | Diário do Porto


Sustentabilidade

Baleias no Rio mostram que proteger é a solução

História da Baía de Guanabara está ligada à caça das baleias. Na Orla Conde, há vestígio do caís construído no século 18 para essa atividade

3 de julho de 2019

As baleias jubarte migram da Antártida para se reproduzirem em Abrolhos, na Bahia (foto: Projeto Baleia Jubarte)

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As visitas de baleias jubarte ao litoral do Rio, com registros até na entrada da Baía de Guanabara, comprovam o sucesso de medidas de proteção, adotadas desde os anos 80.

Com a caça proibida no Brasil a partir de 1987, a legislação brasileira declara nosso litoral como santuário desses animais. Isso contribuiu, segundo pesquisadores,  para que o número de jubartes subisse de 500 para cerca de 20 mil. O que ainda não é tranquilizador, mas foi suficiente para retirar a espécie da lista de extinção.

Se hoje estão protegidas por leis, as baleias foram caçadas no país desde o século 16 e vestígios dessa atividade econômica ainda são vistos em cidades litorâneas. No Rio, na Orla Conde, próximo à Candelária é possível ver os restos de um cais construído por Brás de Pina. Ele foi um nobre e empresário que, no século 18, tinha a concessão para abater baleias na Baía de Guanabara e no litoral fluminense.

Na época, a caça das baleias era motivada principalmente pelo óleo obtido dos animais, que servia para a iluminação, impermeabilização, fabricação de sabões e na construção civil. Mas ossos, barbatanas e a carne também tinham mercado.


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A estrutura para processar os animais era chamada de armação. Atualmente, além dos restos do cais, Brás de Pina ainda é lembrado por um bairro da zona norte carioca, onde possuía um engenho de açúcar, e como o construtor da Capela de Santana, em 1743, a mais antiga igreja da bela Armação dos Búzios.

O cais de Brás de Pina era o melhor do Rio e passou a servir como local de embarque do ouro que vinha de Minas Gerais para Portugal, por isso foi chamado de Cais dos Mineiros. O ouro aumentou a presença de navios na baía, o que afugentou de vez as baleias francas que vinham se reproduzir em suas águas, encerrando a armação na Guanabara.

Há muitos anos, as baleias dessa espécie são uma atração importante no litoral de Santa Catarina, onde têm seus filhotes entre julho e novembro. Já em Abrolhos, na Bahia, acontece a reprodução das baleias jubarte. Em ambos os lugares, a observação desses animais pelos turistas é regulamentada, para que seja um negócio sustentável. Esses são modelos que o Rio deveria copiar.

 

 


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