Saneamento

Baía de Guanabara tem poluição menor e mais lixo recolhido

Durante a quarentena, há redução dos coliformes fecais em praias da Baía de Guanabara. E dobra o volume de lixo recolhido nos rios que nela desaguam

14 de junho de 2020
Praias do Flamengo e de Botafogo, na Baía de Guanabara, tiveram grande queda nos poluentes, segundo Inea (foto: reprodução / Facebook)

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Nas últimas semanas, as redes sociais foram invadidas por imagens de águas límpidas na Baía de Guanabara. Uma pesquisa do Inea (Instituto Estadual do Ambiente) chegou a mostrar nesta semana que a praia de Botafogo apresentou redução de 86% de coliformes fecais e a do Flamengo, 96%.

Porém, o próprio Inea e outros especialistas afirmam que ainda são necessários estudos para que a repentina recuperação ambiental seja vista como um reflexo da menor atividade humana, durante o período da quarentena, causada pelo novo coronavírus.

Há quem diga que a melhor qualidade da água da Baía é apenas um fenômeno cíclico, causado pela entrada de correntes marinhas de alto mar.

350 t de lixo nos rios da Baía da Guanabara

Entretanto, é certo que o isolamento social trouxe reflexos. Outro levantamento do Inea revela que dobrou a quantidade de lixo flutuante recolhida nas ecobarreiras existentes nos rios que desaguam na Baía de Guanabara.

Entre 12 de março e 11 de maio deste ano, foram recolhidas 350 toneladas de detritos, contra 170 em mesmo período de 2019.

As causas, segundo o Instituto, estão relacionadas ao maior volume de chuvas neste ano e à maior produção de lixo doméstico, durante o isolamento social.


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O trajeto desse lixo até chegar à Baía de Guanabara faz parte das mazelas do Estado do Rio, que até hoje não conseguiu implantar uma rede de coleta e saneamento que atenda a maior parte da população. Os detritos jogados em áreas públicas e beiras de córregos são carregados pelas chuvas até atingirem as águas da Baía.

Rios da Baía de Guanabara têm 17 ecobarreiras

Atualmente, há 17 ecobarreiras em funcionamento nos principais rios que chegam à Baía de Guanabara. Um sistema paliativo, que diminui quantidade de lixo flutuante, mas não soluciona a degradação ambiental nem eleva a qualidade de vida dos moradores da Região Metropolitana do Rio.

Ao mesmo tempo em que constatou a diminuição de coliformes fecais nas praias de Botafogo e do Flamento, o Inea apurou que houve melhora na qualidade do ar na Região Metropolitana. Dados do Instituto mostram grande redução de dióxido de nitrogênio (NO2) e de monóxido de carbono (CO) na atmosfera.

Melhor qualidade do ar

O NO2 é associado aos casos de bronquite, asma e infecções respiratórias, segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde). Esse poluente é emitido principalmente pela queima de combustível, em veículos e atividades industriais. Já o CO é emitido pela queima de combustíveis de automóveis.

Em Santa Cruz, na zona oeste da cidade, os resultados mostraram uma redução de 91% na emissão de NO2 em maio, se comparado ao período anterior ao isolamento social.

Em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, a concentração de NO2 apresentou uma diminuição de 47% e em Itaguaí, 16%.

No bairro do Engenho de Dentro, na zona norte do Rio, houve uma queda de 55% de CO, enquanto que em Santa Cruz, a diminuição foi de 32%.