Aves rosas na Lagoa evidenciam ação ambiental de Moscatelli | Diário do Porto

Meio Ambiente

Aves rosas na Lagoa evidenciam ação ambiental de Moscatelli

Mário Moscatelli comemora 32 anos de trabalho pela recuperação da Lagoa Rodrigo de Freitas e propõe criação de bioparque público na área

8 de setembro de 2021


Coelheiros na Lagoa Rodrigo de Freitas sinalizam avanço na recuperação ambiental da área (foto: Mário Moscatelli)


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Grandes aves rosas, os coelheiros, estão sendo vistas na Lagoa Rodrigo de Freitas, na Zona Sul, o que é um indicativo de avanço em sua recuperação ambiental. O fato ocorre a um mês de se completarem os 32 anos de trabalho na área do biólogo Mário Moscatelli, pioneiro na restauração desse ecossistema urbano tão frágil.

Os coelheiros são frequentadores da Área de Proteção Ambiental de Guapimirim, nos fundos da Baía de Guanabara. Eles medem entre 68 e 86 centímetros e possuem bicos de cerca de 20 centímetros em forma de colher, próprios para a alimentação com micro-organismos das águas, como crustáceos e plânctons. É justamente a ingestão desse tipo de alimento que lhes dá a cor rosa, tão mais intensa quanto maior for a oferta de comida.

A volta dessas aves filtradoras ocorre após a constatação nos últimos anos da presença de outras espécies como capivaras, caranguejos, frangos d´água, garças e pássaros pescadores conhecidos como savacus. O aparecimento dessa fauna variada está animando Moscatelli a propor a criação de um bioparque público na Lagoa, o que incentivaria políticas públicas para a reintrodução e monitoramento da fauna e flora, com atividades educacionais e informativas aos frequentadores e visitantes da área.

A criação do bioparque seria uma etapa a mais no trabalho de Moscatelli, que começou em 1989 a transformar o cenário degradado da Lagoa, onde eram comuns as tubulações despejando esgotos domésticos e líquidos poluentes dos postos de gasolina. Naquela época muitas pessoas olhavam estarrecidas e se perguntavam por que ninguém tomava uma providência. O jovem biólogo recém-formado resolveu não esperar respostas. Arregaçou as mangas e começou a plantar um manguezal.

Trinta e dois anos depois, a obra iniciada por Mario Moscatelli é visível em todos os ângulos belíssimos da Lagoa. A vegetação de mangue ocupa as margens em que antes só havia gramíneas. Árvores com até 8 metros de altura dão abrigo a uma fauna variada, principalmente de aves e crustáceos.

Moscatelli plantou mais de 4.500 plantas na Lagoa

A trajetória de Moscatelli é inspiradora não só para as pessoas, mas também para empresas e instituições. Quem quer fazer a diferença e mudar uma situação, não pode ficar só esperando o movimento alheio, torcendo para se beneficiar com as mudanças provocadas por terceiros.

Desde as primeiras mudas que trouxe de Angra dos Reis, Moscatelli calcula que plantou mais de 4.500 plantas no entorno da Lagoa. Seu trabalho, solitário nos primeiros anos, chamava a atenção de quem o via enfiado no meio da lama e muitas vezes foi taxado de louco.

Com o tempo, ganhou apoios e viu mudanças efetivas na proteção da Lagoa, como a construção de redes de saneamento e novas estações elevatórias. Muita coisa ainda falta por fazer, mas a poluição que antes era tolerada e vista como inevitável, hoje causa repulsa da maioria das pessoas e os governantes são constrangidos a medidas imediatas.

Em palestra do TED-X Talks, disponível em https://www.youtube.com/watch?v=3InsftoIuw0, Moscatelli critica as falhas sequentes dos governantes, mas também dá seu recado direto à sociedade.

“A tragédia que vivemos no Rio de Janeiro, seja no ambiente, seja na educação, seja na saúde, é nossa culpa. Nós é que elegemos essa gente e somos nós que não exigimos dessa gente qualidade na prestação de serviços”, afirma o biólogo, que cobra de cada um atitudes para transformar a realidade.


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