Audiência pública discutirá se autódromo pode derrubar floresta | Diário do Porto

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Audiência pública discutirá se autódromo pode derrubar floresta

Projeto do autódromo eliminará a maioria das 200 mil árovres da Floresta do Camboatá. Ambientalistas propõem que as pistas sejam construídas em outro lugar

3 de março de 2020
Vista aérea da Floresta do Camboatá, em Deodoro, cujas árvores podem ser derrubadas para a construção de um autódromo (Foto: florestadocamboata.blogspot.com)

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Uma audiência pública vai discutir o projeto que prevê a construção de um autódromo na área atualmente ocupada pela Floresta do Camboatá, em Deodoro, na zona norte da cidade. No encontro, que deve reunir moradores do bairro, será apresentado o EIA/Rima do projeto (Estudo de Impacto Ambiental/Relatório de Impacto Ambiental).

A data da audiência ainda não foi confirmada pelo INEA (Instituto Estadual do Ambiente), mas há informações de que pode ser realizada no próximo dia 18, nas instalações do Corpo de Bombeiros do bairro. A realização do encontro acontece após os 12 conselheiros da Ceca (Comissão Estadual de Controle Ambiental) terem aprovado o prosseguimento do processo de licenciamento ambiental do futuro autódromo. As audiências públicas são parte obrigatória do processo.

A Floresta do Camboatá é descrita como a última grande área plana remanescente da Mata Atlântica na cidade do Rio, contendo cerca de 200 mil árvores. Ativistas que defendem a floresta dizem que não são contra o autódromo, mas que ele deve ser construído em outro lugar, no próprio bairro, em áreas utilizadas durantes os Jogos Olímpicos ou em campos de exercícios militares do Exército. No mês passado, lançaram um vídeo para reforçar o posicionamento do grupo. Veja em https://www.youtube.com/watch?v=7Jn_uY3lw68


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Enquanto o autódromo ainda não tem a licença ambiental para começar as obras, o deputado Carlos Minc (PSB) tenta aprovar na Assembleia Legislativa uma lei que anexa a Floresta do Camboatá ao Parque Estadual do Mendanha, o que impediria sua derrubada. Porém Minc não consegue levar a proposta para votação em plenário, pois enfrenta a resistência dos apoiadores do projeto.

A concorrência para a concessão e construção do autódromo foi realizada em maio de 2019  e só teve um concorrente, a Rio Motopark. Essa empresa se disse capaz de realizar o projeto a tempo de receber a corrida de Fórmula 1, no próximo ano, com uma pista de 5 km adequada para automobilismo e motociclismo.

Pelas regras da concorrência, coube à própria Rio Motopark contratar uma empresa especializada para a confecção do EIA/Rima, o que foi feito pela consultoria Terra Nova.

No ano passado, o Ministério Público Federal moveu uma ação civil pública contra a construção do autódromo na Floresta do Camboatá, dizendo que a vegetação encontrada lá está entre as mais ameaçadas de extinção. O próprio relatório da Terra Nova mostra que na floresta são encontrados exemplares extremamente raros de árvores como jequitibá, jacarandá, braúna e grápia, além de animais como mão-pelada, saira-sapucaia, trinca-ferro, capivara e jacaré-do-papo-amarelo.

Perguntas da Câmara

Em novembro passado a Comissão de Meio Ambiente da Câmara Municipal do Rio pediu informações à Prefeitura sobre o projeto de construção do autódromo, principalmente sobre seus impactos ambientais.

Enquanto as respostas não chegam, fica sem tramitar o projeto de lei (PLC 135/2019) que permite a cessão de terrenos públicos para que a Rio Motopark faça um empreendimento imobiliário ao lado da futura pista de competição. O negócio seria uma das formas de retorno financeiro à empresa que ganhou a concessão.