"Assim me vejo": o Jacarezinho na Casa França Brasil | Diário do Porto


Exposição

“Assim me vejo”: o Jacarezinho na Casa França Brasil

Crianças e adolescentes do Jacarezinho mostram em grandes quadros como cada um se vê. A exposição “Assim me vejo” está este mês na Casa França-Brasil

16 de maio de 2019

Exposição "Assim me vejo" abre com fotografias dos autores (fotos de divulgação)

Compartilhe essa notícia:


A sensibilidade e a curiosidade são provocadas assim que você entra na Casa França Brasil. O primeiro ambiente é repleto de fotografias em preto e branco, de corpo inteiro e em tamanho natural de 34 jovens entre nove e 16 anos de idade. Eles são da favela do Jacarezinho, uma das maiores do Rio de Janeiro, e chegaram com a cara e a coragem, corpo e alma, no palacete cult encomendado por D. João VI a Grandjean de Montigny em 1819.

Ao atravessar a fileira de enormes fotos sobre tecido transparente, o visitante chega às 34 grandes telas preparadas pela garotada para a exposição “Assim me Vejo”. As crianças e os adolescentes tiveram como inspiração se auto retratarem por
meio da pintura. Cada deveria expressar como se sente perante a sociedade.

Fotos da exposição "Assim me vejo"

“Eu entro na minha imaginação. Começo a ver muito mais além do que vejo. Eu entro no desenho, não só desenho”, diz Luiz Felipe Teixeira da Silva, 11 anos. Já outro expositor, Payson Brendes de Souza Dias, de 13, expõe um pouco mais o poder transformador que a arte pode assumir com um pouquinho de estímulo: “Na rua, meu colega me motiva a fazer besteira, mas não vou. Eu prefiro ficar aqui (no projeto Eu Sou) do que escutar as bobagens dos meus colegas na rua.” Para bom entendedor, meia palavra basta, nem precisa desenhar.

 


VEJA TAMBÉM:

Palácio Tiradentes vira ponto turístico noturno  

VLT pede autorização para iniciar operação da Linha 3

Hotéis do Rio tiveram 76% de ocupação nos primeiros 4 meses do ano


 

O artista plástico e arte-educador Helio Rodrigues explica que a “Assim me Vejo” tem a intenção de desconstruir os olhares estereotipados e discriminadores produzidos sobre o retrato humano: “Queremos fazer com que, enquanto os visitantes assistem à capacidade expressiva e sensível dessas crianças e adolescentes, repensem a imagem que esses jovens da favela comumente representam para a sociedade.”

Helio levanta uma questão: “Será que a imagem que me representa é apenas aquela que vejo refletida no espelho ou capturada pela fotografia?” Segundo ele, a exposição reforça o poder da arte, tanto para lidar com o diverso, quanto para fortalecer a subjetividade “que nos particulariza e fortalece”. A ideia é mostrar o que de mais genuíno pode representar os indivíduos: “são a riqueza da diversidade e suas tão variadas formas de representação e expressão. Nossa imagem vai muito além do espelho ou de uma selfie.”

Fotos da exposição "Assim me vejo"

Além das telas, um documentário curta metragem apresenta o processo de criação e depoimentos dos adolescentes. Palestras debatem temas como “Pra que diversidade?”, “Por que arte e identidade?”, “Arte e preconceito” e oficinas divertem as crianças a partir dos cinco anos de idade. A Casa França-Brasil, na Rua Visconde de Itaboraí, 78, no Centro, fica aberta de terça-feira a domingo, das 10 às 20horas, com entrada franca.

Programação

Até o fim do mês serão oferecidas palestras para pais e educadores e oficinas para as crianças, cujas inscrições devem ser feitas pelo e-mail iae@institutodearteeducacao.com.br .

16/05 (quinta-feira) – 18h30min: Palestra com equipe do IAE (Instituto de Arte Educação) voltada
para educadores e pais: “Porque arte e identidade?”
19/05 (domingo) – 16horas: Palestra com Helio Rodrigues: “Arte e preconceito” + oficina para
crianças (a partir de cinco anos);
25/05 (sábado) – 16horas: Oficina para crianças (a partir de cinco anos).
A chegada ao local deve ocorrer com a antecedência de dez minutos. Após esse período, as vagas
serão liberadas para o público. Sujeitas à lotação.

Projeto Eu Sou

O projeto Eu Sou foi idealizado pelo artista plástico e arte-educador Helio Rodrigues em 2003 e implantado e coordenado por ele a partir de 2004. O propósito é resgatar e fortalecer identidades de crianças e adolescentes da periferia social através da arte. A observação do processo de desenvolvimento dos alunos o motivou a produzir instalações e exposições.

Assim aconteceram “O Muro” em 2014, “No espaço entre nós” em 2017, “No solo da Arte” em 2018 e agora, em 2019, “Assim me vejo”. Todas idealizadas por Helio Rodrigues em parceria com as crianças e os professores do projeto.

“A vida contemporânea difunde uma cultura regida pela imagem, como critério capaz de definir pessoas como se fossem coisas. Dentro desse modelo cada vez mais concreto de comportamento, desenvolvem-se preconceitos e discriminações e é assim que grupos sociais se encerram em suas caixas. A arte não se encaixa, por ser transgressora, transita e se alimenta justamente das diferenças”, diz Helio. Recado dado.

Serviço:

O que é: Instalação “Assim Me Vejo”
Participantes: 34 crianças e adolescentes da favela do Jacarezinho
Autoria: Helio Rodrigues
Local: Casa França Brasil (Rua Visconde de Itaboraí, 78 – Centro )
Telefones: 21 2332-5275 / 21 2232-5276
Período: de 04 a 30 de maio – de terça-feira a domingo, das 10 às 20horas
Ingresso: Entrada franca
Classificação: Livre


/