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As gigogas do fundo da Baía de Guanabara

Praias da Baía de Guanabara sofrem com o lixo flutuante, afirma Wagner Victer, em artigo para o DIÁRIO DO PORTO. A solução exige políticas públicas

8 de março de 2021


Baía de Guanabara tem suas praias tomadas pelo lixo flutuante (foto: Agência Brasil / Tânia Rêgo)


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ARTIGO

Wagner Victer

engenheiro, administrador, jornalista, morador da Ilha do Governador e ex-presidente da Cedae

 

 

Um dos fenômenos que pode ser observado com as chuvas torrenciais, como as desse final de semana, é a chegada de um número muito grande de gigogas e lixo flutuante nas praias de fundo da Baía de Guanabara. Como as que existem na Ilha do Governador.

Uma série de rios, que saem da Baixada Fluminense e da própria Zona Norte do Rio de Janeiro, desaguam diretamente na Baía de Guanabara, não possuem barreiras flutuantes para contenção de resíduos pós-chuvas.

Também não há a consequente coleta, acarretando o acúmulo de uma quantidade brutal de sujeira e gigogas nessas praias da Baía, que ainda sofrem com a falta de limpeza por concessionárias como a Comlurb.

Na Ilha do Governador, em especial na orla que vai desde a região de Tubiacanga, passando por Parque Royal, Corredor Esportivo (praia do Dendê) e indo até à Praia da Rosa/Sapucaia e Bancários, o fenômeno fica muito visível. E, infelizmente, não há reação do Poder Público, o que faz com que o problema perdure sem solução.

Baía de Guanabara: fundamental a coleta do lixo flutuante

É fundamental a retomada dos barcos de coleta na Baía de Guanabara, colocação de barreiras flutuantes para retenção de resíduos na saída desses rios e a rápida retirada do material retido.

Para o material que escape dessas barreiras, como plásticos que não consigam ser contidos, é muito importante o trabalho das concessionárias de limpeza urbana dos municípios do entorno da Baía, para evitar que o lixo permaneça nas praias.

E vale lembrar que se trata de uma grande oportunidade para reciclagem, especialmente dos plásticos, como garrafas pet e embalagens de cosméticos, que podem trazer retorno comercial à atividade de coleta.

O principal fator de poluição hoje na Baía de Guanabara já não é mais o esgoto lançado, que apesar de ainda existir em grande quantidade, está sendo enfrentado pela colocação e operação de Estações de Tratamento de Esgoto.

Atualmente, o lixo flutuante é o problema mais impactante da nossa Baía de Guanabara.

Não dá, portanto, para continuar assistindo a essa situação sem uma ação concreta, que deve ser não só preventiva, mas também corretiva nos seus impactos.

E essa coordenação de política pública cabe, principalmente, aos poderes públicos municipais, em especial à Prefeitura do Rio de Janeiro.


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