Cité: arquitetos do futuro ancoram na CasaCor | Diário do Porto


Exposição

Cité: arquitetos do futuro ancoram na CasaCor

Celso Rayol e Fernando Costa, da Cité Arquitetura, falam sobre a obra que criaram para a recepção do CasaCor, no Píer Mauá

22 de agosto de 2019

Celso Rayol e Fernando Costa, da Cité Arquitetura (Fotos DiPo)

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Poucos arquitetos conhecem a alma do Porto Maravilha como Celso Rayol e Fernando Costa. Com dezenas de projetos premiados de retrofit e de edifícios contemporâneos na região, os dois diretores da Cité Arquitetura assinam o hall de entrada da CasaCor. Este ano, o evento mais importante de decoração do país é no prédio art-déco do Touring Club do Brasil, na Praça Mauá, de 20 de agosto a 29 de setembro.

A intervenção da dupla da Cité Arquitetura é uma releitura, carregada de símbolos, da história da Região Portuária como berço da Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. É impossível aproximar-se do prédio centenário do Touring sem notar a obra de arte produzida pela dupla para seduzir, logo de cara, o público da CasaCor. 

“Fizemos uma recepção em camadas de história do Porto, de partidas e chegadas, da Família Real, dos navios, das muretas, dos escravos e do ouro”, explica Celso Rayol. A “camada” mais impactante da recepção é a de estruturas vazadas de alumínio preto com textura de madeira e combinação com peças de vidro insulado. A montagem dá conta de promover um contraste harmonioso entre o Porto secular e o Porto pós-Olimpíada. As peças contemporâneas de metal abraçam vitrais, sancas e colunas neoclássicas, mas sem encostar, sem macular, sem atrapalhar. É uma convivência respeitosa e até reverencial.  

Entrada do prédio do Touring Club, onde está o CasaCor, no Píer Mauá
Entrada do prédio do Touring Club, onde está o CasaCor, no Píer Mauá

Encontro nacional em Búzios

Rayol, presidente da Asbea (Associação Brasileira de Escritórios de Arquitetura) no Rio de Janeiro, é o anfitrião da 47ª Convenção Nacional da Asbea, entre 20 e 22 de setembro. O tema do encontro de profissionais de todo o país, em Búzios, será “Explorando Espaços Futuros”, com palestras e discussões provocantes, como “arquitetura para não humanos” e “possibilidades da Arquitetura na exploração do invisível”. Foi aos formatos futuristas que a dupla de profissionais da Cité recorreu para sublimar o Rio Antigo na entrada da CasaCor.

Ao subir os degraus do pórtico do Touring na Praça Mauá, o visitante já está sob as estruturas flutuantes de alumínio. São as camadas pesadas, assim como o ferro fundido que emoldura de forma perene os vitrais coloridos. “Na passagem para o futuro, o Porto sai do ferro para o alumínio, do vitral para o vidro insulado e laminado, do manual para o tecnológico. Como uma história em camadas”, compara Rayol.  


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O segundo impacto causado pelo trabalho da Cité Arquitetura é o da instalação “Pedras sobre pedras”, com cubos de granito escuro. É  uma referência aos muros de arrimo dos conventos do Rio Antigo, às barragens, aos fortes e às muretas que protegeram a cidade dos perigos vindos do mar. Os bancos de granito formam um conjunto curioso com peças revestidas de metacrilato e Lacca automotiva. “É a lembrança do ouro que saiu pelo Porto para a Europa, uma riqueza que vamos recuperar na forma do turismo, da indústria criativa”, compara Fernando Costa.

Detalhes da instalação "Pedras sobre edras"
Detalhes da instalação “Pedras sobre edras”

Palácios, Theatro e mantos reais

Ao lado esquerdo dos cubos fica o balcão da recepção; à direita, uma espaço de espera. Ambos quebram as linhas retas da estrutura metálica com curvas acariciadas por cortinas gigantes de veludo. “Elas têm o tom azul profundo do mar e são referência direta aos mantos dos reis, às cortinas dos palácios imperiais e do Theatro Municipal”, detalha Costa. Na hall de espera, o trabalho de 80 bordadeiras do projeto Daccasa assume sua condição de arte nobre, com direito a texto da Princesa Leopoldina entre representações históricas de caravelas, músicas, candomblé e outras.

 

Painéis das bordadeiras do projeto Daccasa recepção do Casa Cor
Painéis das bordadeiras do projeto Daccasa recepção do Casa Cor

As estruturas metálicas vão se tornando mais tênues à medida em que o visitante caminha na direção do prédio. A breve caminhada é pontuada por totens explicativos sobre as fases históricas e as camadas de aterros na Região Portuária e no Centro. Começa, então, o passeio pelos 45 ambientes residenciais e comerciais espalhados pelo edifício histórico e seu galpão anexo. O tema deste ano da CasaCor é Planeta Casa.

Sobre a CasaCor

A CasaCor Rio de Janeiro foi inaugurada em 1991, comandada pela dupla Patricia Quentel e Patricia Mayer, da empresa 3Plus. De lá para cá, 900 mil pessoas já visitaram 1.137 ambientes decorados, criados por 614 arquitetos, decoradores, designers de interiores e paisagistas. A mostra já percorreu desde construções históricas, como a Villa Aymoré, na Glória, a condomínios e shoppings.

O Porto Maravilha já sediou o evento em 2017. Foi no moderníssimo prédio Aqwa Corporate, da Tishman Speyer. Este ano, será no Touring, um prédio da década de 1920 em estilo art déco. Foi projetado pelo francês Joseph Gire, o mesmo do Copacabana Palace, do Palácio Laranjeiras e do edifício A Noite, que por décadas foi o maior arranha-céu da América Latina, também na Praça Mauá. 

Os ingressos podem ser adquiridos na bilheteria ou pelo site, clicando aqui. A inteira varia de R$ 50 (terça a sexta) a R$ 60 (sábado, domingo e feriado). Crianças de até 10 anos não pagam. A acessibilidade é parcial, não há recreador nem são permitidos pets. Eles não oferecem carrinho de bebê nem cadeira de rodas. 

 


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