Arlindo Rodrigues é sabiá na Imperatriz Leopoldinense | Diário do Porto


Carnaval 2022

Arlindo Rodrigues é sabiá na Imperatriz Leopoldinense

Depois de segurar por mais de um ano a gana de voltar ao Grupo Especial, Imperatriz Leopoldinense voltará a encher o Sambódromo de pierrôs e colombinas

7 de abril de 2022

Ensaio técnico da Imperatriz Leopoldinense em 2022: pierrôs e colombinas (Rafael Catarcione/Riotur)

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A Imperatriz Leopoldinense vai levar para o Sambódromo este ano o enredo Meninos, eu vi… onde canta o sabiá, onde cantam Dalva e Lamartine, uma homenagem ao carnavalesco Arlindo Rodrigues, que deu à escola seu primeiro campeonato. 

Tudo começou no Theatro Municipal, onde Fernando Pamplona convidou o então jovem cenógrafo e figurinista Arlindo a dar seus primeiros passos artísticos. A homenagem já começa com meio caminho andado para o sucesso porque o desfile está nas mãos de uma de suas alunas mais brilhantes, a carnavalesca Rosa Magalhães.

Vai ser um desfile de desfiles, com momentos gloriosos de Arlindo. Começando por Xica da Silva (Salgueiro, 1975), passando por Festa do Divino (Mocidade, 1974) e Descobrimento do Brasil (Mocidade, 1979), entre outros. Será um desfile linear, separado ano a ano, escola por escola, decisão da perfeccionista Rosa Magalhães.

 

Imperatriz Leopoldinense em ensaio técnico 2022
A Imperatriz Leopoldinense no desfile de 2020: campeã da série A com Lamartine Babo (Foto Viviane Medina/Riotur)

Se o sonho de ser campeã do Grupo Especial com Arlindo se realizar, a Imperatriz terá realizado uma das maiores façanhas da história do carnaval. No último desfile, em 2020, em homenagem a Lamartine Barros, ela estava na Série A, para a qual caiu no carnaval de 2019. Com oito títulos na elite do carnaval — o último foi em 2001 —, a Imperatriz Leopoldinense vem do jeito que Rosa gosta: cheia de pierrôs e colombinas.

O enredo é dedicado a Luizinho Drummond, patrono da Imperatriz Leopoldinense, que morreu em 1 de julho de 2020, quando já tinha decidido homenagear Arlindo. Você pode conferir a letra completa ao fim da matéria e ouvir o samba aqui

Oito títulos

A Imperatriz Leopoldinense foi fundada em 6 de março de 1959 na Zona da Leopoldina por sambistas remanescentes do antigo Recreio de Ramos. O nome é referência à Estrada de Ferro Leopoldina, que cortava o bairro de Ramos e assim foi batizada em referência à Imperatriz Maria Leopoldina do Brasil.

No pavilhão da escola verde e branca, onze estrelas simbolizam os bairros da área: Bonsucesso, Brás de Pina, Cordovil, Manguinhos, Olaria, Parada de Lucas, Penha, Penha Circular, Vila da Penha, Ramos e Vigário Geral. A escola venceu o carnaval oito vezes, nos anos de 1980, 1981, 1989, 1994, 1995, 1999, 2000 e 2001.  Em 1980, 1989 e 2001 teve nota máxima em todos os quesitos.

O primeiro desfile foi em 1960, em homenagem à Academia Brasileira de Letras. Uma das vitórias mais lendárias foi em 1989, com “Liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós!“, do carnavalesco Max Lopes. Ele deixou em segundo lugar o revolucionário “Ratos e urubus, larguem a minha fantasia”, da Beija-Flor de Joãosinho Trinta. A escola pegou gosto por desfiles técnicos, de olho nos quesitos julgados, ganhando o apelido de “certinha de Ramos”. Foi bicampeã em 1994 e 1995, e tricampeã em 1999, 2000 e 2001.

Confira a letra do samba e cante com os sabiás de Ramos:

Meninos, Eu Vivi… Onde Canta o Sabiá, Onde Cantam Dalva e Lamartine

Composição: Gabriel Melo

Eu ainda era menino

À luz de um nobre destino

O dom de tocar corações

E você era menina, suspirando poesias

Entre versos e estações

Quando a mão do grande professor

Nosso caminho em ouro enfeitou

 

Fui da ribalta à Avenida

Você tão linda foi cenário de amor (lá, lá, lá, lá, lá, lauê)

Fiz da orquestra da folia

O manequim das fantasias

Que João noutro tempo rasgou

 

Pega na saia rendada pra ver o que eu vi!

Espelho da raça encarnada Xica e Zumbi!

E descobrir novos Brasis na identidade

Canta, Salgueiro, ô, salve a Mocidade!

 

Lembro que o Imperador

Me levou pra ser rei em sua Assíria

Amanheceu e nós dois

Fomos uma só voz no altar da Bahia

 

Brilhei neste palco iluminado

Dancei sabiá cantou meu apogeu

Numa derradeira serenata

 

Sonhei com Dalva e fui morar com Deus

 

Seu samba nascendo no morro

Ecoa do povo e ressoa no céu

Desperto em seus braços de novo

No mais belo traço da flor no papel

 

Se a saudade é certeza

Um dia a tristeza será cicatriz

Eterna seja! Amada Imperatriz!

 

Vem me encantar!

Volta pro seu lugar!

Seu manto é meu bem-querer

E lá do alto o Pai Maior mandou dizer

Quem viveu pra te amar, seguirá com você

 

 

 


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