Após um mês, Prefeitura ainda não autoriza Linha 3 do VLT | Diário do Porto


Mobilidade

Após um mês, Prefeitura ainda não autoriza Linha 3 do VLT

Nova linha pode atender mais 24 mil pessoas por dia. Obras para sua construção levaram mais de um ano e causaram transtornos para o comércio da região

17 de junho de 2019

VLT é um dos símbolos do Porto Maravilha (foto: DiPo)

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No último dia 9 de maio, a concessionária do VLT solicitou à Prefeitura do Rio autorização para começar a operar a nova Linha 3, prevista para atender 24 mil pessoas diariamente. Mais de um mês depois, a resposta ainda não veio.

Questionada pelo Diário do Porto, a Prefeitura respondeu que decidiu rever os termos do contrato de concessão do VLT e que esse processo ainda está em andamento.

Enquanto não há uma decisão, a população não pode usar uma linha que já está pronta e que durante suas obras causou transtornos no centro da cidade, principalmente para os comerciantes.

O novo trecho ligará a Central do Brasil ao Santos Dumont, via avenida Marechal Floriano em dez paradas. Serão três novos pontos de embarque no percurso: Cristiano Ottoni-Pequena África (na praça de mesmo nome), Camerino-Rosas Negras (na Marechal Floriano, próxima à rua de mesmo nome) e Santa Rita-Pretos Novos (também na Marechal Floriano, à altura da igreja homônima).

Segundo balanço divulgado pela concessionária, o VLT completou três anos atingindo a marca de 42 milhões de passageiros, nas duas linhas que estão em operação, com crescimento de 35% no último ano de funcionamento.


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Para a Prefeitura, esse desempenho está longe da expectativa. Em nota encaminhada ao Diário do Porto, a assessoria do prefeito diz que “a estimativa era de que o modal transportasse cerca de 260 mil passageiros/dia, mas essa média está em 80 mil passageiros/dia. Pelo atual contrato, cabe ao município pagar a diferença de 180 mil passageiros/dia, o que representa um rombo diário aos cofres públicos de R$ 540 mil, quase R$ 195 milhões por ano.”

O VLT é um dos símbolos da revitalização da Região Portuária e do Centro do Rio, sendo um dos marcos do Porto Maravilha. Encontrar uma saída para o reequilíbrio de seu contrato e a manutenção de seu funcionamento é prioridade para evitar a perda de grandes investimentos feitos nos últimos anos.

Ao mesmo tempo em que há reclamação da Prefeitura, a concessionária do VLT também questiona o Poder Concedente. A empresa já entrou na Justiça para cobrar cerca de R$ 110 milhões que alega não ter recebido desde maio do ano passado.

prefeito Marcelo Crivella não reconheceu o valor da dívida e determinou a renegociação do contrato. A implantação do sistema custou R$ 1,2 bilhão, dos quais empresas privadas pagaram 54% e 46% vieram de verbas do Governo Federal. Segundo o contrato de concessão, o investimento privado seria pago pela Prefeitura em 270 parcelas mensais, cada uma no valor de R$ 5,9 milhões.

Longe dessa disputa, o público tem respondido positivamente ao funcionamento do novo modal. O sistema conta com 92% de aprovação dos usuários, segundo pesquisa realizada pelo Datafolha. E a taxa de evasão fica em torno de 11% a 13%, número inferior ao de sistemas europeus, que podem chegar a 20%.


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