APA Guapimirim: 35 anos de luta pela Baía de Guanabara | Diário do Porto


Sustentabilidade

APA Guapimirim: 35 anos de luta pela Baía de Guanabara

Área de Proteção Ambiental da Baía nasceu da luta de ambientalistas e da comunidade científica contra o desenvolvimento predatório

8 de maio de 2019

Vegetação da APA Guapimirim, tendo aos fundos a Serra dos Órgãos (foto: ICMBio)

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A Área de Proteção Ambiental de Guapi-Mirim, que vai completar 35 anos no próximo mês de setembro, nasceu da luta de ambientalistas e da comunidade científica contra o desenvolvimento predatório. Desde 1984, a APA protege os últimos remanescentes de manguezais naturais na região leste dos fundos da Baía de Guanabara, que abrange parte dos municípios de Magé, Guapimirim, Itaboraí e São Gonçalo.

Sua criação foi uma vitória dos preservacionistas contra a ideologia do progresso a qualquer custo, que vigorou em boa parte dos anos 70 do século passado. Naquela época, o Departamento Nacional de Obras e Saneamento (DNOS) tinha planos de erradicar a vegetação de mangue no entorno da baía, para criar terrenos industriais.

Um movimento liderado pela Sociedade Brasileira para Progresso da Ciência (SBPC), a partir de 1978, levou adiante a proposta do professor da UFRJ Elmo Amador (1943-2010) para a criação de uma Unidade de Conservação dos manguezais.

Após seis anos de mobilização, o movimento conseguiu convencer o governo militar de que a iniciativa era vital para a manutenção da vida na baía e foi criada a primeira área de proteção de manguezais do país, com 14.300 hectares.


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Estudos realizados desde 2008, revelam a existência de 242 espécies de aves, 167 espécies de peixes (sendo 81 marinhos e 86 fluviais), 34 espécies de répteis e 32 espécies de mamíferos, que habitam o mangue, as florestas alagadas, os rios e o mar do fundo da Baía de Guanabara.

Segundo os pesquisadores, a espécie mais ameaçada é o boto-cinza, com pouco mais de 30 animais restantes, e em grande risco de extinção. Outros animais que também estão em vias de desaparecer são o gato mourisco (espécie de felino de pequeno porte), a lontra e aves como o pato-do-mato, a biguatinga e outras espécies migratórias do hemisfério norte.

Um relato de Elmo Amador, considerado um dos pais da APA, traça um resumo da luta pela sua criação: “…A APA de Guapi-Mirim ou dos Manguezais da Baía de Guanabara, foi produto de uma luta demorada e árdua entre duas concepções de ocupação da área. De um lado o todo poderosos DNOS que visava a drenagem da região com a erradicação “dos pestilentos mangues” para produção de terrenos, de outro uma visão ambientalista de defesa dos manguezais e de sua importantes funções. A luta permitiu a popularização da importância do ecossistema. Foi a primeira unidade de conservação de manguezal do Brasil e também a primeira conduzida pela ação da cidadania”.

Segundo o site da APA, mais de 2.000 famílias vivem diretamente da pesca existente na baía e grande parte dos peixes e crustáceos se reproduzem na área de proteção ambiental, tais como tainhas, corvinas, robalos, camarões, siris e caranguejos.

Na concepção dos ambientalistas, no futuro, caso a baía seja despoluída, a vida existente na APA poderá se expandir por outras áreas da Guanabara.


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