Aos 96 anos, Nelson Sargento emociona na "abertura" do Carnaval | Diário do Porto

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Aos 96 anos, Nelson Sargento emociona na “abertura” do Carnaval

Sem cerimônia oficial, bambas fazem “abertura” do Carnaval com Nelson Sargento, já vacinado, e pedem socorro para os trabalhadores da maior festa do mundo

12 de fevereiro de 2021
Na "abertura" simbólica do Carnaval 2021, emoção no Museu do Samba (divulgação)

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Não podia haver um lugar mais indicado do que a Mangueira para um ato simbólico da “abertura do Carnaval” de 2021. Foi no Museu do Samba, ao pé do morro, em um encontro para celebrar a tradição da melhor folia do mundo. O evento homenageou vítimas da Covid-19 e cobrou socorro para os trabalhadores do carnaval. Aos 96 anos, o baluarte Nelson Sargento, presidente de honra da Estação Primeira de Mangueira, emocionou ao entoar suas canções.

Entre os presentes, a fundadora do Museu do Samba, Nilcemar Nogueira; o compositor e membro do Conselho Deliberativo da instituição, Tiãozinho da Mocidade; as produtoras culturais Gracy Moreira, Geisa Ketti e Selma Candeia; quatro baianas de agremiações do Grupo Especial e do Acesso, além de um ritmista da Mangueira.

Começou com a cantoria do clássico “O Morro Não Tem Vez”, de Vinicius de Moraes e Tom Jobim. Os convidados lembraram canções como “A Voz do Morro”, do portelense Zé Ketti, e “Agoniza, Mas Não Morre” e “Cântico à Natureza”, ambas de Nelson Sargento.

Nelson Sargento: “Foi melhor assim”

“Todos nós estamos um pouquinho tristes por não ter desfile, mas foi melhor assim. Temos que estar todos vacinados para fazermos um grande carnaval em 2022”, disse Nelson Sargento, que já tomou a primeira dose da vacina.

Após singela homenagem às vítimas da Covid-19, o ato exaltou a ancestralidade, destacou a importância da resistência cultural do samba e cobrou mais atenção das autoridades para os trabalhadores do setor.

Nelson Sargento no Ato do samba Raphael Perucci
Nelson Sargento, vacinado, emocionou ao entoar suas canções (Foto Raphael Perucci)

 

Nilcemar Nogueira disse que o grupo sugeriu à prefeitura um ato oficial, que não foi possível, o que levou à ideia de marcar a data no Museu do Samba. O importante, segundo ela, é “não deixar o samba morrer” e acudir os trabalhadores do Carnaval neste momento tão difícil da pandemia.

Convite à reflexão

“Não podemos ser lembrados apenas no momento de festa. Temos que pensar na cadeia produtiva de trabalhadores do carnaval. O carnaval movimenta mais de R$ 5 bilhões para a cidade. A questão é, quem se beneficia com isso? Precisamos fazer essa reflexão”, analisou Nilcemar.


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Filha de Zé Ketti, Geisa Ketti fez coro: “Lutamos por políticas públicas adequadas às nossas demandas. Tudo para o povo do samba e para o povo preto é muito difícil, sempre precisa de sacrifício para acontecer. Nossa voz praticamente não ecoa, por isso estamos sempre lutando para políticas culturais de verdade.”

Tiãozinho da Mocidade, cinco vezes campeão de samba-enredo, contou que tenta deixar a tristeza de lado fazendo planos para o próximo ano. “O samba é resistência. Sempre foi assim! Quero poder tomar logo a vacina para ficar em paz. Desejo o mesmo para todo o Brasil. Ainda temos muita coisa para fazer pelo samba e pelo carnaval”, disse o compositor, que terá sua biografia lançada em breve pela UERJ.

O encerramento do ato foi ao som de “Não Deixe o Samba Morrer”, sucesso do repertório da cantora Alcione.