Anima Mundi vai fazer bonito com pouca verba | Diário do Porto


Indústria criativa

Anima Mundi vai fazer bonito com pouca verba

Um dos maiores festivais de animação do planeta, o Anima Mundi driblou a perda de patrocínio da Petrobras e, até domingo, mostra 300 filmes de 40 países

17 de julho de 2019

O Anima Mundi é um dos maiores eventos da indústria criativa do Rio

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Este ano não vai ser igual, mas o Anima Mundi está fazendo bonito. Um dos maiores festivais de animação do mundo, o evento perdeu o patrocínio da Petrobras, mas mobilizou parcerias em uma campanha épica e conseguiu os R$ 437 mil necessários para garantir sua 27ª edição. É bem menos do que os R$ 750 mil do ano passado, mas vida que segue. O festival começou nesta quarta-feira, 17, e vai até o domingo 21 no Rio. Semana que vem chega a São Paulo (dia 24 a 28).

Dos 300 filmes de mais de 40 países,  80 são produções ou coproduções do resistente mercado de animação brasileiro. Com 186 filmes, as mostras competitivas trazem a infinidade de técnicas do universo da animação e tratam desde questões existenciais (amor e morte), sociais (violência, racismo, abuso infantil) e de comportamento contemporâneo (conectividade e questões de gênero). Já nas mostras não-competitivas, 116 filmes serão distribuídos entre as mostras.

Na programação infantil, curtas e longas vão discutir a superação dos medos, a importância de se fazer escolhas, desenvolvimento sexual, amizade e poluição. Oficinas de massinha e zootrópio também fazem parte da programação, além da exibição especial de “Playmobil – O Filme”, de Lino DiSalvo, que já trabalhou em animações de sucesso como “Frozen – Uma Aventura Congelante” e “Enrolados”.

A programação inclui ainda as oficinas do Estúdio Aberto e o Papo Animado, que este ano conta com Fernando Miller, diretor de “Calango Lengo – Morte e Vida Sem Ver Água” e “Furico e Fiofó”, que se inspira no universo Tom e Jerry e animações da década de 1920.

Quem tiver um projeto de animação original poderá participar de um laboratório intensivo de séries e concorrer a uma consultoria da Boutique Filmes. Já o Anima Forum, que esse ano será sediado em São Paulo, apresenta uma programação voltada ao fomento, profissionalização e internacionalização do mercado de animação.

Acessibilidade e recursos audiovisuais

O Anima Mundi deste ano tem a parceria de uma empresa especializada em acessibilidade em recursos audiovisuais, a All Dubbing. A oferta da tradução para Libras em eventos é obrigatória por lei desde 2015. Segundo o último censo do IBGE, 25 milhões de brasileiros (quase 15% da população) possuem algum tipo de deficiência.

 

Ana Lúcia, do Anima Mundi
Ana Lúcia: acessibilidade é questão de cidadania

“Não importa o tipo de necessidade que a pessoa tenha, ela precisa ter esse acesso disponível em sua vida cotidiana. Garantir a acessibilidade é fundamental por se tratar de uma questão de cidadania”, diz Ana Lúcia, Diretora da All Dubbing.

No Rio, cerca de 30 curtas relacionados aos projetos de acessibilidade estarão nas sessões Olho Neles 1 (“O Incrível Gigango”, “Guacalove”, “Hornzz”, “A corda, acorda”, “Egrégora”, “Catireiros”, “Lazaruz”, “Quando a Chuva Vem?”, “Helena Helena”, “Armadilha”, “A pílula e Vai Ver”); e nas sessões Curtas Infantis (“Giraffe”, “Matilda”, “Gildo – Boas Maneiras”, “Billie”, “Le Reve de Sam”, “Cat Lake City”, “Le Tigre Sans Rayure”, “Na Minha Banheira Sou Capitão”, “Elefant”, “Cupcake e Dino Serviços Gerais”).

As sessões acontecem em diferentes salas, como CCBB, Estação Botafogo, Itaú Cultural e Belas Artes. A animação mais inclusiva e inovadora receberá um prêmio com acessibilidade completa para dois projetos curtas no Rio de Janeiro e um longa em São Paulo. A premiação é oferecida pela Alldubbing ao Festival e será entregue no encerramento.

A Curadoria

“A beleza plástica que as imagens dos filmes apresentam nesta edição é impressionante. Percebemos os animadores com um total domínio dos softwares, utilizando-os como ferramenta para simular perfeitamente os mais variados materiais artísticos, ultrapassando os limites impostos pelo universo digital”, adianta Aída Queiroz, uma das diretoras fundadoras do festival ao lado de Cesar Coelho, Lea Zagury e Marcos Magalhães, responsáveis pela curadoria do Festival desde sua criação, em 1993.

“Uma das categorias mais originais e significativas do festival, a meu ver, é a que se chama Futuro Animador. São programas gratuitos nos quais a gente se contagia com o frescor e o entusiasmo de crianças, jovens e educadores, independentes ou participantes de diversas iniciativas de todo o mundo, que descobrem o quanto a linguagem da animação pode ser transformadora”, acrescenta Marcos Magalhães.


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“Vale ressaltar os longas para adultos, uma tendência de mercado cada vez mais forte. Nesta categoria teremos grandes filmes em competição, incluindo o longa brasileiro de Otto Guerra, “Cidade dos Piratas”. “Another Day of Life” tem o diferencial de ser um documentário realizado em grande parte em animação”, destaca Cesar Coelho.

Lea Zagury destaca os filmes de autor como fontes de inspiração e reflexão, sem objetivo de apelo comercial. São trabalhos de artistas independentes, que buscam a renovação com narrativas mais íntimas, pessoais e irreverentes. “Os filmes experimentais e/ou abstratos estão nas Sessões Galeria. E para quem busca inovação e tecnologia, a mostra de Realidade Virtual está repleta de obras de estúdios premiados, onde cada pessoa terá uma única experiência através de historias animadas em vários universos virtuais. São 15 obras de 10 países, entre eles o Brasil”, diz Lea Zagury.

Os parceiros

Em 2019, a união do setor por meio dos canais de exibição de animação, estúdios, produtoras, instituições de ensino e animadores independentes garantiu a realização do Festival. “Parceiros como Cartoon Network, Gloob, Band,  TV Escola, Birdo, Copa Estúdio, Paris Filmes, 2dLab, Turma da Mônica, TV Pinguim, Combo, Split e Boutique Filmes apresentarão conteúdos inéditos no Festival.

As instituições culturais, como Itaú Cultural e Centro Cultural Banco do Brasil, que irão receber o Festival, foram fundamentais para levantarmos nossa produção. Com certeza sem esse movimento não estaríamos celebrando a 27ª edição do Anima Mundi”, explica Fernanda Cintra, diretora executiva do Festival.

Anima Mundi em números

A última edição do Anima Mundi, em 2018, movimentou R$ 26,8 milhões e gerou R$ 2,6 milhões em impostos, tendo público estimado de 50 mil pessoas. Desde a criação, exibiu mais de 10 mil filmes de animação do mundo inteiro a preços populares, entre longas e curtas-metragens, além de promover oficinas abertas e gratuitas, debates, exposições, entre outras atividades.

Anima Mundi no Oscar

Desde 2012, o Anima Mundi é qualificado pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos EUA, e o curta-metragem vencedor do Grande Prêmio Anima Mundi é elegível a participar das seleções para a disputa do Oscar. Neste ano, “Animal Behaviour”, de David Fine, ganhador do Grande Prêmio de 2018, concorreu ao Oscar de melhor curta-metragem de animação.

Serviço:

27º Anima Mundi

Rio de Janeiro: 17 a 21 de julho, no Centro Cultural Banco do Brasil (R. Primeiro de Março, 66 – Centro) e Estação Net Botafogo (R. Voluntários da Pátria, 88 – Botafogo)

Há atividades gratuitas e outras pagas com ingressos entre R$ 10 e R$ 18.

A  seleção de filmes  e a programação completa ficarão disponíveis no site do festival. Mais informações:  www.animamundi.com.br


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