Amarelinho e La Fiorentina estão de volta à cena carioca | Diário do Porto

Gastronomia

Amarelinho e La Fiorentina estão de volta à cena carioca

Dono da rede Belmonte anuncia reforma e reabertura do Amarelinho em setembro. Já a Fiorentina reabre em agosto com novidades no cardápio e agenda cultural

19 de julho de 2021


Amarelinho da Cinelândia, fechado pela crise agravada pela Covid, será reformado pelo Belmonte, mas não mudará de nome (Reprodução de internet)


Compartilhe essa notícia:


Dois dos principais ícones da boemia, da gastronomia e da cultura do Rio de Janeiro em breve vão reabrir as portas. O Bar Amarelinho, há 100 anos na Cinelândia, e o La Fiorentina, há 60 no Leme, voltarão a ser pontos de encontro de artistas, intelectuais, jornalistas, escritores, políticos e empresários, além de turistas e anônimos em geral.

Dono da rede Belmonte, o empresário Antonio Rodrigues disse à coluna do Ancelmo, no Globo, que assumirá o Amarelinho, manterá o nome e o reabrirá em setembro, reformado, mas “com a mesma cara”. Já o La Fiorentina será reaberto no início de agosto por iniciativa do produtor cultural Caio Bucker. Terá novidades, como pratos veganos, novas assinaturas na pilastra de famosos, ações e parcerias culturais.

A La Fiorentina continuará a apoiar peças de teatro e shows e realizar pequenos eventos, como saraus de poesia, debates e lançamentos de livros. “O tradicionalismo e a gastronomia se mantêm. Mas voltaremos de forma reposicionada e atualizada no mercado, mais por dentro do mundo digital e tecnológico que vivemos”, disse Bucker ao JB Online.

Amarelinho e La Fiorentina prometem seguir todos os protocolos sanitários necessários para a prevenção da Covid-19. Não foram revelados investimentos na reabertura das duas casas, fechadas temporariamente este ano por conta da crise gerada pela pandemia.

 


LEIA TAMBÉM

Centro do Rio reage. Bar Luiz e Rio Scenarium estão de volta

Fecomércio RJ aponta otimismo entre os comerciantes

Agora é lei: bares e restaurantes do RJ terão incentivos fiscais


 

‘Retribuição à cidade’

Para o cearense Antônio Rodrigues, o resgate do Amarelinho é uma retribuição à cidade pelo acolhimento que recebeu há mais de 37 anos. “Depois de o Rio ter me dado tudo, eu tenho que fazer algo pela cidade. Eu cheguei no Rio, vindo do Ceará, em 1984, aos 16 anos, e fui morar num quarto com outros sete caras. E olha tudo que conquistei aqui!”, comentou o empresário. “Acredito no Rio. Sem coragem, a gente não faz nada”, completou. O Amarelinho faz parte da memória afetiva de Rodrigues e também da história política do país.

“Os protestos pelo impeachment do Collor começaram ali. Muitas encrencas do PDT com o PT foram ali no bar. O ponto passou a ser chamado de ‘brizolândia’. O lugar sempre foi frequentado por presidentes e senadores, fica perto da Academia Brasileira de Letras. Quero fazer uma inauguração bonita, chamando todos os políticos da esquerda que estiverem vivos”, disse Rodrigues.

A rede Belmonte é a mesma que salvou do fechamento outro tradicional ponto de encontro, o restaurante Nova Capela, na Lapa. A reabertura do Amarelinho faz parte dos planos de expansão da rede, nascida como Boteco Belmonte, num pequeno bar no bairro do Flamengo, aberto em 1952. Hoje, a marca está presente também em mais seis pontos da Zona Sul – Copacabana, Ipanema, Jardim Botânico, Leblon, Leme e Urca –, além da Lapa.

O Amarelinho foi fundado em 1921, na Cinelândia, que concentrava muitos teatros e cinemas. Na década de 1970, o espanhol José Lorenzo Lemos tornou-se sócio e reergueu o bar. O endereço recebia frequentadores ilustres, como Vinicius de Moraes, Oscar Niemeyer, Mário de Andrade e grandes artistas do Cassino da Urca. Em suas mesas foram discutidos temas como a Semana de Arte Moderna e o início da Era Vargas.

Patrimônio histórico e cultural

As pilastras da Fiorentina têm assinaturas de celebridades (Foto: CPDoc JB)

La Fiorentina deverá ser transformada em patrimônio histórico e cultural do Rio de Janeiro. Uma petição on-line, com mais de 3 mil assinaturas, e um abaixo-assinado com adesão de artistas, intelectuais e influenciadores, pediram o tombamento do imóvel. A partir da mobilização, o prefeito Eduardo Paes enquadrou o restaurante no Cadastro de Negócios Tradicionais e Notáveis da cidade. Um projeto de lei que prevê o tombamento do imóvel, proposto pela vereadora Monica Benicio, tramita na Câmara.

Conhecido pela cozinha variada e pela simpatia dos garçons, o restaurante se tornou uma referência cultural do Rio. As colunas redondas têm autógrafos e as paredes são repletas de fotografias de artistas. Personalidades também dão nomes aos pratos. O restaurante é incentivador da arte e da cultura cariocas, tendo apoiado mais de 500 projetos, segundo cálculos de Caio Bucker.