Diário do Porto

Aluguel por curto prazo aumenta 20% e acirra disputa com hotéis

De renda extra a negócio profissional: setor cresce 20% ao ano, movimenta bilhões e enfrenta pressão por regras claras na cidade

De renda extra a negócio profissional: aluguel de curto prazo cresce 20% ao ano e enfrenta pressão por regras claras no Rio (foto: Divulgação)

O mercado de aluguel de curta duração no Rio de Janeiro deixou de ser apenas uma fonte de renda extra para se tornar uma indústria profissionalizada e em rápida expansão. Impulsionado por plataformas como Airbnb e Booking, o setor vê surgir empresas de gestão de propriedades, como a carioca Omar do Rio, que administra centenas de imóveis.

No entanto, esse crescimento acelerado — cerca de 20% ao ano, segundo o Secovi Rio — colocou o setor em rota de colisão com a indústria hoteleira e gerou debates sobre a inflação dos aluguéis residenciais na cidade.

O “Boom” em Números

Um levantamento do Secovi Rio (sindicato da habitação) mostra a dimensão do fenômeno na capital fluminense:

A Batalha na Câmara Municipal

O crescimento desregulado virou pauta legislativa. Um projeto de lei em discussão na Câmara Municipal do Rio busca criar regras para a atividade. A disputa opõe dois lados claros:

  1. O Setor Hoteleiro (HotéisRIO): Defende a regulamentação alegando “tributação desigual” e riscos à segurança e convivência em condomínios residenciais. “Se o proprietário não toma cuidado, o turista sai com uma experiência ruim. Tem que ter regulação”, afirma Alfredo Lopes, presidente do HotéisRIO.

  2. As Plataformas e Gestores (ABLT): Argumentam que o aluguel por temporada é regido pela Lei do Inquilinato federal e que proibições violam o direito de propriedade. Eles defendem que a modalidade democratiza o turismo e supre a demanda em grandes eventos, como o Réveillon e o Carnaval.

Impacto no Aluguel Residencial: Copacabana em Foco

Outro ponto de tensão é o efeito nos preços para o morador fixo. A hotelaria argumenta que a conversão de apartamentos para o turismo pressiona os custos, especialmente em bairros como Copacabana e Ipanema.

Dados do FGV Ibre mostram que a inflação do aluguel no Rio (IVAR) acumulou alta de 8,45% em 12 meses (até outubro de 2025), bem acima da média nacional de 5,58% e de cidades como São Paulo. Embora o estudo não aponte uma causa única, a alta demanda turística é vista como um fator de pressão.


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