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Almirante Negro é homenageado pela Alerj

Placa com nome de João Cândico, o Almirante Negro, foi afixada em São João de Meriti. Ele liderou a Revolta da Chibata, contra castigos físicos na Marinha

15 de março de 2021

O Almirante Negro, preso após a Revolta da Chibata (foto: Biblioteca Nacional)

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Após 51 anos de sua morte, João Cândido Felisberto, o Almirante Negro, recebeu uma homenagem pública do Estado do Rio de Janeiro. Ele foi o líder do movimento conhecido como Revolta da Chibata que, em 1910, contestou os castigos físicos que eram praticados na Marinha brasileira.

Para homenageá-lo, a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), colocou uma placa com seu nome no muro da sua antiga residência, em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, na última sexta-feira, 12/3. Na casa, vive atualmente Adalberto Cândido, o Sr. Candinho, filho de João Cândido.

A Alerj já havia reconhecido os feitos de João Cândido em 2019, quando inseriu seu nome no livro de Heróis e Heroínas do Estado do Rio de Janeiro. A iniciativa da lei foi do presidente da Assembleia, deputado André Ceciliano (PT) e do deputado Waldeck Carneiro (PT). Criado pela Lei 5.808/10, o livro de heróis já tem os nomes de figuras como Dom Hélder Câmara, Leonel Brizola e Tiradentes incluídos.

Almirante Negro liderou 2.000 marinheiros na Baía de Guanabara

Na época da Revolta da Chibata, a imprensa destacou a liderança do marinheiro João Cândido ao chamá-lo de “O Almirante Negro”, o que foi entendido pelo oficialato como uma provocação. Ao final da revolta, ele foi preso e expulso da Marinha.

Em 1910, embora proibido por decreto, o chicote continuava sendo usado para manter a disciplina na Marinha, numa clara demonstração de quanto estavam presentes a discriminação racial e social na jovem República brasileira.

Na época, cerca de 90% dos praças eram negros ou mulatos, e João Cândido, que era um dos marinheiros mais experientes, foi escolhido como um dos líderes que tentaram negociar pacificamente o fim dos castigos corporais com o ministro da Marinha e com o Governo Federal.

O movimento não foi atendido e, após uma revolta que envolveu mais de 2.000 marinheiros na Baía de Guanabara, João Cândido assumiu o controle dos principais navios de guerra, apontando os canhões para a então capital do Brasil.

“Nós, marinheiros, cidadãos brasileiros e republicanos, não podemos mais suportar a escravidão na Marinha Brasileira“, escreveram os rebeldes no manifesto que encaminharam ao presidente Hermes da Fonseca, que, para terminar a revolta, comprometeu-se em acabar com o uso da chibata e em anistiar os revoltosos.

Os rebeldes depuseram as armas, os navios foram devolvidos, mas o Governo não honrou seu compromisso.

João Cândido acabou preso e expulso da Marinha, assim como centenas de outros marinheiros. Para sobreviver, o Almirante Negro trabalhou como estivador e no mercado de peixes que havia na Praça XV, no centro do Rio. Ele viveu seus últimos anos em São João de Meriti, na Baixada Fluminense.


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