Alerj quer isonomia com MG na venda do Santos Dumont | Diário do Porto


Economia

Alerj quer isonomia com MG na venda do Santos Dumont

André Ceciliano, presidente da Alerj, quer que Santos Dumont tenha limites, como MG fez com o aeroporto da Pampulha, para fortalecer hub aéreo internacional

5 de novembro de 2021

O presidente da Alerj, André Ceciliano, é contra Santos Dumont subsidiar aeroportos deficitários de Minas (foto: Alerj / Otacílio Barbosa)

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O presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), André Ceciliano, exige que na privatização do aeroporto Santos Dumont o Rio tenha o mesmo tratamento que Minas Gerais obteve para o aeroporto da Pampulha. A condição consta do documento que Ceciliano vai protocolar, em nome da Alerj, na consulta pública do edital de privatização que se encerra neste próximo dia 8, segunda-feira.

A consulta tem o objetivo de colher as contribuições dos vários setores da sociedade sobre como deve ser o modelo final da privatização do Santos Dumont. Ceciliano defende isonomia com Minas, onde na privatização do aeroporto da Pampulha, no centro de Belo Horizonte, houve limitação dos voos para distâncias regionais, concentrando os demais voos no aeroporto de Confins, no qual os mineiros há 20 anos estimulam, com sucesso, a formação de um hub aéreo.

O modelo de privatização construído pelo Ministério da Infraestrutura, na forma como está, sem as contribuições da consulta pública, inviabiliza que no Rio de Janeiro seja fortalecido o hub aéreo internacional do Aeroporto do Galeão. A proposta do Governo Federal, no lugar de limitar o Santos Dumont, prevê até mesmo aumentar o número de voos. O máximo que o ministro Tarcísio de Freitas tem admitido como concessão é que esse aumento de voos só ocorra a partir do momento em que a soma de passageiros entre o Galeão e o Santos Dumont supere 30 milhões. Antes da pandemia, esse total estava em 22 milhões.

Para Ceciliano, isso é insuficiente, pois o objetivo da Alerj é a consolidação do hub aéreo internacional do Rio, o que só pode ocorrer no Galeão, que já tem tamanho de pistas e condições de segurança adequadas. O hub só é possível se houver seis voos nacionais para cada voo internacional, segundo estudos do setor aéreo. Isso exige que o Santos Dumont seja limitado, de forma a transferir a maior parte de suas operações atuais para o Galeão. A formação do hub aéreo para o Estado do Rio é fundamental, pois significa mais operações de importação e exportação por via aérea, incentivando negócios e indústrias, além de garantir o acesso de passageiros e turistas de forma mais rápida, sem a necessidade de baldeações em aeroportos de outros Estados.

Alerj é contra Santos Dumont subsidiar investimentos em Minas

O prefeito do Rio, Eduardo Paes, já propôs que os voos do Santos Dumont sejam limitados a uma distância de 500 km, com exceção para Brasília. Ceciliano concorda com essa proposta, porém o Diário do Porto apurou que ministro Tarcísio de Freitas não vai acatar a proposta, pois sua intenção é valorizar o Santos Dumont para atrair mais compradores no leilão de privatização.

Outro ponto que Ceciliano contesta é o fato de o Santos Dumont ser o atrativo em um pacote que privatiza também três aeroportos deficitários do interior de Minas. Ou seja, o futuro comprador do aeroporto central carioca, pelo atual edital, deve se comprometer a também fazer investimentos no Estado vizinho. Certamente ele vai custear essa operação com os rendimentos obtidos no Rio. O presidente da Alerj não concorda com isso e quer a substituição por aeroportos do interior do Estado do Rio.


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