Alerj: prédio feioso gasta mais do que as assembleias de SP e MG | Diário do Porto


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Alerj: prédio feioso gasta mais do que as assembleias de SP e MG

Com 70 deputados, Assembleia do Rio tem 4.382 cargos comissionados. Os 94 deputados de São Paulo têm 3.131, e os 77 representantes mineiros empregam 2.614

26 de novembro de 2018

Prédio Anexo da Alerj, o patinho feio da Praça XV (Foto A.Filho)

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Prédio Anexo da Alerj
Prédio Anexo da Alerj, o patinho feio da Praça XV (Foto A.Filho)

Sabe aquele caixote de vidro, cor-de-burro-fugido, que abriga os gabinetes dos deputados estaduais do Rio de Janeiro? É baixinho e feio de doer, mas gasta como gigante. Poluir o conjunto arquitetônico da Praça XV vira pecado pequeno da Assembleia Legislativa fluminense (Alerj) diante do dinheiro público que consome. É bem mais do que as casas legislativas de São Paulo e Minas Gerais, com mais população e mais deputados.

A medição foi feita pelo Instituto de Estudos sobre o Rio de Janeiro (Ierj) com base nos relatórios de gestão fiscal publicados no Diário Oficial. Graças ao estudo, cada contribuinte fluminense pode olhar para o prédio horrendo da Praça XV sabendo que, de janeiro a agosto, gastou R$ 28,62 com seus 70 deputados. É 39% a mais do que gastou o mineiro (R$ 20,60) e quase o triplo do paulista (R$ 10,01).

672 efetivos e 4.382 comissionados

Um poucos mais dos números levantados pelo Ierj sobre a gastança de um Legislativo que tem 10 de seus 70 deputados presos ou proibidos de entrar no plenário por acusação de corrupção. Os funcionários ativos (efetivos e comissionados) da Alerj custaram R$ 491,1 milhões. Em São Paulo, com 94 deputados, custaram R$ 455,7 milhões. Em Minas Gerais, 77 deputados, R$ 433,4 milhões.

Se você não está convencido de que algo está errado com esses gastos por um estado sem recursos para cumprir obrigações básicas, vamos aos números sobre o pessoal. É muito provável que, se todos os funcionários da Alerj aparecessem para trabalhar, não caberiam no prédio feioso. Eles são 672 servidores efetivos e nada menos do que 4.382 comissionados. Em Minas Gerais, são 2.614; em São Paulo, 3.131.

Anexo da Alerj
Anexo da Alerj

Em meio a tantos números irritantes, uma notícia boa para 2019. Até meados do ano, a Alerj deverá desocupar o anexo da Praça XV e o Palácio Tiradentes e se mudar de mala e cuia para o Centro Administrativo do Executivo, o antigo Banerjão, no Largo São José. O edifício, de 32 andares e três subsolos, está sendo retrofitado. A transferência deve economizar em verba de manutenção e abrir caminho para a demolição da peça arquitetônica mais indesejável da praça mais importante da história do país. Nem tudo está perdido.

Saiba mais

O anexo da Alerj abrigou, de 1875 a 1936, o Ministério da Agricultura e Aviação. Com sua demolição, foi construído um prédio em estilo art-déco para sediar o Ministério da Aviação. Com a transferência da capital para Brasília, foi cedido em 1975 à Alerj, que fez a reforma e envidraçou o monstrengo.


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