Diário do Porto

Ainda sem data de reabertura, Museu Nacional ampliará área de exposição

Museu Nacional imagem mostra como deverá ficar o Museu Nacional ao final da restauração

Imagem mostra como deverá ficar a área externa do Museu Nacional, destruído por incêndio em 2018 (foto: imagem do Museu Nacional / UFRJ)

A reconstrução do Museu Nacional, ainda sem data para terminar, promete transformar profundamente a experiência dos visitantes. As mudanças foram detalhadas em reportagem publicada pelo boletim Harpia, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que revelou os principais elementos do novo projeto arquitetônico. Se antes cerca de um terço do edifício era destinado a exposições, após a conclusão das obras praticamente todo o palácio histórico será ocupado por galerias, espaços educativos e áreas de visitação. O projeto também revelará ao público ambientes e elementos arquitetônicos que permaneceram ocultos durante décadas, incluindo pisos originais, vestígios da antiga capela do palácio, pinturas decorativas e detalhes dourados descobertos sob sucessivas camadas de tinta durante os trabalhos de restauração.

Embora não haja uma data para a reabertura definitiva, o final da reconstrução do Museu Nacional agora é anunciada para 2029, depois de ter sido prevista para 2022 e para este ano. O incêndio de 2018, que destruiu o prédio e cerca de 20 milhões de peças do acervo da instituição, vai completar oito anos no próximo dia 2 de setembro. A Polícia Federal concluiu um inquérito, em 2020, que não apontou culpados pelo ocorrido. Apenas um oficial do Corpo de Bombeiros recebeu punição administrativa, por não ter dado sequência a uma vistoria iniciada em 2015 que poderia ter evitado a tragédia.

Enquanto seguem as obras de reconstrução do Museu Nacional, outra novidade destacada pela Harpia é a incorporação de achados arqueológicos ao futuro percurso expositivo. Estruturas encontradas durante as escavações dos escombros do incêndio, como antigos pisos e uma cisterna histórica, serão preservadas e integradas à narrativa museológica. A proposta dos arquitetos responsáveis é que o próprio Palácio de São Cristóvão deixe de ser apenas o recipiente das coleções e passe a ser tratado como parte do acervo, permitindo que os visitantes conheçam as diferentes camadas de sua história como residência da família real portuguesa, palácio da família imperial brasileira, sede da Assembleia Constituinte da República e, após 1892, sede do Museu Nacional.

Além da ampliação das áreas abertas ao público, o projeto prevê a transferência definitiva dos laboratórios, reservas técnicas e setores de pesquisa para edifícios específicos fora do palácio histórico. O novo acervo será formado por diferentes frentes de reconstrução. Cerca de 1.815 peças recuperadas dos escombros voltarão a ser exibidas após processos de restauração e conservação. Entre elas estão fragmentos do crânio de Luzia, o fóssil humano mais antigo das Américas, além de milhares de objetos arqueológicos e etnográficos resgatados após o incêndio. O Meteorito de Bendegó, que resistiu praticamente intacto às chamas, continuará ocupando lugar de destaque.

A instituição também recebeu mais de 14 mil novas peças por meio de doações nacionais e internacionais. Um dos destaques será o Manto Tupinambá do século XVI, devolvido ao Brasil pelo Museu Nacional da Dinamarca e considerado uma das mais importantes peças da cultura indígena brasileira. Outra atração anunciada é o esqueleto de uma baleia cachalote de 15,7 metros de comprimento, que ficará suspenso sob a claraboia restaurada da escadaria monumental.

Apesar das perdas irreparáveis provocadas pelo incêndio, o Museu Nacional preservou parte substancial de suas coleções científicas. Departamentos como Botânica e Vertebrados funcionavam em prédios anexos da Quinta da Boa Vista e não foram atingidos pelo fogo, assim como a biblioteca da instituição. Esses acervos, somados às peças recuperadas e às novas doações, formarão a base do museu reconstruído.

O custo da reconstrução já foi estimado em cerca de R$ 520 milhões, dos quais ainda faltam captar R$ 170 milhões, e vem sendo coberto por financiadores públicos e privados. O principal articulador é o BNDES, mas o projeto também recebe recursos de parceiros como Unesco, Instituto Cultural Vale, Bradesco e Itaú, Cosan e Eletrobras.


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