Agropecuária cresce 9% ao ano no RJ, mas falta apoio | Diário do Porto

Economia

Agropecuária cresce 9% ao ano no RJ, mas falta apoio

Enquanto o produtor rural fluminense paga 32% de ICMS pela energia elétrica, o paulista paga zero. Mesmo assim, agropecuária cresce no Rio de Janeiro

27 de abril de 2021
Produção agropecuária no RJ cresce 9% ao ano, mesmo sem incentivo (Deposit Photos)


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Quem pensa que o Rio de Janeiro não tem vocação para a agropecuária pode começar a rever seus conceitos. O setor cresce 9% ao ano, e o estado já tem 2,7 milhões de cabeças de gado. E isso porque o produtor rural fluminense não chega nem perto do paulista, por exemplo, em termos de incentivos. Para se ter uma ideia, aqui o ICMS de energia elétrica pago no campo é de 32%. Adivinhe quanto paga o paulista. Acertou quem pensou em zero.

As informações foram levadas nesta terça-feira 27 pelo presidente da Federação da Agricultura do Estado do Rio de Janeiro (Faerj), Rodolfo Tavares, ao painel virtual da Câmara Setorial de Agronegócios do Fórum da Alerj de Desenvolvimento Estratégico. Além dos produtores, representantes do setor varejista e das universidades apontaram a necessidade de mais investimentos e apoio governamental para que o setor gere mais emprego e renda.

rodolfo tavares
Tavares aponta migração de produtores para o setor agropecuário

A ampliação e a qualificação da cadeia produtiva exigem que se repense a questão tributária para reduzir o custo de produção. “O crescimento de 9% ao ano representa a superação do período de estagnação que vivemos entre 2015 e 2017 e é resultado também da migração de outros produtores para o setor agropecuário. O Rio precisa de uma política agropecuária mais expressiva que fomente nossas atividades para que possamos equacionar os vários gargalos do setor”, disse Tavares.

O Rio de Janeiro é o segundo maior consumidor de carne do país, e a maior parte vem de outros estados. O gerente comercial da Dom Atacadista, Jessé Almeida, destaca a dificuldade dos frigoríficos fluminenses em darem suporte à comercialização.

Produtos chegam embalados

“Hoje não temos manipulação nenhuma sobre a carne bovina, os produtos já chegam embalados, identificados e em porções. É um plano dentro do setor varejista comercializar a carne processada desta maneira e são poucos os frigoríficos no estado que conseguem nos dar esse suporte”, explicou. Faltam estrutura e incentivos.

O presidente da Associação dos Frigoríficos do Rio de Janeiro (FriRio), Aureliano Brum Vargas, defendeu a inclusão de frigoríficos no hall de produtores abarcados pela Lei 8.792/20, que isenta estabelecimentos da cobrança do Fundo Orçamentário Temporária (FOT).

“Temos um papel importante para a economia do estado e existem muitos riscos sobre nossas atividades. A carga tributária é alta em comparação com os outros estados. Para os frigoríficos não fecharem, acabam migrando para outras regiões. Se não existirmos, o pecuarista ficará à mercê de outros estados e terá que arcar com custos de ICMS, o que pode inviabilizar a produção”, enfatizou.

O Rio de Janeiro tem 15 milhões de consumidores em um raio de 100 quilômetros da capital, uma vantagem que outros estados não têm. Para o professor de Geografia Agrária da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) Nilton Junior, é preciso saber usar esse privilégio logístico. “Ela não pode atrapalhar o desenvolvimento do interior do estado, que acaba ficando esvaziado”, destacou. O debate foi mediado pela secretária-geral do fórum, Geiza Rocha.


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