Aeroportos de SP, MG e Brasília querem o Galeão vazio | Diário do Porto


Economia

Aeroportos de SP, MG e Brasília querem o Galeão vazio

Concorrentes do Galeão em outros Estados exigem que o Santos Dumont continue sendo um alimentador de suas operações, o que enfraquece a economia do Rio

26 de janeiro de 2022

Galeão é o 11º aeroporto do país, enquanto o Rio é a segunda economia (foto: RIOgaleão / Divulgação)

Compartilhe essa notícia:


As concessionárias que administram os aeroportos de Guarulhos (SP), Confins (MG) e Brasília querem que o Santos Dumont continue sendo alimentador de seus hubs aéreos. Elas entendem que têm direitos sobre o mercado de voos do Rio de Janeiro, o que significa manter o esvaziamento do Galeão. Esse foi o quadro que se revelou no Grupo de Trabalho do Ministério da Infraestrutura, antes de a reunião ter sido suspensa nessa segunda-feira (24/1).

O grupo foi criado para discutir a reformulação do edital de privatização do Santos Dumont. Os representantes do Rio pretendem limitar os voos nesse aeroporto e aumentar as operações no Galeão, de forma a fortalecer um hub aéreo nacional e internacional no Estado. Com o hub, ganham os passageiros, que passam a ter voos diretos para mais destinos, e aumentam as importações e exportações por meio de aviões, beneficiando a economia estadual, com a geração local de emprego e renda.

A reunião foi suspensa depois de os representantes do Rio (Governo do Estado, Fecomércio, Associação Comercial e equipe do senador Carlos Portinho) terem protestado contra a presença de executivos das concessionárias de outros Estados. Eles haviam sido admitidos na reunião por meio de autorização da Secretaria de Aviação Civil, órgão do Ministério da Infraestrutura, que tomou a decisão sem consultar os demais componentes do Grupo de Trabalho. A próxima reunião, que deve ocorrer nesta quarta-feira (26/1), já não deve ter essas empresas.

Segundo o senador Carlos Portinho (PL/RJ), o  representante da concessionária de Guarulhos ameaçou ir à Justiça para poder continuar participando do grupo. “Será ótimo, se fizerem isso, pois revelam qual é o propósito de interferir no processo. Vão acabar atrasando a elaboração do edital e, por fim, levar a que não aconteça a privatização. Com seus gestos, acabaram por jogar a favor do Rio de Janeiro”, afirma Portinho.

Sobre a exclusão das concorrentes do Galeão do Grupo de Trabalho, a assessoria do Ministério da Infraestrutura enviou a seguinte nota ao DIÁRIO DO PORTO: “Majoritariamente, os representantes do Rio de Janeiro apresentaram entendimento contrário, defendendo que o foco no trabalho seja o impacto da concessão para a cidade e o Estado do Rio de Janeiro, razão pela qual se pronunciaram contra o ingresso das novas solicitantes – o que, democraticamente, vai prevalecer“.

Galeão é o 11º aeroporto do país, enquanto o Rio é a segunda economia

Atualmente, o Galeão é apenas o décimo primeiro aeroporto do país, apesar de o Estado do Rio ser a segunda economia nacional e o maior produtor de petróleo. Além disso, o Rio é o destino turístico nacional mais procurado por turistas estrangeiros em viagens a lazer. O esvaziamento do Galeão só se explica quando se entende o papel que o Santos Dumont vem exercendo nos últimos anos, que é o de servir como base secundária para aeroportos de outros Estados, principalmente os de São Paulo.

Essa é a situação que os concorrentes do Galeão não querem mudar. Outro ponto mais específico, e que interessa a Minas Gerais, é o fato de o Governo Federal ter incluído na primeira versão do edital de privatização do Santos Dumont três aeroportos deficitários do interior mineiro. Ou seja, quem comprasse o aeroporto carioca teria que financiar a economia do Estado vizinho. Esse é outro item que os representantes do Rio querem alterar, com a exclusão dos penduricalhos.


LEIA TAMBÉM:

Paes pede para entrar no GT da licitação do S. Dumont

Casa Villarino celebra aniversário de Tom Jobim e Dia da Bossa Nova

Cury inaugura estande de novo residencial no Porto


/