Abra o coração do Rio ao progresso, prefeito Paes  | Diário do Porto

Política

Abra o coração do Rio ao progresso, prefeito Paes 

O Dipo parabeniza Eduardo Paes pela vitória e torce por uma gestão de estadista, que cuide dos cariocas e torne a cidade mais competitiva no turismo mundial

29 de novembro de 2020
Eleição de Paes abre nova chance para o Rio e o Porto Maravilha (Divulgação)

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Editorial

É permanente o esforço que uma cidade turística precisa empreender para se mostrar atraente aos viajantes. Após sediar a final da Copa do Mundo e a Olimpíada, o Rio de Janeiro quase foi empurrado para fora dessa competição em torno dos recursos do turismo, a indústria criativa que mais gera empregos. Uma oportunidade de ouro foi jogada fora, e chegamos ao fim do governo de Marcelo Crivella com problemas graves de infraestrutura, auto-estima e falta de esperança em um futuro de prosperidade. 

Frustrado, o carioca reabre as portas da prefeitura ao ex-prefeito Eduardo Paes. Pouco importa se este voto foi mais um reconhecimento aos oito anos de sua gestão ou o desespero diante da possibilidade de mais quatro de uma gerência que se mostrou inapta diante da missão que lhe foi atribuída. O fato é que Paes acaba de ganhar mais uma chance de conduzir uma das mais belas cidades do mundo a um destino digno de sua singularidade. 

Em suas duas gestões, Paes surfou e fez manobras memoráveis na maior onda de recursos federais que o Rio recebeu desde que perdeu o status de cidade-estado. Obras que pareceriam ousadas em qualquer país rico foram concluídas ou iniciadas. A Parceria Público Privada (PPP) do Porto Maravilha foi uma de suas intervenções mais vistosas. A derrubada da Perimetral, a construção de túneis, os museus incríveis, o moderníssimo VLT, a Orla Conde, tudo parecia, finalmente, abrir o coração da cidade para o reencontro da Zona Sul com a Zona Norte em uma área privilegiada para morar e empreender. 

Paralisia de Crivella inviabilizou o Porto

Como quase tudo na cidade, o Porto Maravilha sucumbiu à paralisia da gestão Crivella. Moradores não chegaram, comerciantes faliram e investidores sofreram prejuízos dolorosos, mas a população da região foi a que mais sofreu com a desilusão. De fronteira promissora em renda e emprego, o conjunto de bairros históricos da região portuária foi, mais uma vez, relegado à escuridão, à sujeira, à inação do poder público e, principalmente, à desesperança. 

Se o prefeito Eduardo Paes tem um compromisso de honra com a cidade no terceiro mandato, o Porto Maravilha será o palco nobre de sua atuação como estadista antenado com os desafios contemporâneos. Não por ser um de seus feitos inacabados, mas pelo potencial da região como farol para iluminar o progresso de uma cidade desafiada, como tantas outras, pelo “novo normal” criado pela pandemia. O tempo atual esvazia os escritórios, mas, paradoxalmente, abre a perspectiva de transformação do coração da cidade em um super bairro, vocacionado para a vida cultural, a economia inovadora e a convivência harmônica de todos os cariocas. 

Novo capítulo pode ter final feliz

Estima-se que até 10 bilhões de reais tenham sido mobilizados para a requalificação urbanística da orla da região portuária, que atraiu empresas de porte internacional. Por falta de planejamento ou de aptidão para o batente, a prefeitura de Crivella pouco ou nada fez, digno de registro, para tornar a região agradável a moradores e empreendedores. Não cumpriu a obrigação mínima de varrer ruas, iluminar praças, estimular o comércio, articular uma solução urbanística para os imóveis improdutivos ou abandonados. Foram quatro anos perdidos.  

A vitória de Eduardo Paes abre um capítulo, que pode ter um final feliz. O Porto Maravilha ainda tem jeito, mas é preciso fazer diferente, a começar pela reflexão sobre o que significa uma gestão pública eficiente. Se o novo prefeito entende, como nove em cada dez urbanistas, que é preciso povoar a região central da cidade, deve abrir imediatamente negociações para destravar o imbróglio com a Caixa e a concessionária Porto Novo e, simplesmente, cumprir as obrigações mínimas de um prefeito.

Ninguém escolhe morar ou abrir um negócio em um lugar porque nele há um túnel grande, uma roda gigante, um aquário ou uma promessa de futuro melhor. As pessoas vão para locais iluminados, limpos, seguros, onde existem padarias, lanchonetes, mercados e lojas. O Porto tem túneis atrevidos, âncoras culturais robustas, infraestrutura de transporte e prédios modernos, muitos deles erguidos com financiamento público, mas é perto de zero o interesse do carioca em se mudar hoje para a Gamboa, a Saúde e o Santo Cristo. 

‘Esculacho’ na Central do Brasil

As áreas em torno da Central do Brasil e da Rodoviária do Rio, portas de entrada da Cidade Maravilhosa, seguem imundas e desordenadas, com bandidos de pequeno e grande portes agindo à luz do dia e sob as barbas dos generais do Comando Militar do Leste e de coronéis da Secretaria de Polícia Militar. É um esculacho, como diz o carioca. 

A última demonstração atenção da Prefeitura com o Morro da Providência, onde vive a maioria da população da região, foi a construção de um teleférico milionário que não funciona, como muitos outros “legados olímpicos”. A insegurança atormenta os moradores, invasões desvalorizam a Rua do Livramento e adjacentes, e grande parte da juventude continua à mercê de grupos criminosos, com tiroteios quebrando as projeções de prosperidade. A primeira favela do país, que deveria ser uma atração turística, mendiga por atenção de governos e grandes empresas do Boulevard Olímpico.

Sugestões para o prefeito eleito 

O Diário do Porto parabeniza Eduardo Paes pela vitória e manifesta votos sinceros de que sua terceira gestão fique para a história como aquela que foi capaz de abrir o coração da cidade para reencontrar o progresso. 

Cuide dos cariocas e da cidade do Rio de Janeiro, prefeito eleito. Ofereça ao mundo um porto seguro, limpo, hospitaleiro e criativo. Recupere as calçadas e a poesia de Copacabana e Vila Isabel, apoie a indústria do samba, dê atenção às favelas, à saúde das famílias, ressuscite o BRT para que os pais e mães possam dedicar mais tempo às crianças, ordene os ambulantes para que todos possam trabalhar sem prejudicar o comércio, limpe as praias, brigue pela despoluição da Baía de Guanabara e pelas lagoas da Barra e de Jacarepaguá, olhe pelos jovens desempregados.

Cuide das praças e das esquinas cariocas e faça história, prefeito Eduardo Paes.

 


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