Chegada de livrarias à Tijuca dá esperança ao setor | Diário do Porto


Literatura

Chegada de livrarias à Tijuca dá esperança ao setor

Enquanto gigante mineira Leitura abre no Shopping Tijuca sua 9ª loja no Rio, a Casa da Leitura, pequena livraria da Zona Portuária, abre loja de rua no bairro

30 de junho de 2021



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A notícia alvissareira é para os amantes dos livros e vem da Tijuca. O bairro mais badalado da Zona Norte do Rio acaba de ganhar duas novas livrarias. A abertura da pequena Casa da Árvore, na Rua Almirante Gavião, e da gigante Leitura, no segundo piso do Shopping Tijuca, representa um sinal de que o setor livreiro carioca, que agonizava já bem antes da pandemia, começa a sair da UTI.
A Associação Estadual de Livrarias do Rio de Janeiro (AEL-RJ) estima que a capital tenha hoje pouco mais de 170 livrarias e sebos, de diferentes portes e segmentos. Desde 2017, pelo menos 30 livrarias e sebos foram fechados na cidade, informou o jornal O Dia.
Inaugurada no fim de maio, a Casa da Árvore, primeira filial da pequena loja criada na Pedra do Sal, na Zona Portuária, é voltada a obras de cultura popular, história, política, religiões de matriz africana e temas sociais. Já a Leitura, que abriu suas portas dia 22, é a nona loja da tradicional rede mineira que tem 52 anos e hoje está presente em 22 estados brasileiros e no Distrito Federal, com 87 lojas. A décima filial na cidade será aberta em agosto, no Shopping RioSul, em Botafogo.

Parceria com bar para atrair clientes

A Livraria Casa da Árvore, em frente ao Bar Madrid, oferece livros com temáticas sociais (Foto: Facebook)
Localizada quase em frente ao movimentado Bar Madrid, a nova Casa da Árvore planeja conquistar amantes da leitura e da boemia. “Nosso acervo dialoga com a boemia. Queremos que a pessoa que já tem o hábito de tomar uma cerveja aos domingos, no Madrid, venha comprar um livro”, disse Dudu Ribeiro, um dos sócios da Casa da Árvore, ao lado de Fabio Brito e Ivan Costa – este último, também dono da livraria Belle Époque, no Méier.
Como estratégia para conquistar o público tijucano, a ideia é criar atividades culturais e promover lançamentos com sessões de autógrafos quando não houver mais restrições sanitárias na cidade. “Queremos aproveitar esse clima que a rua nos permite. Botar uma música na porta, quem sabe colocar um chorinho, aos domingos? Não sei se pode. Antes temos que criar um laço com a vizinhança e fazer tudo com muita calma. São planos para quando a pandemia permitir”, completou, consciente, em entrevista a Raphael Perucci, do Dia.
Livrarias de rua
Amigos e sócios, Ivan, Dudu e Fábio abrem na Tijuca primeira filial da Casa da Árvore, livraria da Zona Portuária (Foto: Luciano Belford / O Dia)

No Shopping Tijuca, a Leitura ocupa a antiga megastore da Saraiva, que fechou as portas em 2020, por conta da recuperação judicial da empresa. A nova livraria quer ser um centro de entretenimento para a região, com lançamentos, oficinas para crianças e outras atividades. O espaço de 320 metros quadrados conta com livraria, papelaria, presentes, área geek e HQs.

 


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“Queremos fazer o máximo para que o cliente que vá passear no shopping, entre em nossa loja. Assim como os cinemas são um atrativo, a livraria também é. Estamos dentro de um polo comercial muito importante, por isso nossa ideia é fazer eventos e outras ações quando a pandemia permitir”, detalhou o sócio-gerente Rodrigo Bernardes, 30, ao jornal O Dia.

Apesar de já ter perdido várias livrarias de rua e também em shopping centers, a Tijuca ainda conta com lojas tradicionais, como a Eldorado e a Galileu. Referência em livros didáticos e técnicos e com forte parceria com escolas da região, a Eldorado está presente há 60 anos no bairro, funcionando hoje em uma galeria na Rua Conde de Bonfim, além de ter lojas em Copacabana (Copabooks) e Jacarepaguá (Eldorado Kids). Já a Galileu, fundada há 30 anos na Rua Major Ávila e com foco no público infantil, é outra que atravessa gerações de tijucanos, além de possuir filiais em Ipanema e no Largo do Machado.