A Pira Olímpica reacende o sonho da felicidade | Diário do Porto

Nas esquinas de Tóquio

A Pira Olímpica reacende o sonho da felicidade

Fogo Olímpico aceso em Tóquio e no Rio é uma lembrança gostosa de dias em que fomos felizes e dividimos nossa felicidade com todo o mundo

23 de julho de 2021


A Pira Olímpica, acesa em Tóquio e no Rio, lembra tempos de sonho (Foto Alex Ferro/Riotur)


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Nas esquinas de Tóquio

Vicente Dattoli

Eram pontualmente 8h (de Brasília) quando a imagem vinda de Tóquio mostrou alguém solitariamente no centro do Estádio Olímpico. Logo depois, imagens desde 2013, quando a capital japonesa foi escolhida, pela terceira vez (já fora, antes, para uma edição cancelada pela II Guerra Mundial e para os Jogos de 1964) para receber uma Olimpíada.
Luzes, cores, vida… Rio 2016… Até chegarmos ao revéillon de 2020…
A partir daí, as luzes se apagaram. Lembrança dos tempos sombrios que estamos vivendo desde a triste chegada do vírus da Covid.
A tristeza, porém, durou pouco. Pessoas de branco, exercitando-se, passaram a preencher os espaços.
A esperança de novos tempos, com o esporte em alta, é claro. Tudo isso sob as vistas do presidente do Comitê Olímpico Internacional, Thomas Bach (campeão olímpico em 1976, em Montreal, na esgrima) e do imperador japonês Naruhito – a presença de público está proibida e os convidados foram restringidos ao mínimo.
No desfile, sentia-se que os atletas queriam mais.
Mais alegria, mais sorrisos, mais vida. Sentiam falta do calor do público e, claro, de poder mostrar sua satisfação.
Todos de máscaras, como convém nestes tempos, mas com alguns países desrespeitando a solicitação de levarem 20 pessoas. A Itália foi um destes. Os Estados Unidos, nem se fala… Até mesmo os donos da casa, tão sérios, estouraram o limite.
Bruno Rezende, o Bruninho, do vôlei; e Ketleyn Quadros, do judô, conduziram a bandeira brasileira. Respeitando a ordem alfabética dos japoneses, desfilamos depois da Coreia do Sul, das Ilhas Salomão, do Paraguai… Melhor não tentar entender.

 


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Como o nosso levantador fez questão de frisar, a porta-bandeira era Ketleyn… Ele seria o mestre-sala. Bela figura para introduzir o nosso carnaval também na Olimpíada, com direito a sambadinha e tudo mais… Saudades dos Jogos realizados por aqui há cinco anos.
Quase todos os países desfilaram com casais levando suas bandeiras, numa Olimpíada que terá 48,5% dos atletas participantes do sexo feminino, um recorde histórico.
Imaginamos, depois, todos, um mundo melhor. Vieram os discursos de praxe, com muitos atletas sentando, afinal ninguém é de ferro, e uma interessante representação artística dos pictogramas (com direito a vacilo na hora do tênis).
Tudo, tudo, tudo, preparação para o grande momento: o acendimento da pira olímpica. Simbologia que, na Antiguidade, marcava o início do período de paz – as guerras paravam durante a Olimpíada.
Já tínhamos mais de 3h48 de cerimônia quando, finalmente, aconteceu. O fogo olímpico, em Tóquio, começou a arder. Aqui pertinho, na véspera, também a nossa pira foi reacendida. Lembrança gostosa de dias em que fomos felizes e dividimos nossa felicidade com todo o mundo.