Para ler na rede

A Bienal, festa dos livros

Olga de Mello fala sobre a Bienal do Livro em plena crise econômica e sobre a presença de best-sellers, incluindo Luccas Neto, ídolo da garotada

31 de agosto de 2019
Bienal sempre leva multidões ao Riocentro (Foto Leandro Martins/Divulgação)

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Por dez dias, o livro é festejado no Rio de Janeiro na Bienal que vai até 8 de setembro. A expectativa dos organizadores é vender 5 milhões de livro e, para promover a feira, não faltam atrações internacionais, entre eles o autor do bestseller A sutil arte de ligar o f*da-se (Intrínseca, R$ 34,90), Mark Manson, e o cientista político Steven Levitsky, que assina, com Daniel Ziblatt, Como as democracias morrem (Zahar, R$ 64,90). Levando até os distantes pavilhões do Riocentro, trens do metrô e ônibus terão livros deixados nos bancos para serem levados pelos passageiros. No entanto, apesar das constantes ações para incentivar o hábito da leitura, o mercado editorial registra o quinto ano de queda em vendas.

Livro Como as democracias morrem

Por mais que se lamente o baixo índice de leitura do brasileiro, o livro continua sendo associado a conhecimento, não a entretenimento. E a concorrência no campo da diversão é imensa, além de menos onerosa. A vida virtual se impõe ao cotidiano de qualquer um. Uma jovem mãe, a conselho da pediatra da filhinha de dois anos, impede a menina de manusear celulares, tablets e até ver televisão. Diante das telas, a criança não brincava, não se movimentava, nem conversava mais. Resistir a interagir com grupos de amigos pelos Whatsapp é difícil mesmo. Mais difícil é encontrar tempo para encontrar pessoalmente com tanta gente.

Livro A sutil arte de ligar o fdase

Se as atrações na palma da mão são inegáveis, os esforços para manter a sobrevivência da indústria do livro continuam buscando professores como formadores de opinião e de futuros leitores. Vez por outra, telenovelas tornam os livros assunto e não apenas cenário. No momento, Bom Sucesso, de Paulo Halm e Rosane Svartman, aborda clássicos da literatura pelas indicações de um dos personagens, o dono de uma editora. O cuidado dos autores é que as situações vividas pela protagonista, uma costureira que aproveita as viagens de trem de casa ao trabalho para ler, sejam associadas às leituras, discutindo tramas e fazendo citações aos livros. Será que a campanha sutil pode modificar a situação? O tempo dirá.


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Culpar o consumidor pela baixa procura do livro não adianta. O mercado floresceu quando a economia se estabilizou e subiu. O desemprego afeta diretamente as compras, e livro não é gênero de primeira necessidade para todos. Para quem é, a Bienal não chega a ser um evento imperdível, já que os descontos oferecidos na feira são modestos. Leitor conhece as novidades do mercado e só se desloca até o Riocentro para debates e encontros com escritores que participarão do evento. Quem quiser se planejar, pode consultar a programação do Café Literário, onde haverá debates com autores como Ruth Rocha, Pedro Bandeira, Ana Maria Machado, João Silvério Trevisan, Conceição Evaristo, Luiz Rufatto e Laurentino Gomes.

Livro Os aventureiros

No mais é correr da criançada que se prepara para encontrar o campeão de vendas de 2018, o youtuber Luccas Neto, que lança Os aventureiros (Pixel, R$ 24,90), seu novo livro de atividades e passatempos – um gênero que fazia sucesso muito antes da popularidade da Internet.