Reforma do 5º BPM, na Praça da Harmonia, pode revitalizar a Gamboa | Diário do Porto

História

Reforma do 5º BPM, na Praça da Harmonia, pode revitalizar a Gamboa

Prestes a completar 112 anos, o 5º Batalhão da PM ganhará reformas importantes e voltará a ser uma peça de prestígio para a PMERJ e para a cidade do Rio

9 de janeiro de 2020


Projeto promete devolver a beleza original do prédio do 5º BPM na Praça da Harmonia (Foto: DiPo)


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A Polícia Militar precisa correr contra o tempo para fazer bonito no Congresso Mundial de Arquitetura, que terá o Porto Maravilha como centro. Inaugurado em 1908, o prédio do 5º Batalhão de Polícia Militar, na Praça da Harmonia, é uma joia arquitetônica importante para a memória da cidade. Entretanto, a construção sofre com a ação dos anos, a falta de manutenção e a falta de regras no entorno, com carros no lugar que deveria ter uma calçada. Prestes a completar 112 anos, o batalhão nunca passou por uma reforma geral. Isso pode estar prestes a mudar.

A Diretoria de Engenharia e Arquitetura da PMERJ estuda a liberação de verbas para a manutenção de unidades da PM no Estado. O 5º Batalhão foi um dos selecionados para receber obras emergenciais de infraestrutura, como a substituição da parte elétrica, a maior vilã de construções antigas.

Janelas quebradas, prédio exposto a chuvas e ventos
Janelas quebradas, prédio exposto a chuvas e ventos

Quem passa hoje na Praça da Harmonia se entristece com a situação do belo prédio, em muitos pontos literalmente caindo aos pedaços. Há janelas sem proteção alguma e outras com improvisações lamentáveis, como cimento no vão. A mudança deste cenário vai acelerar a revitalização da Gamboa, expandindo a valorização hoje restrita à Orla Conde e seus poucos prédios imponentes.

Sem calçada, um território sem lei

Além da fachada, estão previstas reformas na academia do prédio, onde acontecem as aulas de Jiu-jitsu, capoeira e xadrez, parte dos projetos do Batalhão para a comunidade. Uma limpeza já começou a ser feita na torre principal, um dos maiores problemas do imóvel. Só os pombos da Praça da Harmonia é que estavam tendo acesso à torre principal, abandonada há anos. Uma empresa de limpeza retirou da torre quase 2 toneladas de fezes de pombos, material tóxico que causa doenças. A reforma da fachada, entretanto, precisa de mais estudos e de licitação para a contratação de empresa especializada.

Cimento na janela
Vale tudo, até cimento na janela

Em termos urbanísticos, o entorno do batalhão é a típica terra sem lei. A calçada da rua Silvino Montenegro, por exemplo, virou estacionamento de carros, até com vagas demarcadas, e o pedestre é obrigado a andar no meio da rua. É o que um turista tem que fazer, por exemplo, quando caminha do AquaRio ou da roda gigante Rio Star até a Praça da Harmonia.

Esse aspecto de desordem em um local onde o respeito à ordem deveria ser a regra desvaloriza os imóveis da região e afasta possíveis investidores e até frequentadores. Assim, a praça, que tem charme e história de sobra, não acompanha a tendência de valorização que se observa na Orla Conde.

 

Desrespeito a pedestres: calçada virou estacionamento

Procurado pelo DIÁRIO DO PORTO para falar sobre o prédio, o comando da PM não quis se pronunciar. Falamos com o major André Barbosa, responsável pela Seção Administrativa de Logística e Finanças do 5º BPM. Segundo ele, o projeto que libera verbas para obras é importante para todos os batalhões, mas o da Praça da Harmonia merece atenção especial. “Todos os batalhões precisam de reformas, até os mais recentes. Mas o 5º Batalhão, que tem mais de 100 anos, nunca passou por reformas gerais, só pequenos reparos. Então a corporação quer, em etapas, resolver grandes problemas.”


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A cidade do Rio de Janeiro é a primeira Capital Mundial da Arquitetura, título concedido pela UNESCO (Organização das Nações unidas para a Educação, Ciência e Cultura) e pela União Internacional dos Arquitetos (UIA). Escolhido para sediar o 27º Congresso Mundial de Arquitetos, que acontecerá em julho de 2020, o Rio é conta com ícones mundiais da arquitetura modernista e obras de arquitetos como Oscar Niemeyer, Lucio Costa, Affonso Reidy e do escritório MMM Roberto.

Influências francesa e inglesa

Antes, porém, de tornar-se um ícone do modernismo, a arquitetura da cidade remontava o estilo neoclássico e tinha grandes influências da França e da Inglaterra. Foi sob essa influência que o arquiteto Heitor de Mello, especialista em construção militares e criador de diversos projetos no Rio de janeiro, em 1906, desenvolveu e executou o projeto 5º Batalhão de Polícia Militar Coronel Assunção. Com estilo eclético, o prédio reúne, de forma harmônica, diferentes influências arquitetônicas.

O início das reformas está previsto para o primeiro semestre de 2020. “É um batalhão muito grande e tem uma fachada muito bonita, mas ficou muito tempo abandonada. A reforma da área externa é um trabalho demorado e precisa de alto investimento financeiro”, afirma o major Barbosa.